Estrangeiros, Marketing e Cachaça

  • Publicado 13 anos atrás

Os estrangeiros estão investindo em cachaça

Vamos lembrar de grandes marcas brasileiras? Havaianas, da Alpargatas. Casa Bahia. Guaraná Antártica e cerveja. E outras menos óbvias como Boticário, Habib’s e Caloi. Todas marcas duradouras, ainda contemporâneas, e que estão até hoje fazendo grande sucesso aqui dentro e, algumas vezes até lá fora. Sabe o que elas têm em comum, além de serem ‘brasileiras’? Todas foram fundadas, ou co-fundadas, por executivos estrangeiros radicados aqui.

A história do Brasil foi construída pela mão de muitos brasileiros, é fato, mas brasileiros esses que também parecem ter contado com gente de fora para valorizar sua própria cultura e, principalmente, capacidade. Comecei a notar esse “fenômeno” já no mundo da fotografia. Nomes como Pierre Verger, Thomaz Farkas (!): sempre uma pronúncia difícil ao falar de algo super brasileiro. Houaiss (o dicionário): tem muito estrangeiro envolvido quando o assunto é Brasil.

E o que isso tem a ver com Cachaça? “Tem a ver que o seguinte”: quando ‘cheguei’ no universo da Cachaça de repente me deparei com um fenômeno parecido – estrangeiros estavam investindo mais tempo e esmero na divulgação e valorização da Cachaça do que nós próprios brasileiros. Isso pode parecer uma grande ameaça, principalmente para quem vê a história do Brasil com os olhos que eu vejo, que enxergam um país vendido ao exterior, aberto ao capital estrangeiro, e pouco cuidadoso ou preocupado com suas riquezas. Falar em “estrangeiro” é sempre uma grande ameaça.

Alguns exemplos do que está acontecendo a gente conta nessa série de artigos chamados de Marketing da Cachaça.

No entanto, temos que prestar atenção e sermos, talvez, mais cuidadosos em relação a isso. Existem marcas de Cachaça lideradas por executivos estrangeiros, tais como Cachaça Cabana, Cachaça Leblon, Água Luca e uma por mim recém descoberta Soul, que têm feito um interessante trabalho de marketing pela brasileirinha. Será que mais vale uma marca 100% nacional que exporta seu produto a granel, quase como uma commodity, para ser vendido no exterior com outra marca, ou uma marca “pseudo-nacional” como algumas dessas, fundada por não brasileiros, mas que valorizam mais do que nós próprios a cultura brasileira?

Não acho que todas as campanhas e iniciativas sejam válidas (vocês verão posts ainda sobre isso), mas também acho que temos excelentes trabalhos sendo feitos aí. Acho que é louvável, e temos muito a aprender com eles. Nem que seja para entender  que quem enxergou a oportunidade primeiro foram eles. Mas ainda há tempo de dizer que o Brasil também sabe fazer sozinho. Que o digam Luiz Seabra (Natura), Amador Aguiar (Bradesco), Rogério Farias (Troler), Edson Moura (baterias Moura). Ou o pessoal da Germana, Sapucaia, Armazem Vieira, Canarinha, Rochinha, Serra Preta, Dona Beja, Santo Grau, Tabaroa, Nêga Fulô, Volúpia, Casa Bucco, da Tulha, Maria Izabel, Magnífica, Claudionor, Vale Verde, Havana e até da… Weber Haus.

 

Em tempo: Weber Haus é o nome de uma marca de Cachaça produzida no sul do país. Mas tem nome quase tão complicado como Houaiss! E todas as outras não são escolhidas aleatoriamente: tratam-se de todas as marcas que, como a última, fizeram bonito e foram selecionadas no Ranking Playboy da Cachaça de 2009.

Foto: Ana Carmen, usuária Flickr, sob licensa Creative Commons.

Coleções

Uma seleção dos melhores artigos do Mapa da Cachaça em diferentes tópicos

Produção de cachaça

30 artigos

Envelhecimento de cachaça

15 artigos

História da cachaça

13 artigos

Como degustar cachaça

18 artigos

Coquetéis clássicos

14 artigos

Cachaça e Saúde

7 artigos

O melhor da cachaça no seu e-mail

Assine o Mapa da Cachaça

loading...