Pular para o conteúdo
  • Cart
Seja assinanteÁrea do assinante
Lançamentos

Nobre Paraibana: jequitibá-rosa e cerejeira em barril pequeno

A Engenho Nobre junta três anos de jequitibá-rosa a um ano de cerejeira num barril pequeno, em edição de 250 garrafas — e repete, em escala menor, a aposta que rendeu 91,5 pontos à casa no Guia Mapa da Cachaça.
garrafa Nobre Paraibana

A Engenho Nobre junta três anos de jequitibá-rosa a um ano de cerejeira em barril pequeno, numa edição de 250 garrafas.

Um barril de 50 litros está entre os menores recipientes que um alambique usa para envelhecer cachaça — e é também o mais apressado: quanto menor o barril, mais madeira toca cada litro. Foi num barril desse tamanho, de cerejeira, que a Engenho Nobre deixou uma cachaça descansar por um ano. Não para que ela dominasse a taça, mas para temperar outra, essa sim envelhecida três anos em jequitibá-rosa.

Da soma saiu a Nobre Paraibana, edição de 250 garrafas da destilaria de Cruz do Espírito Santo, a 30 quilômetros de João Pessoa, feita para o Dia Nacional da Cachaça, celebrado pelo setor em 13 de setembro.

Engenho Nobre Paraibana
O rótulo traz a delicadeza proposta pelo blend

O tamanho do barril, aqui, engana. A Nobre Paraibana não tem a intensidade que se espera de um envelhecimento em recipiente pequeno, porque a cachaça no barril pequeno não é a protagonista: ela entra em pequenas doses no blend, como quem acerta o tempero de um prato já cozido.

“É uma homenagem à beleza e à simplicidade da mulher paraibana, que coloca um pouquinho de perfume no canto da orelha.”

Murilo Coelho, mestre de adega da Engenho Nobre
engenho nobre - Murilo Coelho
Murilo Coelho, mestre de adega da Engenho Nobre

Cerejeira, o outro nome da amburana?

No vocabulário da cachaça, cerejeira é um dos nomes populares da amburana — em geral para designar a Amburana cearensis —, ao lado de imburana, umburana, cumaru-do-ceará e cumaru-de-cheiro. A lista está no Guia Mapa da Cachaça e é a origem de boa parte da confusão entre produtor e tanoeiro. A história por trás desses nomes já rendeu artigo próprio no Mapa.

A confusão não para no Brasil. Há também a cerejeira europeia, a Prunus avium, e a sakura japonesa — madeiras de outra família botânica, sem nenhum parentesco com a amburana, que aparecem em barris de uísque. E dentro da própria cerejeira brasileira a dúvida continua: pode ser Amburana cearensis ou Amburana acreana, mesmo gênero, espécies distintas, e nada garante que entreguem a mesma coisa ao destilado. Ou seja: o nome no rótulo não identifica madeira nenhuma. Para saber o que está no barril, só perguntando ao produtor — e, muitas vezes, nem mesmo o tanoeiro sabe qual madeira vendeu — e infelizmente, fica a dúvida do que se está realmente bebendo.

A madeira chega do tanoeiro com nome popular, e há pouquíssima literatura técnica comparando o que cada espécie de amburana entrega ao destilado.

Os diferentes perfis de madeira

Do outro lado do blend está o jequitibá-rosa, a madeira nacional mais próxima do carvalho americano: também entrega vanilina, e com ela um fundo de baunilha. Só que é madeira de dorna grande, quase sempre já exaurida pelo uso, e por isso trabalha em voz baixa, sem trazer grande impacto. Mesmo depois de três anos ali, a Nobre Paraibana ganhou cor (amarelo-palha) e corpo sem que a madeira impusesse personalidade — o doce vem com delicadeza floral da madeira, mas é a base branca, a cana, que continua aparecendo na taça.

É uma escolha, não um acaso. Murilo Coelho vem se consolidando como um mestre de adega conceitual, na linha de Adwalter Menegatti, da Santa Terezinha: parte da ideia antes de partir para a madeira. E já provou que sabe fazer o caminho oposto. A Nobre Sensação Umburana passou um ano em barris novos de amburana de 200 litros e recebeu 91,5 pontos e quatro estrelas no Guia Mapa da Cachaça, na categoria das envelhecidas em madeira brasileira ou exótica — com alcaçuz, cereja, cravo e canela, e a madeira brasileira no comando da taça.

São dois usos da mesma madeira. Na Sensação, a amburana é o prato; na Paraibana, é o tempero.

Uma série para homenagear a Paraíba

A destilaria vem construindo uma série de rótulos ligados à cultura paraibana. Em 2025 lançou a Sertão do Bruxaxá, homenagem a Areia, capital paraibana da cachaça; neste ano veio a Nobre Maracatu, com rótulo do grafiteiro Selvagem. A Paraibana continua a série, dedicada, segundo a destilaria, à mulher paraibana.

O engenho onde tudo isso é feito também tem personalidade própria: é o primeiro de bioconstrução da Paraíba, com paredes de terra compactada de 40 centímetros pela técnica do hiperadobe, que seguram a temperatura do armazém. São cerca de 5 mil litros por ano, fermentados em dornas mais largas que o comum e destilados em alambique de cobre a fogo direto, queimando bagaço e lenha. A Nobre Paraibana é o resultado coerente de uma casa que trabalha com um portfólio de assinatura, dando voz às ideias de seu produtor.

ProdutorEngenho Nobre — Murilo Vilela Coelho
LocalCruz do Espírito Santo (PB), a 30 km de João Pessoa
ComposiçãoBlend de cachaça de 3 anos em jequitibá-rosa com cachaça de 1 ano em barril de 50 litros de cerejeira
Teor alcoólico40%
Tiragem250 garrafas
Preço informadoR$ 165
Produção da casaCerca de 5 mil litros por ano
VisitasMediante agendamento
Ficha técnica
Da leitura para a prática

Explore a cachaça com mais repertório

Livros e ferramentas criados pelo Mapa da Cachaça para estudar, provar e registrar suas descobertas.

Ver toda a loja
Kit com 10 tapetes de avaliação sensorial para cachaça
Kit · Degustação guiada

10 Tapetes de Avaliação Sensorial

R$ 79,00
Ver produto
Perguntas frequentes

Descubra mais

O que é a Nobre Paraibana?

É uma edição limitada da Engenho Nobre, de Cruz do Espírito Santo (PB): um blend de cachaça envelhecida três anos em jequitibá-rosa com cachaça de um ano em barril de 50 litros de cerejeira, a 40% de teor alcoólico.

Cerejeira e amburana são a mesma madeira?

No mercado da cachaça, cerejeira é um dos nomes populares da amburana, ao lado de imburana, umburana e cumaru-de-cheiro, como conta a história por trás do nome. A cerejeira europeia, Prunus avium, é outra árvore.

Quantas garrafas da Nobre Paraibana serão produzidas?

A destilaria informa 250 garrafas, ao preço de R$ 165. A edição continua a série de homenagens paraibanas da casa, iniciada com a Sertão do Bruxaxá.

A Nobre Paraibana já foi avaliada pelo Guia Mapa da Cachaça?

Ainda não. A avaliação mais recente da casa com essa família de madeira é a Nobre Umburana, com 91,5 pontos e quatro estrelas.

Onde fica a Engenho Nobre e é possível visitar?

Em Cruz do Espírito Santo (PB), a cerca de 30 quilômetros de João Pessoa. A visita à destilaria é feita com agendamento.

Produtor deste artigo

garrafas da cachaça Engenho Nobre
Produtor deste artigo

Engenho Nobre

PB-004, 20, Cruz do Espírito Santo – PB
Quem assina

O autor

Logo Mapa da Cachaça Transparente
Autor · Comunidade Mapa da Cachaça
O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.
Da mesma marca

Cachaças Nobre

Nobre Raiz 48
R$ 120
Nobre Paraibana
Nobre Maracatu
R$ 165
Nobre Arraiá
Nobre Vaqueiro
R$ 290
Nobre Ocean
R$ 135