A peroba é uma madeira nobre da Mata Atlântica que, no envelhecimento, se comporta de forma quase neutra — cede pouca cor e poucos aromas, preservando o caráter do destilado.
A árvore
Existem duas “perobas”. A que aparece nos estudos de envelhecimento de cachaça é a peroba-de-campos, ou peroba-branca (Paratecoma peroba, família Bignoniaceae), árvore emergente de até 40 metros, endêmica do Brasil (ES, MG, RJ) e hoje classificada como Em Perigo (EN). Já a peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron, família Apocynaceae) é outra espécie, também ameaçada, famosa em móveis e conhecida como “amargoso” por conter alcaloides.
Na cachaça
Pesquisas da ESALQ/USP (Santiago, Bortoletto e Alcarde) que compararam tonéis de carvalho, amburana, jatobá, bálsamo e peroba mostraram que a peroba foi a madeira que menos extraiu compostos fenólicos — cerca de 19 a 60 mg/L, contra centenas de mg/L do jatobá e da amburana. Os poucos fenólicos que migram são sobretudo ácido vanílico e ácido siríngico. Na prática, é uma madeira de baixa cessão, que se aproxima de um recipiente quase inerte.
Perfil sensorial
Por extrair pouco, a peroba tende a conferir cor clara e impacto aromático discreto, preservando o frescor da cachaça. Os traços de ácidos vanílico e siríngico sugerem notas sutis de baunilha e amadeirado. Não há descrição sensorial acadêmica consolidada da cachaça em peroba — é madeira pouco explorada aromaticamente.
Bom saber
Atenção à espécie: a peroba dos estudos de cachaça é a Paratecoma peroba. A peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) contém alcaloides amargos e não tem avaliação de segurança publicada para uso em bebidas, o que recomenda cautela. Compare a peroba com nativas de alta extração, como a amburana e o jatobá.
Conheça abaixo todas as cachaças envelhecidas em peroba mapeadas pelo Mapa da Cachaça.
Ficha rápida: Família: Bignoniaceae (Paratecoma peroba) · Cor: clara · Sensorial: neutro, leve baunilha/amadeirado · Origem: Mata Atlântica (nativa, endêmica)
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