
O Sebrae Goiás lançou em setembro o Boletim de Tendências para Cachaçarias durante o Festival da Cachaça de Goiás, que reuniu 70 produtores e mais de 400 rótulos em Goiânia. O documento é dirigido a pequenos negócios e organiza oito frentes de atuação. Antes de qualquer uma delas, porém, coloca uma condição: estar formalizado.
Produzir e vender cachaça exige registro do estabelecimento e de cada produto no Ministério da Agricultura e Pecuária, além de rótulos que atendam às normas de identificação. Sem essa documentação e sem rastreabilidade, o produtor fica de fora dos canais que só compram de operações formais.
O Sebrae apresenta o registro como porta de entrada para parcerias comerciais, vendas entre empresas e exportação. É uma orientação institucional. O registro habilita o produtor a disputar esses espaços, mas distribuição, escala e demanda dependem de outros fatores.
O boletim aponta caminhos para a cachaça em várias direções:
Trata-se de uma agenda de possibilidades, sem base em pesquisa própria. O documento não traz pesquisa com consumidores, projeção de vendas nem estimativa do tamanho de cada oportunidade em Goiás. O crescimento de 12% citado para as bebidas prontas para consumo se refere ao mercado brasileiro de RTDs como um todo, sem separar os produtos à base de cachaça.
Das oito frentes, a Indicação Geográfica é a que já conta com um ativo concreto no estado. Em 2025, o INPI reconheceu a Indicação de Procedência da Cachaça de Orizona, que identifica o município como centro de produção reconhecido pela bebida. O Sebrae associa o selo a ações de turismo, eventos e venda direta. Transformar o reconhecimento em visitantes e vendas, porém, depende de coordenação entre os produtores e de estrutura para receber o público.
Goiás encerrou 2025 com 49 estabelecimentos elaboradores registrados, cerca de 3,2% dos 1.538 do país, segundo o Anuário da Cachaça 2026. O boletim atribui ao segmento goiano cerca de 230 empregos, com base em Rais/Caged 2025, mas não informa o CNAE usado nem o método de extração. Não há dados estaduais de produção, venda ou exportação que permitam medir o peso econômico do setor além desses números.
Para as cachaçarias goianas, o uso imediato do boletim é como roteiro de diagnóstico do próprio negócio: situação regulatória, capacidade de receber visitantes, controle de dados, adequação de embalagem e preparo para vender fora do mercado local. Os próximos levantamentos terão de mostrar quantos estabelecimentos avançaram nessas frentes e com que resultado.
Livros e ferramentas criados pelo Mapa da Cachaça para estudar, provar e registrar suas descobertas.
