Beba com moderação: o uso da informação para evitar tragédias como a de Bauru

  • Publicado 9 anos atrás

Men drinking, vomiting and collapsing around a tavern table.

Não adianta negar: o álcool é uma droga, provoca alterações nas percepções e funções neurológicas das pessoas, pode levar ao vício e, consumido em excesso, faz passar mal, enjoar, desmaiar, chegando, até mesmo, a matar. O consumo do álcool está tão enraizada na nossa cultura que, por vezes, parece até exagero unir as palavras álcool e morte. O problema é que, como ficou comprovado na tragédia da morte do estudante universitário de Bauru, ele pode sim matar uma pessoa.

É claro que as explicações sobre a causalidade e ocasionalidade do acontecimento são diversas, e a responsabilidade é tanto da cultura permissiva e irresponsável acerca do consumo do álcool, permeada em anos de história da civilização e da sociedade brasileira, como também da indústria, comércio, mídia e, claro, todos nós que falamos e trabalhamos com o assunto todos os dias.

Se queremos falar sobre a cultura da cachaça, precisamos mudar nossa cultura de consumo de álcool. Sim, é legal aproveitar o lúdico e o prazer de beber, mas devemos entender nossos limites e respeitar nossa mente e corpo. Mais do que isso, devemos aprender a conversar mais abertamente sobre o assunto a partir de uma abordagem mais livre e verdadeira. Afinal, o álcool é incrível, sim. Mas, por outro lado, o álcool mata – e mata todos os dias, por intoxicação, por descontrole, por acidentes no trânsito, por câncer de fígado e outras doenças. O álcool é uma droga e, consequentemente, um problema social e de saúde pública.

No artigo publicado pelo jornalista Marcos Nogueira, em seu site, Bar do Nogueira, ele, que é especializado em bebidas e chama até mesmo seu próprio site de “bar”, fala sobre a conduta das grandes indústrias com jornalistas e toda classe de formadores de opinião, além de, como o próprio título do texto propõe, as “verdades incômodas” que a tragédia de Bauru trouxe à tona.

Outra referência sobre o assunto é o site Sem Excesso, criado e mantido pela Associação Brasileira de Bebida (ABRABE) há mais de dois anos. O portal busca criar um ambiente interativo em torno da conscientização do consumo responsável de bebidas alcoólicas com vistas à preservação da vida, da saúde e também da comemoração, mas com moderação. Os assuntos vão desde consumo de bebidas alcoólicas, comportamento relacionado ao assunto, até textos sobre compulsão e outros dissidentes.

O Mapa da Cachaça: consumo consciente é o mote

Para o Mapa da Cachaça, o consumo consciente da cachaça e de qualquer outro tipo de bebida alcoólica está presente desde o DNA sobre o qual o Mapa foi construído, até às palavras e assuntos escolhidos para nosso discurso diário. Somos críticos da cachaça de baixa qualidade e muito barata, prezamos pela qualidade da bebida acima da quantidade, o foco está na produção e não somente na comercialização de milhões de litros anuais. Para nós, a educação sobre o assunto e a criação de cultura para levar ao consumo inteligente da bebida. Para isso, usamos as palavras do jornalista Marcos Nogueira:

“Outro caminho, mais difícil, é a educação e o bom uso da informação. Em algum momento da vida, a pessoa descobre que ficar doidão não é o único prazer envolvido no ato de beber. Ela passa a sentir gostos e aromas na bebida. Torna-se mais seletiva. Toma mais tempo entre um gole e outro. Escolhe bebidas mais caras. Como consequência disso tudo, bebe menos. É melhor que esse processo aconteça cedo.

Se o seu filho ou a sua filha (maior de 18 anos, que fique claro!) toma muita bebida vagabunda, apresente-lhe um bom vinho ou cerveja. Se você é o(a) pirralho(a) bebum em questão, experimente coisas de qualidade. Uma hora ou outra a transformação acontece. É um caminho sem volta — e muito, mas muito mais seguro”.

 

E você, concorda que a educação é a saída para esta questão tão importante para o Brasil? O que pensa sobre o assunto? Compartilhe conosco suas ideias e vamos começar, a partir de agora, uma cultura de debate pautada pela boa informação – para que a consciência e moderação sejam intrínsecas ao comércio e consumo de álcool no país.

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