Cachaça Weber Haus, os alambiques do Rio Grande do Sul

  • Publicado 5 anos atrás

Depois de visitar o alambique da Cachaça Bento Albino em Maquiné e comer pela primeira vez um autêntico churrasco fogo de chão, agora é hora de continuar a viagem saindo do litoral rumo ao centro do estado, onde fica o alambique da Cachaça Weber Haus.

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A cachaçaria Weber Haus está localizada em Ivoti, uma cidadezinha mais ou menos a uma hora de Porto Alegre. Como o nome da cachaça sugere, essa cachaça gaúcha é produzida por descendentes de alemães, traduzindo para português seria: “a casa dos weber”. O anfitrião dessa viagem foi o Evandro Weber, filho de Hugo Weber e neto de José Weber Filho, e atual responsável pela produção da cachaça e gestão da empresa.

A história do alambique começou em 1948 quando Hugo e José produziam a cachaça Primavera. O nome foi dado porque esta era a estação do ano mais agradável para os recém chegados da Alemanha. A cachaça também era carinhosamente chamada na região de Cachaça 48 por causa da localização do alambique no endereço Picada 48 Alta (o número faz referência à quantidade de lotes recebidos pelos primeiros colonos de Ivoti). Em 2001, a Primavera passa a se chamar Cachaça Weber Haus.

primavera weber haus
Cachaça Primavera, primeira marca produzida na destilaria Weber Haus

A família Weber chegou em Ivoti, um dos berços da colonização alemã no Brasil, em 1826. A migração alemã na região era incentivada pelo Imperador Dom Pedro I como forma de preservar as fronteiras e também por motivos políticos, já que a Imperatriz Leopoldina tinha sangue germânico.

A influência da realeza brasileira em Ivoti já é percebida logo de cara: para chegar ao centro histórico da cidade precisamos cruzar a Ponte do Imperador, uma construção em estilo romana de 1857 feita em homenagem a D. Pedro II. Atualmente, a ponte é patrimônio histórico nacional, tombada pelo IPHAN.

Chegar em Ivoti é uma experiência muito interessante e um tanto inusitada. Saímos da movimentada BR-116, cruzamos a Ponte do Imperador e chegamos num centrinho que se não fossem as visíveis caixas de som tocando músicas volks e a SVU parada na rua, a sensação era de estar numa vila alemã do século XIX. Muito desse sentimento é devido a conservação da técnica de construção em enxaimel, muito popular na Alemanha, e utilizadas nas construções do centro histórico de Ivoti, no qual as paredes das casas são montadas com hastes de madeira (guajuvira e angico) encaixadas entre si e com os espaços preenchidos por pedras ou tijolos.

roupas antigas no museu de ivoti
Museu Claudio Oscar Becker
museu de ivoti
O pessoal de antigamente era muito baixinho ou nós que crescemos muito? Na foto Leandro Batista e Evandro Weber

Para manter esse espírito saudosista, nesse centrinho de casas enxaimel encontra-se o Museu Claudio Oscar Becker, onde os turistas podem conhecer as histórias e memórias dos primeiros moradores de Ivoti. O acervo do museu é composto por roupas, sapatos, utensílios domésticos e itens decorativos de uma casa do século XIX e início do século XX. Ao lado do museu fica a Casa do Artesão. Nela são comercializadas peças de artesanato em argila, pano e madeira feitas pela comunidade.

Se o centrinho de Ivoti representa costumes de gerações passadas, o alambique da cachaça Weber Haus é um exemplo de modernidade quando o assunto é a produção de cachaça. No final da década de 40, nas primeiras alambicadas,  a estrutura consistia em um galpão com um engenho movimentado por mulas, uma sala de fermentação composta por tonéis de madeira e um pequeno alambique de cobre.

Grandes dornas de inox interconectadas em sala ventilada na Weber Haus
Fermentação controlada por temperatura. Tradição de família encontra modernização na hora de produzir cachaça
Grandes panelas de cobre achatadas na parte inferior e com tubos interligados na parte superior. Ao fundo paredes de pedra em sala com janelas na Weber Haus
Alambiques de cobre da destilaria Weber Haus

Atualmente, no alambique da cachaça Weber Haus, a fermentação tem controle de temperatura digital, os alambiques destilam entre 120 – 180 mil litros de cachaça por ano e são cinco os tipos de madeira para envelhecimento: amburana, bálsamo, cabreúva, carvalho europeu e carvalho americano. A área de plantação de cana-de-açúcar fica logo ao lado do alambique, dessa forma proporcionando o corte e a moagem no mesmo dia, evitando a fermentação precoce e tornando possível um processo controlado com leveduras selecionadas do próprio canavial.

Com investimento em tecnologia e marketing, Evandro Weber produz bebidas de diversos estilos vendidos em todo Brasil e com uma grande aceitação de público. Um dos méritos da cachaça Weber é trazer para seu portfolio com dezenas de produtos, entre licores, cachaças, rum e até gin uma assinatura própria da marca, que é perceptível com o cuidado na seleção da embalagem e na própria característica sensorial das bebidas de baixa potência alcóolica e que sempre carregam um dulçor característico.

Visitar o alambique dos Weber, mais do que conhecer cachaças e licores, é aprender sobre as tradições e os costumes de uma colônia alemã no Brasil. Para finalizar a viagem, participamos de um jantar preparado por um chef alemão que comprovou que essa mistura Brasil e Alemanha dá certo na cachaça e também na cozinha. Em Ivoti, comi meu primeiro porco recheado e flambado na cachaça com chucrute e cuca de chocolate. Um prato que harmonizou perfeitamente com a Weber Haus Extra Premium, versão envelhecida em carvalho e bálsamo.

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