A canela-sassafrás é uma das madeiras nativas mais aromáticas — e mais delicadas do ponto de vista de conservação e segurança —, marcada pelo safrol, o composto que lhe dá aroma de canela e anis.
A árvore
A canela-sassafrás (Ocotea odorifera, família Lauraceae) é árvore da Mata Atlântica e do Cerrado, de madeira intensamente aromática, também chamada de sassafrás-brasileiro, casca-preciosa e louro-sassafrás. Foi tão explorada pelo óleo (safrol) que hoje é espécie ameaçada — de quase ameaçada a criticamente em perigo, conforme a região.
Na cachaça
A canela-sassafrás aparece em listas de madeiras nativas já usadas em tonéis, mas praticamente não figura nos estudos acadêmicos de envelhecimento — o que reflete tanto a raridade da espécie quanto a questão do safrol. Seu óleo essencial pode ter 80% a 90% de safrol, um fenilpropanoide de aroma marcante.
Perfil sensorial
As poucas descrições disponíveis (de fontes de tanoaria) falam em cor amarronzada e sabor forte, muito amadeirado e até agressivo, que pode dominar e descaracterizar a bebida — coerente com a alta carga de óleo essencial.
Bom saber
Atenção à segurança: o safrol é classificado como possível cancerígeno, proibido como aditivo em alimentos nos EUA e limitado por lei em bebidas na União Europeia. Não localizamos um limite específico da legislação brasileira para safrol em cachaça — por isso, o uso desta madeira exige cautela e verificação regulatória, além da questão de conservação da espécie.
Conheça abaixo todas as cachaças envelhecidas em canela-sassafrás mapeadas pelo Mapa da Cachaça.
Ficha rápida: Família: Lauraceae · Cor: amarronzada · Sensorial: intenso, canela e anis, amadeirado forte · Origem: Mata Atlântica (nativa, ameaçada)
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