A apenas 120 km de Belo Horizonte, Jeceaba é daquelas cidades que surpreendem pela simplicidade bem cuidada e pela força da sua identidade. Situada na confluência dos rios Camapuã e Paraopeba — “reunião das águas”, em tupi —, a cidade cresceu sob a influência da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil e preserva até hoje um ritmo interiorano marcado por tradições rurais, festas religiosas e uma relação muito próxima com a terra. Esse contexto faz de Jeceaba um destino especialmente interessante para quem percorre a Estrada Real em busca de experiências autênticas.
É nesse cenário que a Cachaça Jeceaba se insere como um dos grandes atrativos turísticos do município. Produzida em família desde 2003, a cachaça traduz o espírito local: cuidado artesanal, volumes pequenos e respeito absoluto ao processo produtivo. A visita ao alambique é uma experiência que vai além da bebida — é um convite para desacelerar, ouvir histórias e entender como tradição e técnica caminham juntas no interior de Minas.


Localizada dentro da cidade, a Cachaça Jeceaba recebe o visitante em um espaço cercado por árvores frutíferas, com vista aberta para a paisagem da região. O passeio inclui a apresentação do processo produtivo, que começa na fermentação com pé-de-cuba à base de fubá de milho e leveduras selvagens, passa pela destilação em alambique de cobre com fogo indireto e chega ao envelhecimento em carvalho de primeiro uso, com apoio de técnicas modernas como a micro-oxigenação.
Com produção anual em torno de 9 mil litros, a visita ganha um caráter quase intimista. As degustações guiadas ajudam a entender as diferenças entre os rótulos, enquanto o contato direto com os produtores reforça a sensação de acolhimento — algo que faz parte da experiência turística tanto quanto a cachaça no copo. Não por acaso, o alambique se consolidou como um ponto de encontro para quem viaja pela região, integrando bebida, natureza e gastronomia local.


Além da visita à cachaça, Jeceaba oferece programas que complementam bem o roteiro. A Serra do Gambá é um dos destaques: o mirante, bastante procurado por visitantes de toda a região, oferece uma vista ampla e impressionante, permitindo avistar diversas cidades ao redor em dias claros. Para quem deseja ampliar o passeio, vale incluir no roteiro a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, a apenas 20 km dali, onde estão os icônicos Profetas de Aleijadinho.

Na gastronomia, o caminho até Jeceaba já rende boas paradas. O tradicional O Legítimo Rocambole, em Lagoa Dourada, é parada quase obrigatória para quem vem de Tiradentes, com rocamboles feitos desde 1907. Na cidade, a Charcutaria WH complementa a experiência com queijos, defumados, embutidos, vinhos e rótulos de cachaça local — um ótimo lugar para montar uma tábua e estender a conversa depois da visita ao alambique.

Jeceaba mostra que o turismo da cachaça não precisa de grandes estruturas para ser memorável. Aqui, a experiência se constrói no encontro: com a paisagem, com a história local e com pessoas que transformaram o alambique em um verdadeiro centro de difusão cultural.

O alambique agora virou um centro de lazer e de difusão dessa cultura maravilhosa que é a cachaça
Roger Sejas
fotos: Marcos Zaniboni e Felipe Jannuzzi
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O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.
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