
A Tiê é uma cachaça profundamente enraizada nas terras altas da Serra da Mantiqueira. Há mais de 30 anos, mestre Otacílio cuida amorosamente de cada gota que escorre dos alambiques na Fazenda Guapiara, em Aiuruoca, Minas Gerais. Quando o casal de paulistas Cris Amin e Arnaldo Ramoska adquiriram as terras e o engenho, há cerca de uma década, montaram uma estrutura moderna que oferece as condições ideais para que o alambiqueiro e seu filho Tobias desenvolvam sua arte cachaceira.

Trouxeram também uma sofisticada visão ambiental. Cris e Arnaldo, de fato, fizeram de sua propriedade um santuário da natureza: criaram duas Reservas Privadas de Patrimônio Natural (RPPNs), assegurando a presença da rica biodiversidade da Mantiqueira e a formação contínua das nascentes que alimentam o rio Aiuruoca.
O resultado desse casamento entre história e visão inovadora não poderia ser mais auspicioso. Uma cachaça com muita personalidade, na qual se reconhece a tradição da fermentação caipira e, ao mesmo tempo, a capacidade de inserir-se em contextos sempre diferentes. Por um lado, a Tiê cultiva uma relação de grande intimidade com seu território – sua microflora, sua paisagem e seu clima. Por outro, seus produtores constantemente apoiam ideias inovadoras – em mixologia, gastronomia e cultura – e mostram que a Tiê é tão flexível quanto o voo colorido do passarinho que lhe dá nome.

Destilada em alambiques de cobre aquecidos em fogo direto, sob o olhar cuidadoso do mestre alambiqueiro, a Tiê Prata é depois descansada por pelo menos seis meses em dornas de aço inox, além de passar por duas filtragens que eliminam qualquer impureza. Do plantio da cana ao engarrafamento, todas as etapas da produção da Tiê são realizadas na Fazenda Guapiara. Por isso tem conquistado as mais importantes premiações nacionais e internacionais.
A Tiê Prata tem uma untuosidade mediana, típica de uma cachaça com teor alcoólico de 42%. É cristalina, brilhante. Ao nariz, os aromas de cana e de rapadura prevalecem. Na boca, é o sabor quase ferroso da rapadura que de novo se afirma, de maneira prolongada, com a presença marcante da sensação alcoólica, como deve ser uma cachaça de tradição.
Por suas características, trata-se de uma cachaça que trabalha muito bem na coquetelaria. Mas é preciso que se diga: isso só acontece nas mãos de bartenders que saibam trabalhar com uma verdadeira cachaça. Pois a Tiê não tem nada da bebida neutra que alguns buscam, é uma cachaça que se afirma na sua identidade, é saborosa e aromática. E provocante: convida ao tira-gosto e ao próximo gole.
No Guia Mapa da Cachaça 2024, a Tiê Prata — o rótulo analisado nesta reportagem — recebeu 89,5 pontos e o Selo 4 Estrelas entre as brancas sem madeira. A Tiê Jequitibá também levou o Selo 4 Estrelas, com 89 pontos, na categoria das brancas com madeira.
Sim. Além das duas RPPNs que a Fazenda Guapiara mantém para proteger as nascentes do Aiuruoca, a marca renova o Certificado de Conformidade do Certifica Minas SAT, que atesta a ausência de agrotóxicos com auditorias anuais desde 2019 — como também detalha a ficha da Tiê Castanheira.
Sim. O sommelier lembra que a Tiê convida ao tira-gosto, e o Mapa da Cachaça publicou receitas salgadas da chef Janaína Rueda com a bebida: o croquete de carne com cachaça e a conserva de pimenta cumari e cachaça.
Sim. Anos depois, a marca lançou a Reserva Guapiara, sua primeira extra premium: um lote limitado de 580 garrafas envelhecido por 5 anos em barris de carvalho americano de primeiro uso — um contraponto encorpado à Tiê Prata sem madeira desta análise.


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