A Nobre Umburana 03/2024 é uma cachaça Envelhecida em madeira brasileira ou exótica (42%, 500ml) produzida pela cachaçaria Nobre. Na degustação às cegas do Mapa da Cachaça, recebeu 91 de 100 pontos — 4 estrelas — com notas de Alcaçuz, Baunilha, Canela, Caramelo, Cereja, Cravo.


A Nobre Umburana 03/2024 é uma cachaça Envelhecida em madeira brasileira ou exótica (42%, 500ml) produzida pela cachaçaria Nobre. Na degustação às cegas do Mapa da Cachaça, recebeu 91 de 100 pontos — 4 estrelas — com notas de Alcaçuz, Baunilha, Canela, Caramelo, Cereja, Cravo.
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Ver a cachaça no catálogo →A Nobre Sunset é uma edição limitada de Murilo Coelho e figura entre as melhores cachaças extra-premium em carvalho do Guia Mapa da Cachaça. Seu envelhecimento se estende por cinco anos, em um percurso bem definido: três anos em carvalho europeu de 200 litros, com tosta média, seguidos por mais dois anos em barris de carvalho americano, também de 200 litros e tosta média. Um desenho de maturação que privilegia complexidade, equilíbrio e leitura clara das madeiras.
No visual, apresenta coloração âmbar com reflexos avermelhados, que ajudam a justificar o nome Sunset — uma referência direta aos tons quentes do pôr do sol. Sempre gostei da coerência na construção de marca nas cachaças da Engenho Nobre, sempre trazendo relação entre marca e sensorial.
No aroma, o carvalho americano assume protagonismo logo de início, com notas de baunilha, chocolate ao leite e calda de caramelo. Em uma segunda camada, mais sutil, surgem banana-passa, mel e coco queimado, ampliando a sensação de doçura e profundidade aromática.
Em boca, é encorpada, com presença evidente dos taninos bem trabalhados. As notas de calda de caramelo, baunilha e chocolate levemente amargo se confirmam, seguidas por especiarias que trazem frescor e evitam qualquer sensação de dulçor excessivo. O retrogosto é longo e complexo, deixando uma sensação limpa, fresca e extremamente agradável por bons segundos após a avaliação — uma cachaça de maturidade técnica e grande elegância.
Este blend único é composto por cachaças que passaram por diferentes processos de envelhecimento: 60% da cachaça foi envelhecida por um ano em tonel de amburana, conferindo notas doces e de especiarias; 15% foi armazenada por um ano em jequitibá-rosa, agregando suavidade e frescor; os 25% restantes consistem em cachaças envelhecidas por três anos em carvalho europeu e dois anos em carvalho americano, trazendo complexidade e elegância ao paladar.
Visualmente, a Engenho Nobre Cactos impressiona com sua cor dourado-escura e brilhante, formando lágrimas moderadas na taça que prometem uma experiência envolvente. O aroma convida à descoberta: complexidade frutada com toques de abacaxi, pêra e banana verde, que se misturam harmoniosamente a notas adocicadas de baunilha e caramelo. Há também especiarias como cumaru e canela, contribuições da amburana, complementadas por um leve toque tostado reminiscentes de toffee e defumado dos carvalhos.
Na boca, essa cachaça apresenta um corpo de médio para encorpado, proporcionando uma sensação de boca cheia e fresca. O paladar revela complexidade que, embora não tão definida quanto no aroma, encanta com nuances vegetais, além de hortelã, baunilha e frutas maduras. O final oferece uma deliciosa transição que começa doce e culmina em uma refrescância mentolada, frutada (cereja) e especiada (balinha de canela) .
As inovações introduzidas por Murilo no processo de produção são claramente perceptíveis na experiência sensorial da Engenho Nobre Cactos. A inesperada presença da amburana, embora ocupe um papel significativo no blend, não se torna predominante durante a degustação, o que é um alívio para aqueles que evitam o protagonismo excessivo dessa madeira. Na composição de Murilo, carvalhos e amburana dividem o destaque em uma harmonia de dois atos, equilibrando perfeitamente o dulçor com as especiarias.
A Engenho Nobre Cactos, com toda sua criatividade e consistência, é uma obra-prima de Murilo Coelho, um dos mestres de adega mais inventivos do Brasil. Essa cachaça merece ser apreciada pura, em sua plenitude, preferencialmente acompanhada por um charuto leve para uma experiência completa que evoca a essência da flor do sertão.
A Nobre Sensações Freijó é um blend que combina cachaças armazenadas em jequitibá-rosa, freijó e cachaça que passou por aço inox. A fração em freijó permanece por quatro meses em grandes dornas de 10 mil litros.
Confesso que fico especialmente animado ao provar cachaças em freijó produzidas na Paraíba — região que se destaca pelo domínio do armazenamento em grandes volumes dessa madeira brasileira. Há ali uma leitura muito própria do freijó, madeira que representa muito bem a região do Brejo Paraibano.
No visual, a presença da madeira é discreta: quase incolor, com um leve tom esverdeado, enquadrando a cachaça na categoria de branca com madeira. No nariz, surgem notas de grama fresca, um curioso traço que remete levemente ao mezcal, um defumado peculiar, além de água de azeitona, tutti-frutti, amêndoas e feno, compondo um conjunto aromático vegetal e doce.
Em boca, apresenta corpo de curto a médio, textura macia e fácil, bastante agradável. O perfil adocicado e vegetal aparece com intensidade, representando bem o freijó por meio de notas de castanhas e amêndoas, enquanto o jequitibá-rosa contribui com uma percepção mais floral. O retrogosto é de curto a médio, com presença medicinal sutil, encerrando a prova de forma limpa e coerente com a proposta.
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A Famigerada Imburana passa 12 meses em um barril único de imburana que antes maturou uma Russian Imperial Stout — do meu conhecimento, é a primeira cachaça que passou por um barril ex-cerveja. Fermentada com levedura selvagem e destilada em alambique de cobre, é mais uma boa cachaça de Haroldo Narciso.
Ela entrega no visual um dourado alaranjado e lágrimas moderadas.
No aroma, aparecem cereja, mel, coco e baru, acompanhada por toques florais e aquela lembrança de bala de caramelo. Em boca, apresenta corpo moderado com uma picância alta, e bem-vinda. O paladar confirma o que o nariz sugere: caramelo, bala de canela (aquelas redondinhas da minha infância), cereja, notas de castanhas e um sutil caráter fermentado, da base branca.
O retrogosto é longo, complexo, marcado por uma percepção de tosta (contribuição da cerveja), pela especiaria da canela e por uma sensação picante persistente e agradável.
Gosto dessa imburana justamente por ser diferente: ela não traz a doçura floral excessiva que muitas vezes cansa na madeira; oferece uma experiência equilibrada, sem exageros. Também costumo levá-la para meus eventos pelo valor didático — o rótulo, com design direto e um contrarrótulo bastante descritivo, explica de forma clara as diferenças entre imburana, amburana e umburana. No sensorial, chama atenção pelo ineditismo da contribuição do barril que antes envelheceu uma RIS, acrescentando camadas pouco comuns a esse perfil de madeira. É uma verdadeira aula engarrafada, que dialoga com o que aprofundo em um artigo no Mapa da Cachaça.

Um envelhecimento em jequitibá de perfil leve e direto: a madeira transferiu pouca cor e estrutura, preservando a base de cana. Mais à vontade em drinks longos e refrescantes do que pura.

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