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Avaliações

Pontuação:

88

Tem coloração amarelo ouro, límpida e sem depósitos ou turbidez. No nariz apresenta ser uma cachaça frutada, com notas de banana, se associando ao lado vegetal do bálsamo, a madeira não domina completamente o conjunto, temos aqui uma cachaça com bom equilíbrio entre o lado frutado da cana e as notas típicas da madeira. Em boca tem picancia e confirma o lado frutado, com o fundo vegetal, aparecem notas de gengibre e cardamomo principalmente, e esse frutado que remete a banana madura e algo de abacaxi.

É uma cachaça interessante para coquetelaria, acredito que em um Macunaíma esse lado frutado e picante iriam casar bem ao drink, ao mesmo tempo que o fernet levantaria esse nota vegetal típica do bálsamo, mas que aqui nesse cachaça é mais delicado. 

A Matriarca armazenada em Bálsamo foge do estilo de Salinas, o lado vegetal é mais tímido, enquanto o lado frutado aparece mais, tem esse perfil picante, com 42% bem inseridos. Para quem procura um Bálsamo mais fácil do que o de Salinas é uma ótima opção para começar conhecer essa madeira, seu perfil mais adocicado e frutado também vai agradar aos amantes de Rum.

Pontuação:

95
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A Famigerada Imburana passa 12 meses em um barril único de imburana que antes maturou uma Russian Imperial Stout — do meu conhecimento, é a primeira cachaça que passou por um barril ex-cerveja. Fermentada com levedura selvagem e destilada em alambique de cobre, é mais uma boa cachaça de Haroldo Narciso.

Ela entrega no visual um dourado alaranjado e lágrimas moderadas.

No aroma, aparecem cereja, mel, coco e baru, acompanhada por toques florais e aquela lembrança de bala de caramelo. Em boca, apresenta corpo moderado com uma picância alta, e bem-vinda. O paladar confirma o que o nariz sugere: caramelo, bala de canela (aquelas redondinhas da minha infância), cereja, notas de castanhas e um sutil caráter fermentado, da base branca.

O retrogosto é longo, complexo, marcado por uma percepção de tosta (contribuição da cerveja), pela especiaria da canela e por uma sensação picante persistente e agradável.

Gosto dessa imburana justamente por ser diferente: ela não traz a doçura floral excessiva que muitas vezes cansa na madeira; oferece uma experiência equilibrada, sem exageros. Também costumo levá-la para meus eventos pelo valor didático — o rótulo, com design direto e um contrarrótulo bastante descritivo, explica de forma clara as diferenças entre imburana, amburana e umburana. No sensorial, chama atenção pelo ineditismo da contribuição do barril que antes envelheceu uma RIS, acrescentando camadas pouco comuns a esse perfil de madeira. É uma verdadeira aula engarrafada, que dialoga com o que aprofundo em um artigo no Mapa da Cachaça.

Pontuação:

92

Cachaça aromática com muito boa intensidade, ela tem características claras de maturação em carvalho francês, prezando pelas frutas secas e especiarias, a noz-moscada é o principal aroma que aparece no inicio, depois abre para notas de frutas secas, avelã, chocolate ao leite, com sensação amanteigada. 

A coloração é âmbar, quando servi na taça percebi algumas partículas em suspensão, me parece resíduo de madeira, dentro da garrafa tinha uma quantidade também dessas pequenas partículas, muito finas e em pequena quantidade, a cachaça não estava turva, mas foi notado esses pequenos sedimentos. (safra 2017, lote 1, ano 2022)

Aromas intensos de noz moscada, cacau, chocolate ao leite, avelã, frutas secas, nuts, cedro, manteiga de cacau. Boa complexidade.

Em boca tem certa picância mas equilibrada, as frutas secas e a noz moscada aparecem novamente, o álcool esquenta mas está também em harmonia, a persistência em boca é media a longa.

É uma cachaça bem feita, para quem gosta de carvalho francês, foge muito das notas de baunilha e coco, que são comuns do carvalho americano, aqui o carvalho francês mostra sua elegância, tornando uma cachaça amadeirada mas sem ser enjoativa, as notas picantes de noz moscada nos convidam a mais um gole, uma bela cachaça para se provar após a refeição. Recomendo para os entusiastas de cognac.

Pontuação:

92.5
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A Gouveia Brasil Extra Premium foi uma das pioneiras entre as grandes cachaças a investir na maturação em barris virgens de carvalho americano, tostados em nível 3 pela ISC, com capacidade de 200 litros e três anos de envelhecimento. O resultado é uma cachaça que revela o melhor potencial dessa madeira, expressando complexidade, equilíbrio e sofisticação.

Na taça, exibe uma coloração âmbar brilhante, com lágrimas lentas e volumosas que denunciam corpo denso e boa estrutura alcoólica. No aroma, o carvalho americano se impõe com elegância, liberando notas de castanha, baunilha, tabaco e banana-passa, compondo um conjunto aromático maduro e envolvente.

Apesar do teor alcoólico mediano, a textura é amanteigada e a presença do álcool cumpre papel fundamental ao equilibrar a intensidade da madeira, conferindo harmonia e fluidez ao conjunto.

Em boca, confirma as promessas do nariz: notas de baunilha, mel, noz-moscada, banana-passa e couro se entrelaçam de forma precisa, criando uma experiência gustativa rica e persistente. O retrogosto é longo, complexo e muito agradável do início ao fim, com ecos de baunilha, castanhas e especiarias. A Gouveia Brasil Extra Premium demonstra com maestria o potencial do carvalho americano tostado e reafirma como a cachaça pode alcançar — e até superar — o nível de refinamento de um excelente bourbon.

Pontuação:

95

Uma cachaça aberta e cheia de nuance, dando bom emprego à palavra “complexidade” por relevar distintas notas e ser sua percepção evoluindo em boca durante o gole. Com corpo cremoso e alto dulçor, essa cachaça releva sabores de amêndoa, baunilha, fruta com caroço madura, como ameixa e cereja.

Pontuação:

88

A Paratiana Prata é um trabalho de tradição e consistência, o lote analisado conserva a característica picância atribuída ao terroir das cachaças de Paraty. Apresenta notas de castanha-do-Pará e macadamia, além de uma doçura de alcaçuz e uma lembrança de água de coco de forma persistente durante todo o gole. Na despedida, traz gengibre e o moderado aquecimento picante – pero sin perder la suavidad – nos dá saudade de beber uma Paraty direto da fonte.

Pontuação:

93.5
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Santa Terezinha Jum nasce do encontro entre dois profissionais que dominam suas artes. De um lado, Jum Nakao — artista plástico e estilista que há anos frequenta a loja de destilados da Santa Terezinha em Vitória, no Espírito Santo. Do outro, Adwalter Menegatti, produtor da Santa Terezinha, conhecido por sua criatividade e capacidade de construir blends complexos — Adwalter está entre os melhores mestre de adegas no nosso Guia Mapa da Cachaça 2025. Há oito anos, essa convivência resultou na cachaça que carrega a identidade dos dois artistas.

Na taça, apresenta dourado-escuro e lágrimas moderadas. O aroma começa fechado e pede repouso na taça. Com alguns minutos, a fava de baunilha se destaca, seguida por flores brancas e calda de caramelo. A percepção alcoólica permanece baixa apesar dos 45% — indicação clara de um destilado bem conduzido e de madeira bem trabalhada.

Em boca, a intensidade cresce sem exageros. É menos doce do que sugere o nariz, preserva a baunilha, entrega fruta madura e ameixa e traz um caráter exótico que se afasta do perfil direto dos carvalhos mais comuns — americano e francês. Isso vem do uso combinado de carvalho italiano e húngaro — madeiras raramente usadas na cachaça, vindas da adega pessoal de Jum, adquiridas nas suas viagens. A base do blend é uma cachaça branca de 52% que repousa quase três anos nessas barricas antes da padronização final. O resultado é textura aveludada, picância e acidez baixíssimas, e álcool completamente integrado ao amadeirado. O retrogosto é médio, limpo, com permanência de baunilha.

O lote tem apenas 600 garrafas — exclusividade que, somada ao preço na casa dos R$ 1.000, coloca a cachaça no território dos itens de colecionador. O rótulo, inspirado na renda de bilro, carrega a assinatura visual de Jum e dialoga com a identidade da Santa Terezinha. Adwalter sempre tratou design como parte do produto: foi um dos primeiros produtores a apostar em garrafas especiais importadas e em parcerias com designers de peso. Não à toa, sua outra criação especial, a Santa Terezinha Crafted ficou entre as dez cachaças mais bem avaliadas na categoria design do Guia Mapa da Cachaça 2025.

Pontuação:

88

A Grande Buda apresenta um dourado de brilho intenso e convidativo, com lágrimas moderadas. No nariz, a amburana se impõe com delicadeza, sem excessos: notas florais, melado, leve baunilha e castanhas surgem com suavidade, enquanto as especiarias tradicionais da madeira — canela — aparece discreta. Com o tempo na taça, o caráter doce-floral da madeira ganha intensidade.

Em boca, a cachaça tem corpo leve, com uma picância que cresce até a média intensidade, momento em que a canela se torna mais perceptível. A acidez é viva, a sensação alcoólica é baixa, e o dulçor floral evolui para algo próximo ao mel mais fluido, lembrando jataí. Há um bom equilíbrio entre dulçor e acidez, e o corpo leve não é ausência, mas proposta: trata-se de uma cachaça pensada para ser fácil e de alta bebabilidade. O retrogosto vai do curto ao médio, com predominância do adocicado e da picância final. Acompanha muito bem queijos curados.

Trazendo aqui a ideia do Buda e da contemplação, não sei se foi intencional dos produtores, mas faço um paralelo entre a proposta da leveza — perceptível no corpo, na suavidade aromática e na maneira como a bebida se revela aos poucos — e a leveza cultivada em práticas de meditação.

Pontuação:

88
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A Itupeva Carvalho é uma cachaça de 39% de teor alcoólico, produzida a partir de cachaças redestiladas e depois envelhecidas por dois anos em barris de carvalho europeu de 200 litros, anteriormente utilizados para armazenar o uísque Drury’s – os barris foram adquiridos na tanoaria Santo Antônio, localizada em Brodowski, no interior de São Paulo.

Na taça, apresenta uma coloração dourado-escura e lágrimas lentas. No aroma, destaca-se uma combinação de frutas verdes, babosa e fermento, com sutis notas de carvalho, trazendo nuances de baunilha, caramelo e um leve toque defumado (contribuição do barril ex-whisky), embora inicialmente seja fechado.

Na boca, revela-se mais interessante, com a madeira evoluindo e entregando camadas adicionais de baunilha, caramelo e especiarias como noz-moscada, avelã e amêndoa. O retrogosto é médio e simples, deixando uma leve sensação de amargor medicinal.

Para melhor apreciação, recomendo deixar a cachaça descansar na taça por alguns minutos, permitindo que os aromas se abram e expressem todo o seu potencial. Com uma pontuação de 88 pontos (3 estrelas) no nosso Guia Mapa da Cachaça, a Itupeva Carvalho é uma cachaça bem resolvida. A redestilação faz com que não tenha arestas e que entregue uma experiência coerente com a proposta comercial.

Eu sugiro seu uso também no preparo de coquetéis – apesar do teor alcoólico mais ameno, na minha experiência, a diluição contribuiu para a evolução da cachaça num Rabo de Galo, revelando principalmente as características do carvalho.

Pontuação:

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Amostra de degustação: Rein Envelhecida Castanheira

Produtor: Rein

Volume: 700 ml

Teor Alcoólico: 38%

Categoria: ENVELHECIDA EM MADEIRA BRASILEIRA OU EXÓTICA

Safra/Lote: 09/2021

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