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Cultura

Chula da Cachaça - Mario de Andrade

Chula da Cachaça, hino do cachaceiro da Amazônia, coligido no Norte do Brasil e registrado por Mário de Andrade no Ensaio Sobre Música Brasileira de 1962

O meu consolo é viver nesta alegria
Cambaleando, vendo a lua em pleno dia
O meu consolo é viver sempre na água
Porém meu peito não conhece o que é mágoa

Os taberneiros já não podem vender mais
Depois das sete não posso tomar meu gás
Mas sou um cabra que não perco a minha linha
Trago no bolso sempre a minha garrafinha

Quando eu passo um só momento sem beber
Fico maluco, pensando até que vou morrer
Mas dos paus-d’águas sou o rei, sou coroado
E na tendinha sou freguês considerado

Quando eu morrer quero em minha sepultura
Uma das pipas, das maiores, sem mistura
O encanamento que me venha até a boca
Em pouco tempo deixarei a pipa oca

Ninguém repare, este é o meu natural
Ninguém repare, este é o meu moral
Ninguém repare eu andar cambaleando
Adeus, adeus, que já são horas, vou chegando

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