
A Nhá Dita, cachaçaria de Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, acaba de somar mais dois prêmios internacionais à sua estante: medalha de Ouro para o coquetel engarrafado Rabo de Galo e medalha de Prata para Nhá Dita Carvalho Francês no New Orleans Spirits Competition, concurso norte-americano realizado em julho de 2026 dentro da programação do Tales of the Cocktail, em Nova Orleans.
O resultado tem peso. Criado em 2022, o concurso avalia destilados do mundo inteiro em degustação às cegas: cada amostra é pontuada por um júri de especialistas numa escala de 100 pontos, e as medalhas — do Bronze ao Duplo Ouro — são distribuídas por faixa de nota, sem cota por categoria. Ver uma cachaça premiada dentro do que é, na prática, a maior semana de coquetelaria do mundo diz bastante sobre o espaço que a nossa bebida vem conquistando fora do país.
No passado, já havíamos avaliado a Nhá Dita Carvalho Francês e destacamos como nossa favorita na triologia Ember Collection lançada em 2025.

A história da Nhá Dita começa muito antes da cachaça. A propriedade fica no Bairro Rural da Roseira, em Mogi Guaçu, e guarda a Casa Grande de uma antiga fazenda de café erguida no século XIX — um casarão que atravessou a decadência do ciclo cafeeiro, a divisão entre herdeiros e anos de abandono até ser comprado pelos atuais proprietários, em 2017. A reforma devolveu a sede à vida e transformou o lugar em adega de envelhecimento.
É justamente aí que está o diferencial do produtor: a cachaça descansa numa adega parcialmente subterrânea, cujas paredes de pedra são o alicerce original do casarão centenário. A temperatura estável e a umidade desse tipo de ambiente favorecem um envelhecimento mais lento e regular. Some-se a isso a opção por barris novos, nunca antes usados por outra bebida e feitos de madeira com laudo de extração sustentável, além da análise laboratorial de todos os lotes produzidos.
No catálogo do Mapa da Cachaça você encontra duas expressões da marca: a Nhá Dita Prata, para quem quer sentir o destilado sem a interferência da madeira, e a Nhá Dita Envelhecida em Freijó, três anos de descanso e 38% de teor alcoólico. O freijó é uma madeira nativa de perfil discreto, que empresta cor suave e não atropela o caráter da cana — boa porta de entrada para quem está começando nas envelhecidas. A linha da casa também passa por carvalho e amburana e chega às extrapremium da The Ember Collection.

Não é a primeira vez que o alambique aparece bem em concurso: em 2024, no 1º Concurso de Qualidade da Cachaça Paulista, a versão em amburana levou Ouro e a de carvalho, Prata. As medalhas de Nova Orleans ampliam esse histórico para fora do Brasil.
No nosso Guia Mapa da Cachaça 2025, a Nhá Dita também ganhou destaque com 88 pontos.
Parabéns a toda a equipe da Nhá Dita — e que venham as próximas.
Livros e ferramentas criados pelo Mapa da Cachaça para estudar, provar e registrar suas descobertas.

