Os Alambiques Gaúchos - Cachaça Bento Albino

  • Publicado 14 anos atrás

Descubra a jornada de Felipe Jannuzzi pelos alambiques do Rio Grande do Sul, começando pela cachaça Bento Albino, em Maquiné. Conheça histórias, tradições e sabores únicos dessa região cachaçeira.

Com mais de um ano de projeto, percebo que falar de cachaça é um pretexto para falar do Brasil. Nesses meses viajando por alambiques, tenho aprendido mais sobre nossa gastronomia, história, geografia e, principalmente, sobre a diversidade cultural do nosso país. Na semana passada, visitei cinco alambiques no Rio Grande do Sul e quero compartilhar um pouco dessa experiência, começando pela cachaça Bento Albino, de Maquiné.

Minha conexão com essa viagem começou em 2010, quando conheci Fernando Andrade, executivo da APRODECANA, associação que representa os produtores de cachaça gaúchos. Na ocasião, ele me disse:

“Os mineiros têm a tradição em produzir cachaça, os paulistas têm o volume, nós, gaúchos, queremos ser reconhecidos pela qualidade.”

Fernando Andrade

De fato, o Rio Grande do Sul vem produzindo cachaças excelentes. Durante a visita, notei que mais do que uma produção exemplar, há um projeto de desenvolvimento estruturado, impulsionado pela união dos produtores locais.

Desembarquei em Porto Alegre com Leandro Batista, o Sommelier de Cachaça, Mauricio Maia, o Cachacier, e Illan Oliveira, da distribuidora Solution. No aeroporto, nossos anfitriões já nos aguardavam: Evandro, da cachaça Weber Haus; Ivandro, da Velho Alambique; Moacir, da Casa Bucco; e Bean, da Flor do Vale. Armando e Luzia, da cachaça Bento Albino, estavam em Maquiné, nosso próximo destino.

Cachaça Bento Albino – Maquiné – RS

Armando e Luzia produzem a cachaça Bento Albino no Alambique do Espraiado. Ele, médico radiologista; ela, professora de física aposentada nascida na região do Chuí, na fronteira com o Uruguai. Produzir cachaça foi uma forma de homenagear o pai de Armando, o tropeiro Bento Albino, conhecido por transportar as melhores cachaças da região.

A produção é marcada pelo manejo manual da cana-de-açúcar nos morros próximos, sem queimadas. Diferente de muitos alambiques gaúchos que usam leveduras selecionadas, na Bento Albino a fermentação ocorre com leveduras selvagens. A destilação é única, e apenas as partes nobres são utilizadas. Como médico, Armando faz questão de manter um rigoroso controle de qualidade para garantir uma cachaça pura e segura.

Márcia, mestre alambiqueira, supervisiona a produção há mais de dois anos. Ela nos acompanhou durante a viagem para trocar conhecimentos com outros produtores, algo novo no mundo da cachaça.

Além das degustações, vivi uma experiência memorável: experimentei um autêntico churrasco à moda uruguaia, preparado por Carlos Munhoz, mestre do fogo de chão. A carne harmonizou perfeitamente com a cachaça envelhecida no carvalho. Após o jantar, ele recitou seu poema “Rancho da Amizade”, celebrando a vida nos pampas.

Naquela noite quente no litoral gaúcho, entre boas conversas e histórias de aventuras nas feiras internacionais de cachaça, provei a deliciosa “Ambrosia da Luzia” e aprendi sua receita. Foi uma introdução inesquecível à cultura e ao sabor da cachaça gaúcha.

No dia seguinte, seguimos para o Alambique da Weber Haus, em Ivoti. Mas essa história eu conto no próximo post.

Em 2010, Felipe Jannuzzi fundou o Mapa da Cachaça, premiado projeto cultural com reconhecimento internacional e a principal referência sobre cachaça no mundo. Felipe é um dos sócios fundadores da Espíritos Brasileiros, empresa pioneira no mercado de produção de gin no Brasil, responsável pelo premiado Virga, primeiro gin artesanal brasileiro e o único no mundo que leva doses de cachaça na receita. Desde 2021, é um dos sócios da BR-ME, empresa especializada em produtos brasileiros, como vinhos, cafés, azeites, queijos e chocolates.

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