Cultura

Personagens no Sagrado Bar

O fim de ano no Bar do Capa, onde a cachaça é pano de fundo para as boas estórias narradas por Raphael Reys para o Crônicas e Contos do Mapa da Cachaça.

Kurukshetra

Matina de sol claro. Faço um flagrante fotográfico no Bar do Capa.

Confluência das ruas Clemente Martins, General Carneiro; forquilha

com a Risério Leite. Saída para o bairro Santa Rita I e II.

Ainda preocupados com os tantos terremotos curraleiros que

abalam continuadamente os nossos Montes Claros, terra do Pequi.

Acochados pelas tantas Síndromes do Coração Partido.

Deserdados da sorte, sem eira e nem beira. Membros da nossa

comunidade comemoram o fim de ano no lugar mais eclético do

mundo. O boteco.

Não os meça pela aparência simplista ou pela expressão cansada e

aspecto amarrotado das vestes. São sobreviventes das vicissitudes da vida.

Mestres de ofício, braçais. Capoeiristas, sambistas, instrumentistas

no couro do gato. Os de mais idade já criaram filhos e netos. Uns

tantos, 171 da vida e cobras criadas.

Pelos sulcos que deformam parcialmente os seus semblantes dá para

se medir as tragédias que superaram e as muitas a vir.

No sagrado do bar, buscam sorver o néctar do deus Baco. A cachaça

branquinha, sem o glamour do retro gosto das de primeira qualidade

e a cerveja desdobrada pela ganância das multinacionais.

Enchem o barril sem fundo das suas emoções, visando alcançar a

sustentabilidade de suas almas.

Todos são filhos do mesmo Deus. Entes mandados a esse mundo de

provas e expiações, em missão instrumental. Cada qual com o seu

cada qual, cada um na sua dor e felicidade.

Todos com as suas sentenças.

Como relatei, são almas enviadas ao mundo em missão. Buscam

atualizar as realidades divinas usando o carro de combate. O corpo

físico e a alma plástica.

Estão embriagados…

Mas, são guerreiros do Altíssimo em combate no Campo de Kurukshetra.

Somos todos os irmãos!

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