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Lançamentos

Princesa Isabel lança linha de vinhos tintos Casa Ceglia

Destilaria capixaba passa a vender dois tintos elaborados pela Viapiana, vinícola gaúcha que cedeu as barricas de Nebbiolo usadas na cachaça premiada.
Garrafa do vinho Casa Ceglia Merlot 2021 segurada por uma mão, com rótulo claro, ilustração de veleiro e inscrição Flores da Cunha, Brasil

Alambique de Linhares (ES) coloca no mercado dois tintos elaborados pela vinícola Viapiana, de Flores da Cunha (RS), a mesma casa cujas barricas de Nebbiolo deram origem à premiada cachaça da Princesa Isabel.

A Princesa Isabel começou a vender esta semana dois vinhos tintos sob a marca Casa Ceglia. Os rótulos são elaborados pela vinícola Viapiana, em Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, e chegam ao consumidor pela mesma estrutura de distribuição que a destilaria capixaba usa para as cachaças, o gim Mar e a vodca Amplify.

O movimento fecha um circuito que começou na adega. A relação entre a Fazenda Tupã, em Linhares, e a vinícola gaúcha nasceu de um barril que antes envelheceu vinho para dar origem à cachaça Princesa Isabel Nebbiolo.

Princesa Isabel Nebbiolo

A barrica de Nebbiolo veio primeiro, o vinho vem depois

A Princesa Isabel Nebbiolo envelheceu três anos em barris novos de carvalho americano e depois repousou em barricas de carvalho europeu que a Viapiana havia usado para amadurecer tintos da uva Nebbiolo. Foi essa cachaça que levou o Duplo Ouro no New Spirits 2026.

Barrica de segunda mão entrega menos madeira nova e devolve parte do que a bebida anterior deixou na superfície. Depois de dois anos guardando um tinto de Nebbiolo, o que a madeira cede à cachaça são taninos e compostos vínicos — e daí vêm os reflexos rubros e as notas de fruta madura que o rótulo capixaba apresenta.

Adão Cellia e o filho Pedro Cellia já conheciam a produção da Viapiana quando viajaram, há cerca de um ano, pela região de Valpolicella, no Vêneto. Da viagem saiu a decisão de aproveitar a logística de vendas já montada para colocar vinho no catálogo.

Casa Ceglia Merlot 2021 e Casa Ceglia Corte: o que chega ao mercado

O Casa Ceglia Merlot é um varietal safra 2021, com 13,3% de teor alcoólico, engarrafado em 750 ml e maturado em barricas de carvalho francês e americano, segundo o rótulo. Custa em torno de R$ 180. O Casa Ceglia Corte é uma mescla bordalesa de Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc com acréscimo de Tannat, passa seis meses em barrica de carvalho e chega por cerca de R$ 90. Os dois são vendidos no site do grupo.

A escolha de madeira do Merlot não é detalhe de ficha técnica. Carvalho francês é a barrica que a Viapiana emprega nos seus tintos de guarda — e é da mesma família de madeira que saíram os barris cedidos ao alambique capixaba. A vinícola e a destilaria compartilham, agora, o mesmo tipo de recipiente em dois produtos diferentes.

O nome Casa Ceglia já existia no portfólio. Em dezembro de 2025, a destilaria lançou a cachaça Casa Ceglia, maturada em carvalho europeu que antes recebeu Vinho do Porto. A assinatura cobre, desde esta semana, bebidas de duas categorias, produzidas em dois estados.

Duas famílias italianas, dois estados, um ofício em comum

Ceglia é o sobrenome original da família de Adão Cellia. Os avós dele saíram da região de Caserta e de Nápoles e desembarcaram em Vitória em 1894, antes de subir o rio rumo a Nova Venécia, no norte capixaba. A marca homenageia esse percurso e a imigração italiana para o Espírito Santo, iniciada oficialmente em 1874.

A Viapiana tem genealogia equivalente no Sul. Antônio Viapiana partiu de Mantova, na Lombardia, em 1878, aos dez anos, e chegou à antiga Colônia Caxias, hoje Flores da Cunha. A vinícola ocupa o mesmo terreno onde ele plantou os vinhedos, e vinificou a primeira safra própria em 1986, já sob a quinta geração da família.

A coincidência explica a parceria melhor do que a conveniência logística. Duas casas familiares nascidas da imigração italiana, uma de cana e outra de uva, assinam rótulos que levam o nome do mesmo tipo de antepassado: o colono que chegou sem terra e ficou.

Um alambique com portfólio além da cachaça

A destilaria Princesa Isabel produz 40 mil litros de cachaça por safra na Fazenda Tupã, perto da foz do Rio Doce, e está entre as dez melhores marcas do Brasil na avaliação do Mapa da Cachaça. O catálogo reunia cachaça, gim e vodca; com os tintos, passa a incluir bebida que a casa não produz, apenas assina e distribui.

O arranjo inverte o caminho mais comum no setor. Em vez de levar o próprio destilado a outro mercado, o alambique traz um produto de outro terroir brasileiro para dentro do seu canal de venda — o oposto do trajeto que a Nebbiolo fez quando a barrica gaúcha desceu para a adega capixaba.

Adão e Pedro Cellia informam que o próximo passo da parceria é desenvolver rótulos novos com a vinícola. Quem acompanha como uma marca constrói portfólio a partir de madeira, blend e prêmio encontra o método detalhado no Guia Mapa da Cachaça, que avaliou às cegas quase 200 rótulos.

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