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Cachaça Lira - Várzea, Amarante - PI
Conheça o alambique, a história e os outros rótulos do produtor.
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A cachaça Lira apresenta um teor alcoólico de 40% e passa por um cuidadoso processo de amadurecimento que combina diferentes recipientes de castanheira. Inicialmente, a bebida é armazenada por seis meses em grandes dornas de 10 mil litros sem tosta, preservando sua pureza e frescor. Em seguida, é transferida para barris menores de 700 litros, com uma leve tosta, onde permanece por mais 20 meses, ganhando complexidade aromática e gustativa.
Visualmente, revela uma coloração palha, meio brilhante, com lágrimas moderadas que escorrem lentamente pela taça. No nariz, a cachaça traz uma envolvente combinação de doce de cana com especiarias como cravo, além de notas condimentadas que remetem a folha de louro, toques leves de castanhas, como noz-moscada, e um fundo de madeira molhada.
No paladar, mostra-se leve e fresca, com um destaque para o perfil mais verde da madeira, somado a sabores de caramelo, castanhas, cogumelos e uma lembrança de madeira antiga, com um leve toque de cravo. Seu final é curto, mas agradável, com uma sensação de mentolado resinoso que encerra a experiência com elegância.
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Tem coloração amarelo ouro, límpida e sem depósitos ou turbidez. No nariz apresenta ser uma cachaça frutada, com notas de banana, se associando ao lado vegetal do bálsamo, a madeira não domina completamente o conjunto, temos aqui uma cachaça com bom equilíbrio entre o lado frutado da cana e as notas típicas da madeira. Em boca tem picancia e confirma o lado frutado, com o fundo vegetal, aparecem notas de gengibre e cardamomo principalmente, e esse frutado que remete a banana madura e algo de abacaxi.
É uma cachaça interessante para coquetelaria, acredito que em um Macunaíma esse lado frutado e picante iriam casar bem ao drink, ao mesmo tempo que o fernet levantaria esse nota vegetal típica do bálsamo, mas que aqui nesse cachaça é mais delicado.
A Matriarca armazenada em Bálsamo foge do estilo de Salinas, o lado vegetal é mais tímido, enquanto o lado frutado aparece mais, tem esse perfil picante, com 42% bem inseridos. Para quem procura um Bálsamo mais fácil do que o de Salinas é uma ótima opção para começar conhecer essa madeira, seu perfil mais adocicado e frutado também vai agradar aos amantes de Rum.

A Famigerada Imburana passa 12 meses em um barril único de imburana que antes maturou uma Russian Imperial Stout — do meu conhecimento, é a primeira cachaça que passou por um barril ex-cerveja. Fermentada com levedura selvagem e destilada em alambique de cobre, é mais uma boa cachaça de Haroldo Narciso.
Ela entrega no visual um dourado alaranjado e lágrimas moderadas.
No aroma, aparecem cereja, mel, coco e baru, acompanhada por toques florais e aquela lembrança de bala de caramelo. Em boca, apresenta corpo moderado com uma picância alta, e bem-vinda. O paladar confirma o que o nariz sugere: caramelo, bala de canela (aquelas redondinhas da minha infância), cereja, notas de castanhas e um sutil caráter fermentado, da base branca.
O retrogosto é longo, complexo, marcado por uma percepção de tosta (contribuição da cerveja), pela especiaria da canela e por uma sensação picante persistente e agradável.
Gosto dessa imburana justamente por ser diferente: ela não traz a doçura floral excessiva que muitas vezes cansa na madeira; oferece uma experiência equilibrada, sem exageros. Também costumo levá-la para meus eventos pelo valor didático — o rótulo, com design direto e um contrarrótulo bastante descritivo, explica de forma clara as diferenças entre imburana, amburana e umburana. No sensorial, chama atenção pelo ineditismo da contribuição do barril que antes envelheceu uma RIS, acrescentando camadas pouco comuns a esse perfil de madeira. É uma verdadeira aula engarrafada, que dialoga com o que aprofundo em um artigo no Mapa da Cachaça.

Cachaça aromática com muito boa intensidade, ela tem características claras de maturação em carvalho francês, prezando pelas frutas secas e especiarias, a noz-moscada é o principal aroma que aparece no inicio, depois abre para notas de frutas secas, avelã, chocolate ao leite, com sensação amanteigada.
A coloração é âmbar, quando servi na taça percebi algumas partículas em suspensão, me parece resíduo de madeira, dentro da garrafa tinha uma quantidade também dessas pequenas partículas, muito finas e em pequena quantidade, a cachaça não estava turva, mas foi notado esses pequenos sedimentos. (safra 2017, lote 1, ano 2022)
Aromas intensos de noz moscada, cacau, chocolate ao leite, avelã, frutas secas, nuts, cedro, manteiga de cacau. Boa complexidade.
Em boca tem certa picância mas equilibrada, as frutas secas e a noz moscada aparecem novamente, o álcool esquenta mas está também em harmonia, a persistência em boca é media a longa.
É uma cachaça bem feita, para quem gosta de carvalho francês, foge muito das notas de baunilha e coco, que são comuns do carvalho americano, aqui o carvalho francês mostra sua elegância, tornando uma cachaça amadeirada mas sem ser enjoativa, as notas picantes de noz moscada nos convidam a mais um gole, uma bela cachaça para se provar após a refeição. Recomendo para os entusiastas de cognac.
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