
Para chamarmos um destilado de cachaça ele deve ser: brasileiro, originado da cana-de-açúcar, ter graduação alcoólica entre 38° e 48° e não ter adição de ervas ou especiarias. Mas, no popular, de maneira equivocada, acabamos chamando de cachaça bebidas que não se enquadram na classificação oficial do destilado brasileiro. Para entender mais fizemos um artigo explicado sobre as cachaças que não são cachaças.
É o caso da Cataia. O correto seria chamarmos de cachaça com cataia ou aguardente de cana com cataia. Mas gostamos bastante do nome popular: a Cachaça Caiçara (também chamada de uísque caiçara).

A bebida conhecida como Cataia é uma mistura de cachaça com folhas da cataia, uma planta com atributos medicinais, usada para tratar azia e má digestão, cicatrizar feridas e ajudar quem tem problemas sexuais. Remédio bom esse!
Mas essas aplicações ainda estão em estudo, o que se sabe é que a planta é rica em eugenol, uma substância antiséptica e anestésica muito usada na fabricação de pastas de dente. Encontramos duas espécies distintas, ainda que sensorialmente semelhantes, chamadas popularmente de cataia e usadas para preparar a receita da cachaça caiçara, a Pimenta pseudocaryophyllus e a Drimys brasiliensis.

A bebida é muito popular no norte do litoral paranaense e sul de São Paulo. Dizem que a bebida se originou em 1985, quando Rubens Muniz, dono de pousada e restaurante na Barra do Ararapira, uma pequena comunidade de pescadores próxima à Ilha do Cardoso – São Paulo, teve a ideia de misturar cataia e cachaça na mesma garrafa.
O nome cataia em tupi-guarani significa “folha que queima” e também pode ser chamada de: acataia, pimenta-d’água (Pernambuco), capiçoba (Alagoas), capetiçoba, erva-de-bicho, pimenta-do-brejo, Pimenta pseudocaryophyllus (nome científico).
A bebida depois de pronta tem teor alcoólico variando entre 20% e 40% e sua infusão na cachaça é capaz de transformar a pinga em um líquido de cor amarelada e sabor agradável, lembrando louro, pimenta do reino, mate e cravo.
Os principais lugares de consumo incluem:
Apesar de ser mais popular nessas áreas, a cataia vem ganhando visibilidade nacional, sendo apresentada como uma curiosidade em feiras e eventos gastronômicos dedicados à cachaça e à cultura brasileira.
Apesar do apelido de “cachaça caiçara”, não é. A cachaça não admite adição de ervas ou especiarias — ao receber as folhas de cataia, a bebida passa a ser aguardente de cana composta. O nome popular pegou, mas a classificação legal é outra. Entenda as cachaças que não são cachaça.
Duas, na verdade. O nome popular cobre a Pimenta pseudocaryophyllus e a Drimys brasiliensis, ambas nativas da Mata Atlântica e ricas em eugenol — o mesmo composto do cravo, o que explica as notas de especiaria da bebida. Em tupi-guarani, cataia significa “folha que queima”.
Em unidade de conservação, não. Parques estaduais como o da Ilha do Cardoso são de proteção integral, e a coleta de plantas ali depende de autorização — a visitação é permitida, a extração não. Quem quiser conhecer a bebida deve procurar produtores e comunidades locais, que fazem o manejo dentro das regras.
É preciso separar duas coisas. A bebida engarrafada como a conhecemos hoje é atribuída a Rubens Muniz, que em 1985 juntou cataia e cachaça na mesma garrafa, na Barra do Ararapira. Mas o uso das folhas de cataia é bem anterior e coletivo: faz parte do repertório das comunidades caiçaras do litoral, que já empregavam a planta muito antes de ela virar produto.
No litoral sul de São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina — Cananeia, Iguape, Paranaguá, Ilha do Mel, Laguna e Garopaba. É bebida de identidade caiçara, presente em festas e celebrações dessas comunidades, com teor alcoólico que costuma variar entre 20% e 40%.
Tradicionalmente uma prata, sem passagem por madeira, para não disputar aroma com a folha. O guia de cachaças do Brasil reúne dezenas de opções, e a cataia é uma das infusões brasileiras feitas com cachaça.

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