Dourado, límpida e brilhante.
Frutado e especiado, com a madeira do carvalho e da amburana ao fundo.
Corpo e picância bem integrados, de boa presença.
Doce, com especiarias e madeira; um conjunto agradável.
Suave, com a picância marcando o final.
Combina com carnes e queijos curados; para fechar, chocolate amargo.
Melhor blend envelhecido do Festival de Jandaia do Sul 2026
No acervo do Mapa da Cachaça, esta cachaça é a melhor da categoria Blend envelhecido avaliada em 2026.
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Encontrar cachaças envelhecidas em jequitibá-rosa sempre chama atenção — trata-se de uma madeira cada vez mais rara, normalmente utilizada em dornas de grande porte e já bastante exauridas. Nesta versão da 3R, a cachaça permanece por 12 meses em dornas de 700 litros, motivo pelo qual o produtor a classifica como Reserva Especial. Ainda assim, a influência da madeira se mostra sutil, com baixo impacto na coloração, resultando em um tom palha muito claro, quase incolor.
No nariz, a madeira se manifesta de forma delicada, com notas florais, castanhas e leve toque de especiarias, especialmente cravo. Em boca, a cachaça apresenta textura aveludada, com passagem agradável e persistência curta a média, revelando frutas passas, cana-de-açúcar e uma discreta mineralidade. Trata-se de um destilado que pode ganhar complexidade com maior tempo de madeira, especialmente no aprofundamento das notas florais e de castanhas. O retrogosto é simples e curto.
A Serra das Almas Prata é uma cachaça branca sem passagem por madeira, mas com tempo de descanso que faz toda a diferença: essa versão que avaliei ficou três anos armazenada em dornas de inox de dois mil litros.
Visualmente, é incolor, brilhante e translúcida, como uma boa branquinha deve ser. No nariz, surpreende pela complexidade: as notas iniciais remetem a frutas cristalizadas e cítricos frescos, como limão e laranja, acompanhadas por um toque elegante de amêndoas.
Na boca, revela um perfil diferente do que promete no aroma. A acidez cítrica dá lugar a uma paleta mais vegetal e terrosa, com ervas frescas, especiarias como tomilho e gengibre, além de nuances doces de baunilha e o retorno marcante das amêndoas, agora em forma de castanha torrada.
O corpo é médio, com sensação fresca e textura levemente amanteigada, papel aqui do longo repouso em inox, trazendo mais delicadeza ao paladar.
O final é equilibrado e elegante: começa levemente doce e herbáceo, mas termina com um agradável amendoado e uma picância sutil, que convida ao próximo gole. Uma cachaça que traduz o cuidado e a técnica da Serra das Almas, entregando frescor, complexidade e identidade.
A Serra das Almas Prata é minha cachaça favorita entre as produzidas por Marcos Vaccaro. Mais do que uma expressão sensorial refinada, ela carrega um valor histórico que merece ser lembrado: foi com ela que Vaccaro conquistou, há 25 anos, o primeiro selo de produto orgânico para uma cachaça no Brasil — num tempo em que palavras como sustentabilidade ou ESG ainda passavam longe das pautas do mercado.
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O melhor blend envelhecido do Festival de Jandaia do Sul 2026. A união de carvalho e amburana integra bem corpo e picância, num perfil frutado e especiado, doce na boca.