
Santa Catarina sancionou a Lei nº 19.996, que institui 8 de setembro como Dia Estadual da Cachaça Catarinense. A norma foi publicada no Diário Oficial do Estado em 6 de julho de 2026, teve origem no Projeto de Lei nº 619/2025, do deputado estadual Volnei Weber, e passou a integrar o Calendário Oficial catarinense.
A data organiza uma pauta que vai além da homenagem anual. A lei reconhece a cachaça como patrimônio histórico-cultural catarinense, valoriza os alambiques do estado, vincula a cadeia a turismo, emprego e renda, e prevê ações educativas sobre consumo responsável e produção segura.
Os dados do Anuário da Cachaça 2026, ano-base 2025, ajudam a explicar por que Santa Catarina tem lastro para transformar a bebida em tema de calendário público. O estado chegou a 97 estabelecimentos elaboradores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária, 537 produtos e 772 marcas cadastradas, segundo o levantamento oficial. Luiz Alves reúne 12 estabelecimentos e 89 cachaças registradas, aparecendo entre os municípios de maior concentração formal do país.
Luiz Alves é o ponto mais estruturado dessa narrativa em Santa Catarina. O município do Vale do Itajaí foi reconhecido em 2018 como Capital Catarinense da Cachaça pela Lei Estadual nº 17.535, reúne alambiques familiares e transformou essa base produtiva em rota turística.
A Rota da Cachaça de Luiz Alves, mantida pelo portal municipal de turismo, nasceu da articulação entre a Prefeitura e a Apcala, associação local de produtores. O roteiro reúne dez alambiques em diferentes bairros, com visitação, paisagem rural, compra direta e contato com histórias familiares de produção.
Essa dimensão territorial ganhou outra camada com o reconhecimento de Denominação de Origem para a cachaça de Luiz Alves. A DO é a modalidade de Indicação Geográfica que exige vínculo mais profundo entre produto e território: não basta reputação regional, é preciso demonstrar que fatores naturais e humanos do lugar influenciam o resultado.
O Mapa da Cachaça também já explicou as diferenças entre Indicação de Procedência e Denominação de Origem. No caso de Luiz Alves, o reconhecimento ajuda a conectar clima, tradição familiar, conhecimento produtivo e reputação local, elementos que tornam a cidade mais do que uma menção lateral na lei estadual.
A sanção da lei encontra, portanto, um setor catarinense mais formalizado e com ativos territoriais já reconhecidos. O desafio agora é transformar a data em instrumento de comunicação pública, visitação aos alambiques e valorização de uma cadeia que combina produção rural, turismo e identidade local.
Livros e ferramentas criados pelo Mapa da Cachaça para estudar, provar e registrar suas descobertas.

