Café e Cachaça são o assunto da semana: no 21 de maio comemora-se o dia da Cachaça Mineira, e no 24, o dia Nacional do Café. Duas bebidas em destaque na produção gourmet do país, e que têm em comum uma região: Minas Gerais. O estado é lar da maior produção artesanal de Cachaça, e também líder nos rankings que avaliam a bebida. Como se não bastasse, também é lá que está a primeira região a ter Indicação Geográfica no café: a região do Cerrado Mineiro.
Localizado no noroeste do estado, o Cerrado vem se profissionalizando na produção da bebida gourmet, e é hoje reconhecido como produtor de excelência (saiba mais sobre a região neste post do especialista Ensei Neto). A Indicação Geográfica é uma espécie de patente que só pode ser utilizada por um produtor daquela região, se ele seguir aqueles determinados padrões (saiba mais neste post aqui). Minas Gerais ainda não tem esse selo para a Cachaça, mas a branquinha é tão ou mais famosa que o café da região.
Uma curiosidade é que nem a Cachaça nem o café mineiros foram sempre os mais famosos. Como conto em meu livro (“De Marvada a Bendita”, Ed Matrix, R$24,00), Minas Gerais já foi lar para alambiques de baixa qualidade. Na época da corrida do ouro, os alambiques de lá não eram famosos pelo cuidado na produção. Um século dali, o café tinha destaque em São Paulo durante a república do café-com-leite. Hoje, no entanto, a situação é completamente diferente: o estado é até responsável pelo destaque destes produtos no país e no exterior.
Para comemorar ambas as datas, o Mapa da Cachaça sugere um drink que casa muito bem estas duas bebidas.
Utilizamos uma Cachaça mineira premiada e tradicional, envelhecida em carvalho e bálsamo (40º. G.L). E, para honrar o café do estado e a Cachaça, escolhemos uma marca chamada Madame D’Orvilliers, do Cerrado, em grãos. Conhecido por uma baixa acidez aliada a um corpo intenso, o café do cerrado têm notas de caramelo e nozes, e vai muito bem com as notas do carvalho e a suavidade de Cachaça escolhida. Aí vai a receita:
Ingredientes
Instruções de Preparo
Começou a valer a partir de primeiro de maio uma lei nacional que proíbe a venda de maços de cigarro por menos de R$3,00 em todo o país. A iniciativa é capitaneada por associações como a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e conta também com apoio da companhia tabagista Souza Cruz. Ela tem como objetivo coibir o comércio ilegal do produto, que chega a oferecer um maço a quase 50% menos que o produto regularizado.
Para parte dos consumidores, no entanto, a iniciativa é mais uma medida a favor da redução do hábito de fumar. Só para constar, como já falei em outro post em 2011 e também é mostrado na reportagem, um maço de cigarro nos EUA ou na Europa chega a custar quase 4 vezes mais que o valor mínimo estipulado no Brasil (R$11,20 nos EUA e R$12,73 na Europa).
Achei válido retomar o assunto já discutido uma vez aqui, quando apontei o absurdo de uma garrafa de aguardente industrializada custar mais barata que água mineral ou leite (veja o post). Se, a priori, para o consumidor desinformado, o ataque no bolso parece negativo, para a valorização da Cachaça a ideia deve ser analisada com mais cuidado. A indexação de um preço mínimo para produtos como estes, ao meu ver, pode beneficiar muita gente. É claro que os maiores beneficiados são a indústria, que não perde mercado do produto clandestino, e, claro, o governo, que arrecada mais impostos com a venda legalizada. No entanto, a indexação de preços mínimos, no caso da Cachaça, poderia dar também maior chance ao produtor da bebida bem feita.
Hoje, meio litro de aguardente industrial pode custar cerca de R$3,50 no supermercado. Em alguns alambiques clandestinos no interior do país, 5 litros de uma cachaça dita “artesanal” feita sem esmero e sem regulamentação, é vendida em garrafão por R$10,00. Comparado a elas, a garrafa de 750ml de uma boa cachaça envelhecida vendida a meros R$20,00 passa a ser considerada caríssima. Fazendo com que produtos de qualidade inferior alcancem preços mais próximos aos que praticam os bons produtores, a Cachaça de qualidade passaria a competir num mercado mais justo. Isto sem contar o fato de que, ao investir nesta fiscalização, aumentaria automaticamente a propaganda sobre a necessidade da legalidade na Cachaça – o que ajudaria a educar também o consumidor a escolher boas cachaças. E, claro, a ação poderia talvez contribuir no combate ao alcoolismo (leia mais no post que já citei aqui).
Para finalizar nosso balanço da quinzena, mais uma inspiração: a região de Champagne, que produz o famoso fermentado francês, está apostando no Brasil para divulgação da bebida exclusiva da região. A propaganda do Champagne pelo mundo começou já há muito tempo. Em 1954 foi aberto o primeiro “Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne” (CIVC) nos Estados Unidos. Agora a França pretende educar os brasileiros sobre as peculiaridades da bebida. Com o lema “todo champanhe é espumante, mas nem todo espumante é champanhe”, o escritório aposta no crescimento do mercado aqui, que dobrou em volume entre 2002 e 2010 (dados do CIVC).
Este é mais um exemplo de como o mercado de alcóolicos vai bem no Brasil, e as bebidas e regiões têm se organizado bem para poder divulgar suas qualidades. Aqui no Brasil, pisamos um pouco na bola com uma tentativa de “protecionismo” ao vinho nacional (veja post da semana passada), mas ainda não temos escritório tão envolvido na divulgação do bem cotado espumante brasileiro. Tampouco da Cachaça.
foto champagne: anders adermark, usuário Flickr, sob licença creative commons.
Depois de uma noite bem dormida em Ivoti, num hotel que mais parecia um castelo europeu, continuamos a viagem explorando os alambiques do Rio Grande do Sul. Se no dia anterior, ao visitar a cachaça Weber Haus, conhecemos uma colônia alemã, agora nosso rumo era até a cidade de Santa Tereza, uma pequena colonia de italianos, onde fica o alambique do Ivandro Remus, produtor das cachaças Velho Alambique e A Locomotiva.
Santa Tereza é uma cidadezinha de 1.700 habitantes às margens do Rio Taquari, apenas 70 metros acima do nível do mar. Pelas terras baixas, alguns pontos da cidade alagam na época da cheia do rio, que apesar dos inconvenientes trazidos pela água, favorece um solo bom para a uva e para cana-de-açúcar. As serras envolta da cidade também ajudam a reter o calor na região. Nunca imaginei que seria tão quente no sul do Brasil – mesmo no verão.

A colonização em Santa Tereza iniciou-se em 1875, com a vinda de imigrantes poloneses e italianos que se instalaram nesse pequeno município da Serra Gaúcha. Chegando na cidade, já fui recepcionado pelo seu belo cartão postal: a Torre da Igreja Matriz construída há 100 anos em homenagem aos primeiros colonos italianos. A construção é uma réplica de uma torre na Itália, na Igreja de San Biaggio de Calalta – cidade irmã de Santa Tereza


Nosso anfitrião foi Ivandro Remus, produtor das cachaças e conhecedor da cultura e costumes da região. Ivandro é um cara que tem orgulho da sua cidade e do que ela representa. Logo que chegamos em Santa Tereza, ele fez questão de nos levar na rua principal, onde vimos os casarões centenários que foram reconhecidos como patrimônio histórico pelo Iphan. Uma dessas casas de madeira foi a primeira fábrica de gaita do país, a Todeschini, criada em 1915.

O alambique das cachaças Velho Alambique e A Locomotiva fica há 1 km do centro da cidade e há 17 km do Vale do Vinhedo. Para turistas que gostam de vinho, passar pelos alambiques de cachaça dessa região também é um passeio muito rico, considerando a bela paisagem, o artesanato e a qualidade da gastronomia e cachaças. Não é difícil, inclusive, encontrar uma boa pousada para passar um final de semana tomando cachaça, vinho e comendo o melhor da comida gaúcha, alemã ou italiana.
Ivandro fundou a Agroindustria Remus e Bettinelli em julho de 2010, quando procurou o Sr. Paulo Bettinelli para formalizar uma sociedade. Hoje, o alambique é tocado pelas duas famílias: Ivandro e sua esposa Viviane, o Paulo e sua esposa Maria e seu filho Michel Batista Bettineli, também sócio da empresa. A produção das cachaças de Santa Tereza é toda feita pelas famílias, prática muito comum no país, e que torna a produção do destilado brasileiro ainda mais especial. Mesmo grandes marcas de cachaça industrializada, como a Ypioca, são reconhecidas pela produção familiar passada por gerações. Quando chegamos no alambique a recepção foi a mais calorosa e amigável possível. Vindo de família de descendentes italianos, me senti como num almoço de domingo na casa da Nona, comendo macarrão caseiro e galeto (que mais tarde descobri ser pombas domésticas! – uma delícia típica da Santa Tereza).



Apesar do alambique do Ivandro ter menos de 20 anos, a história da cachaça na região é antiga, com mais de 100 anos de tradição. A cachaça Velho Alambique foi a primeira cachaça produzida pela empresa e apresenta duas versões: um blend das madeiras carvalho, grápia e angico e uma versão branca, sem passar por madeira. A Locomotiva é a cachaça mais nova e apresenta as mesmas versões blend e branca – o seu nome faz referência à locomotiva que corta Santa Tereza e passa ao lado do alambique, deixando a visita ainda mais charmosa.



No ano passado (2011), algumas associações de produtores de vinhos, capitaneados pela Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), entraram com pedido de salvaguarda para o mercado de vinho nacional no país. Isso, segundo eles, para proteger a venda do produto nacional, que vinha decaindo bruscamente desde o início dos anos 2000, perdendo fortemente para os importados.
A proposta analisada pelo governo poderia resultar numa diminuição da oferta de bons vinhos no país, já que estabeleceria cotas para importação. Enfurecida, quase toda a comunidade enófila se exaltou contra as medidas; dezenas de blogueiros se manifestaram; consumidores se colocaram ativamente contra e alguns chefs renomados, em protesto, chegaram até a tirar vinhos nacionais de suas estantes. Podem ter completa razão, mas eu não estou aqui exatamente para entrar neste debate. Quero apenas apontar alguns pontos que interessam a nós, que trabalhamos pela Cachaça.
Siga-se o raciocínio. Você já pode ter vivenciado isto na prática: tirando alguns brancos e, principalmente, os espumantes, o vinho brasileiro (tinto) de qualidade é caro. Chega a ser mais caro que um similar importado. Será que a saída é, então, limitar a entrada do concorrente ou tentar diminuir os preços? Como pergunta o blogueiro e enófilo Mauricio Tagliari, não seria mais lógico reduzir os impostos? Claro que sim.
Agora vamos a nossa bebida: questão semelhante acontece entre a Cachaça Premium e a vodka de qualidade razoável – infelizmente ainda preferida por muitos brasileiros no que eles chamam de “caipirinha”. O drink com Cachaça de qualidade pode ser, em muitos bares, mais cara do que sua versão deturpada (com vodka). E por quê? Porque os custos de produção e principalmente os impostos ainda são muito altos para o pequeno produtor de Cachaça. Tudo isso acaba favorecendo a então “concorrente”. Diminuindo os impostos que incidem sob a branquinha, ela ficaria ainda mais competitiva em relação à vodka; assim como o vinho nacional se tornaria mais atrativo que o importado, e não necessitaria de reserva de mercado para garantir a sobrevivência de sua produção de qualidade.
Tagliari ainda dá mais uma ideia muito bacana, e que também se aplicaria, talvez, à Cachaça: a da prática do imposto ad rem, ou seja, um custo fixo por garrafa de vinho/Cachaça. Assim, aquele litrão de aguardente vendido no supermercado a menos de R$5,00 teria que embutir em seu preço uma taxa fixa (de, por exemplo, mais R$5,00), que seria menos perceptível numa Cachaça de qualidade de R$30 ou R$40. Ajuda o pequeno produtor, e protege o mercado da inundação de bebidas muito baratas, e de baixa qualidade.
Mas, é claro, ainda há que se pensar sobre isto – e muito. O que fica de lição é que “forçar” os consumidores a uma escolha (seja de vinho ou quiçá de Cachaça) não é o caminho mais estratégico. Estejam os produtores com razão ou não, o que é fato é que eles provocaram a ira de muita gente e acabaram por atingir o oposto de seu objetivo: o repúdio ao vinho nacional (leia aqui: Fasano e Dom tiram vinhos nacionais das estantes). Deste modo, a campanha recém lançada pelo Ibravin (“Diga Sim aos Vinhos do Brasil”) pode acabar até descredibilizando um produto que tem, sim, imenso valor. Acredito que medidas estratégicas a longo prazo, para resguardar a produção de qualidade de bebidas nacionais (vinhos, espumantes ou mesmo a Cachaça) estão mais do que na hora de serem tomadas. Mas, é claro, com bastante cautela.
FONTES CONSULTADAS:
BLOG DO TAGLIARI: http://terramagazine.terra.com.br/blogdotagliari/blog/2012/04/21/protecionismo-ao-vinho-brasileiro-solucao-ou-erro-crasso/
http://www.mistral.com.br/vinho/salvaguardas/
O Circuito de Outono – Café, Cachaça e Chorinho é uma viagem aos cenários históricos- culturais das fazendas e vilas do séculos XIX para descobrir a arquitetura, costumes, gastronomia folclore, música e artesanto do Vale do Café.
A programação foi estruturada para permitir ao visitante conhecer os três eixos principais do turismo da região: o café, a cachaça e o chorinho, de forma múltipla. São opções variadas, que respeitam as características de cada um dos municípios e distritos. A diversidade é uma marca da região, acompanhada por uma forte tradição desde os tempos coloniais, o que lhe dá uma identidade única no país.
9º Circuito de Outono – Café, Cachaça e Chorinho 2012
Data: de 13 a 23 de abril
Local: Vale do Café (Barra do Piraí, Ípiabas, Conservatória, Miguel Pereira, Mendes, Piraí, Vassouras).
Site: www.cafecachacaechorinho.com
Começamos esta semana com uma grande notícia: o acordo entre Dilma e Obama para que os EUA reconheçam a Cachaça como produto tipicamente brasileiro, e diferente do Rum, ou Brazilian Rum, como chamavam por lá. Este é uma excelente conquista, e talvez um grande impulso também, visto que algumas marcas de Cachaça podem se animar em preparar um produto bem feitinho para exportação para os EUA e, com isto, alavancar o mercado interno. Infelizmente, não vou poder continuar a coluna apenas com este assunto tão importante para o mundo da Cachaça. Desculpem minha falta de empolgação completa, mas ainda falta muito a ser feito pela nossa bebida.
As [outras] notícias da semana explicam minha postura. “Brasileiro está tomando mais uísque”, diz o Estadão. E, para completar: “Mas tem de ser escocês”. Segundo a reportagem de segunda-feira (09 de abril), a nova classe média tem visto o whisky importado um “luxo acessível”, e tem impulsionado as vendas do setor, que no ano passado alcançaram o equivalente a mais de r$250 milhões de reais. Recorde histórico para o whisky. : |
Como se não bastasse, a segunda notícia da semana, dada pelo Estado de Minas do dia 7 de abril, “comemora”: Produtor de Cachaça lança vodka. Foram investidos mais de R$1 milhão de reais em uma bebida cujo foco é competir com as marcas importadas, e atingir o jovem. O grupo responsável é a tradicional Ypióca.
Poizé. A festa está feita. As marcas de whisky cada vez investem mais no Brasil. E a gente, nas bebidas que julgamos mais gourmet e elegantes. Nesta semana estive em uma livraria, na seção de gastronomia e bebidas, e pude notar o aumento das publicações envolvendo o Chá – uma bebida pela qual o interesse tem aumentado notadamente. Reportagens, lojinhas novas, “drinks” (não alcoólicos) e marcas “bonitinhas” têm surgido cada vez mais no cenário. Desde que eu lancei meu livro (De Marvada a Bendita), o assunto “chá” já se propagou bastante. Tudo bem, o chá não é alcoólico e não “compete” com a Cachaça ou qualquer outra bebida. Mas é só um exemplo de como a dupla mídia + investimento consegue colocar um assunto em pauta de forma rápida e eficiente. No meio dele, também houve a febre do Aperol, e até um barulhinho sobre o Vinho Verde. E eu me pergunto: e a Cachaça? Porque, num mesmo período de tempo, ainda não vemos nada tão expressivo sobre a Cachaça?
Qualquer desavisado que leia este post poderia pensar: está na cara então que a Cachaça não tem nada de muito mais interessante para oferecer. Eu pergunto: será mesmo?
O Festival da Cachaça será realizado na Praça Brasil em frente ao Parque das Águas de São Lourenço no mês de abril. O evento será uma oportunidades de bons negócios, shows todas as noites e muito mais.
Dúvidas e reservas para as palestras, por telefone (35) 9859.5056 / 9213.3301 / 8846.9594
Dia 20/04
14h as 23h – Horário de visitação ao festival
19h – Abertura oficial do festival
20h – Show Nisley e Guilherme
Dia 21/04
16h as 23h – Horário de visitação ao festival
10h – Palestra Eduardo Verardo – Marketing
11h – Palestra Dr. Valdir Pascoal – Produção e Qualidade
20h – Show Auyra & Gustavo
Dia 22/04
10h as 19h – Horário de visitação ao festival
09h – Palestra Manoel Agostinho (cachacier_ – Degustação de Cachaça
17h – Roda de Vida
19h – Show Nisley e Guilherme
O biscoito de polvilho ou simplesmente biscoito (tudo o mais pra nós, mineiros, é bolacha!) é uma das minhas “quitandas” favoritas. Branquinho, super leve e crocantíssimo, é uma instituição da cozinha mineira, e muito conhecido em várias outras regiões do Brasil também. Quando meus pais compravam pra gente, o que não era muito comum, era uma festa! Chegava aquele pacotão de papel pardo da padaria, transbordando de biscoitinhos ainda quentinhos, recém-saídos do forno.
Até de biscoito murcho eu gostava! Já a Pompom, gata angorá que era o xodó da minha avó, só comia biscoito do dia – luxo que ela fazia questão de alimentar, pra desgosto e profundo ciúme de todos os netos (que, sem remédio, acabavam indo pr’um canto mordiscar os biscoitos de dias anteriores, morrendo de inveja!).
Além do biscoito branquinho e levíssimo, as padarias de Guaranésia vendiam outros tipos, como o biscoitão argolão, que era – como o próprio nome diz – um argolão do tamanho do rosto de uma pessoa, ou de uma criança (é assim que me lembro dele), “duro de roer”, mas cheio de sabor. Havia a versão doce e a salgada, minha predileta.
Mas o melhor biscoito, mesmo, era o biscoitão que essa minha mesma avozinha, Nica, fazia, muitas vezes assando-o no fogão de lenha. Apesar do “ão”, ele não era tão grande quanto o argolão, mas tão rústico quanto, tanto em sabor quanto em textura – um pouco por causa da farinha de milho. Esse, sim, dava gosto mordiscar, por muito e muito tempo, para que não acabasse nunca! Quando a gente ganhava um desses, até esquecia os privilégios da Pompom…
Ingredientes

Instruções de Preparo





Dicas
O polvilho também pode ser escaldado na batedeira. Despeje o óleo com água e sal quentes sobre o polvilho com a batedeira ligada na velocidade mais baixa. Bata até que a massa esteja bem esfarelada e o líquido tenha sido absorvido homogeneamente.
Outro dia ouvi no rádio uma campanha apresentando as qualidades do vinho verde, um produto português feito a partir de variedades especiais de uva cultivadas no noroeste de Portugal. Chego em casa e fico sabendo que o Senac oferecerá cursos gratuitos a respeito dos mesmos vinhos ainda neste mês. Achei muita coincidência ouvir tanto sobre um produto tão específico. Resolvi pesquisar um pouco mais e descobri que desde o ano passado estão sendo investidos 4,5 milhões de euros na divulgação da bebida no Brasil e nos Estados Unidos.

O que me chamou atenção durante esta breve pesquisa foi o fato de achar várias ações promovidas pela CVRVV no intuito de se valorizar seu produto. O esforço têm suas justificativas e frutos: no primeiro semestre do ano passado foi registrado um aumento de 33% em volume nas exportações do vinho apenas para o Brasil, o que resulta em 1,2 milhões de euros (valor bem razoável para um produto bastante específico).
Apostando nas qualidades únicas do vinho, as campanhas, além de divulgarem o produto em si, também tentam agregar a ele as qualidades de “frescor, juventude e leveza”.

Seria muito fácil culpar o Brasil de ainda não ter se organizado de tal forma, mas se compararmos o volume de produção anual da caninha (1,5bi litros/ano) versus os 80mi de litros anuais do vinho, e também a vastidão de nosso território com a micro região na qual é feito vinho verde, percebemos que a coisa complica bastante. Mas as esperanças ainda são muitas: se a Cachaça tivesse sua “comissão de valorização”, com apoio de produtores de qualidade principalmente, teríamos talvez, outros resultados em nossa bebida. Aqui no Brasil já temos associações até certo ponto expressivas em suas regiões; mas falta [retomar] um programa nacional de valorização da caninha, unindo quem sabe todos estes pequenos esforços. Deixo o link do site para quem quiser explorar um pouquinho também: www.vinhoverde.pt
Fontes:
Primeiro veio a indicação do meu amigo Christiano Augusto, sempre ligado nas novidades etílicas da capital mineira. Depois, ao conferir a lista de participantes do Cachaça Gourmet 2012, deparo-me novamente com Mané e Maria Restaurante e Cachaçaria. Achei que estava na hora de conhecer.

Em meio as minhas férias, em um lindo sábado belorizontino, enquanto a tarde nos deixava livres para encontrar a noite, nos dirigimos: Karen, minha esposa, e eu, até o Santo Antonio; bairro de classe média alta; situado entre a Savassi, São Pedro, Cidade Jardim, Luxemburgo e Lourdes; região centro-sul de BH; mais precisamente à rua Barão de Macaúbas, esquina com rua Colônia Celso Werneck.
Chegando lá nos deparamos com um ambiente amplo, aconchegante e todo tematizado com a cultura da culinária mineira. Sacos de cereais expostos em prateleiras, garrafas de cachaças decorativas, pimentas coloridas, especiarias e condimentos, toras de lenha, placas talhadas em madeira aludiam ao típico armazém do interior de Minas. Ali há um ambiente externo em forma de grande varanda com capacidade para 80 pessoas e um outro ambiente interno para mais ou menos 50 pessoas. Neles há mesas de madeira com quatro cadeiras cada.


Toda essa maravilhosa decoração nos lembrava outro bar que já havíamos conhecido na região do Prado, era o Minerim do Prado. Achamos até que pertencesse ao mesmo dono. Quando indagamos isso ao garçom, fomos informados de que a casa era de propriedade do Chef Vinícius Salomão e Luiz Carlos Bittencourt, e que Salomão já havia montado mais de 40 bares em Belo Horizonte (alguns como proprietário, outros apenas como consultor) uma vez que ele já comandou uma rede de bares de nome “Mala e Cuia”, que existiu em BH há alguns anos. Portanto, aquele clima do interior mineiro era um estilo de criação usado pelo chef.
Mais tarde, tivemos o prazer de conhecer a dupla de empreendedores que, desde agosto de 2011, estão com o restaurante aberto para um público variado entre políticos, jornalistas e intelectuais que frequentam a casa e as festas que lá acontecem.
Com um cardápio que reúne tira-gostos, caldos, grelhados, guarnições e bebidas em geral, a casa ainda oferece um buffet de auto-serviço todos os dias durante o almoço. Nossa entrada foi uma porção de linguiça defumada com mandioca (R$ 23,90). Para acompanhar pedi uma cachaça Garrancho, 40% GL da cidade de Ouro Preto, MG, armazenada no carvalho (R$ 4,90) e Karen, uma caipifruta de morango com pinga, é claro (R$ 9,90)! Ficamos bastante surpresos com o atendimento e com a qualidade dos produtos e serviços, Mané e Maria realmente diferenciam-se em um mercado altamente competitivo por inovarem com experiência e desprendimento.

Seguimos nossa noite experimentando um torresmo carnudo com mandioca (R$ 23,90) e concluímos com o prato que participava do festival cachaça gourmet 2012: maçã de peito ao molho de fumaça de alambique (23,90), simplesmente divino! Uma carne preparada com vinho tinto, shoyo, molho inglês e cachaça. Na apresentação do prato, champignon e pimenta biquinho, tudo de bom!

No último sábado aconteceu, na Serraria Souza Pinto da capital mineira, a final da quarta edição do Festival Cachaça Gourmet. O evento, que teve a participação de 22 restaurantes, realizou uma grande festa com duração de mais de 12 horas e apresentações artísticas, degustação de cachaças mineiras e oferta dos pratos participantes de cada um dos restaurantes. Durante a entrega de prêmios, Miriam Cerutti, organizadora do evento, anunciou como melhor prato na opinião do público justamente a maçã de peito ao molho de fumaça de alambique.
Aproveito aqui a oportunidade para parabenizar Vinicius Salomão, Luiz Bitencourt e todos os funcionários do Mané e Maria por essa brilhante conquista. Aproveito também para convidar você a conhecer esse que tem tudo para se transformar em um dos melhores lugares para se beber cachaça em BH.
Informações básicas
Capacidade:130 pessoas
Área para fumantes : Sim
Comanda individual : Sim
Formas de pagamento: Dinheiro/Cartões de débito/Cartões de crédito (VISA e MASTER)
Ar condicionado : Não
Música : Sertanejo (ao vivo)
Estacionamento : Não, mas o local é em área residencial e relativamente fácil de estacionar na rua.
Endereço : Rua Barão de Macaúbas, 111 – Santo Antonio – Belo Horizonte – MG
Telefones : 55 31 2512-0927 /55 31 9822-8030 /55 31 9234-2690 / 55 31 2511-4476
Horário de Funcionamento : Segunda a sexta , de 11h30 às 14h30 (almoço) e 18h à 0h (happy hour) / Sábado, de 18h às 0h. / Domingo, de 11h30 às 16h (almoço)