

Na esquina da Rua Chile com a Rua do Tira Chapéu, o Palacete Tira Chapéu ocupa um endereço ligado à vida comercial de Salvador desde o início do século XX. O arquiteto italiano Rossi Baptista concebeu o projeto em 1914; a construção começou em 1916 e o edifício foi inaugurado em 30 de dezembro de 1917 para sediar a Associação dos Empregados do Comércio da Bahia. Em 1918, Bernardo Martins Catharino e Úrsula da Costa Martins Catharino formalizaram a doação do imóvel à entidade.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o prédio é um dos remanescentes da arquitetura eclética na cidade. A composição reúne referências barrocas e clássicas em capitéis, frisos, cornijas, volutas e atlantes na entrada principal. No interior, o restauro alcançou os vitrais da escadaria central, a escada em caracol de madeira torneada, a marchetaria do piso, os ladrilhos hidráulicos, as pinturas, os azulejos decorados e os pisos em pastilhas. As partes recompostas foram mantidas reconhecíveis, em vez de apagarem a passagem do tempo.
Após quase cinco anos de trabalho conduzido pela Elysium Sociedade Cultural com a Tira-Chapéu Empreendimentos, o Palacete reabriu ao público em setembro de 2024. Hoje funciona como um complexo com cerca de 30 espaços dedicados à gastronomia, às bebidas, à arte, ao comércio e a eventos. Preta Tira Chapéu, no térreo, e Pala7, no rooftop, são restaurantes distintos dentro desse conjunto; galeria, enoteca, bar, pub, charutaria e chocolateria ampliam os usos do edifício.
Os salões e terraços também recebem exposições, apresentações e encontros profissionais, prolongando a antiga vocação do prédio para reuniões e atividades culturais. Em novembro de 2026, o Palacete será a sede do congresso do Salvador Cocktail Festival, enquanto a rua ao lado receberá dois dias de programação aberta. O Palacete é o espaço anfitrião do evento, não um bar único nem uma operação gastronômica homogênea.
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