Mapa da Cachaça
Destaques Sensoriais do Mês
Edição nº 1 · Ano I
Maio 2026

Cachaças
em Destaque

Cachaças
em Destaque
Do coração do Paraná a Portugal: o Festival de Jandaia do Sul e o lançamento do Guia Mapa da Cachaça em Lisboa e no Porto. Mais de 70 bebidas avaliadas; doze ultrapassaram os 89 pontos.
12 DESTAQUES · DEGUSTAÇÃO ÀS CEGAS Exclusivo para assinantes
Nesta edição

Sumário

Carta do mês

Sempre há novos caminhos a explorar

É curioso perceber que, mesmo após tantos anos dedicados à cachaça, ainda encontro motivos para me surpreender. As mais de 600 páginas do Guia Mapa da Cachaça registram uma parte dessa história, mas não bastam para abarcar toda a riqueza espalhada pelo Brasil. Sempre há uma marca centenária desconhecida, um produtor admirável longe dos grandes centros ou uma técnica que desafia o que acreditávamos conhecer.

Esta edição reúne as doze cachaças e licores que ultrapassaram a marca dos 89 pontos nas avaliações de maio — todas de 4 ou 5 estrelas. Organizados por categoria, os destaques propõem uma jornada sensorial que começa pelas branquinhas, passa pelas amadeiradas e termina num licor de destaque. Todas as amostras foram avaliadas às cegas por especialistas de diferentes regiões do Brasil.

"Boa leitura — e um brinde às descobertas que ainda estão por vir."
Felipe Jannuzzi
CURADORIA & AVALIAÇÃO SENSORIAL
Crônica do mês

De Jandaia do Sul a Portugal

Começamos o mês no coração do Paraná, avaliando as cachaças do Festival de Jandaia do Sul, e terminamos apresentando o destilado brasileiro à Europa, em Lisboa e no Porto.

De Jandaia do Sul a Portugal

Festival de Jandaia do Sul

A convite da organização, participamos da avaliação das cachaças inscritas no Festival da Cachaça de Jandaia do Sul (PR). Consolidado como uma das iniciativas mais interessantes do setor, o evento reúne em três dias produtores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de representantes de Minas Gerais, São Paulo e Goiás.

A experiência foi valiosa por revelar marcas que raramente chegam ao mercado paulista. Casas centenárias como Moendão e Pinocos, e a grata surpresa da Santa Fé, reforçam que ainda há muito a mapear. O festival reuniu ainda produtores de Luiz Alves (SC), que conquistou sua Denominação de Origem em 2024, ao lado de Paraty, além de representantes de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

Lançamentos em Lisboa e Porto

Poucos dias depois, seguimos para Portugal a convite do Cachaça Fest e Casa Cachaça para os lançamentos do Guia em Lisboa e no Porto. Foram sete dias dedicados à promoção da cachaça na Europa, apresentada a bartenders, importadores e apreciadores de diferentes países, ao lado de grandes referências mundiais.

No Lisbon Bar Show participei de uma mesa-redonda sobre o papel das madeiras no envelhecimento, ao lado de membros da APEX, EMBRATUR e jornalistas portugueses. A programação incluiu uma harmonização no Restaurante Eleven, estrelado pelo Michelin, e um coquetel na Embaixada do Brasil em Lisboa. Portugal mostrou, mais uma vez, que há interesse genuíno pelo destilado brasileiro quando ele é apresentado no contexto certo.

Os doze destaques

Panorama do mês

Mais de 70 bebidas avaliadas em maio. Doze ultrapassaram os 89 pontos — da branquinha mais fresca ao licor mais surpreendente. A jornada segue por categoria nas páginas a seguir.

Brancas

01
Santa Fé Bússola de PrataSão Francisco do Sul · SC · 46%
94PONTOS
02
Pioneira PrataSocorro · SP · 40%
90,5PONTOS

Madeiras brasileiras & exóticas

03
Zelluvi Ouro BálsamoItumbiara · GO · 40%
94,5PONTOS
04
Vibra Brasil CastanheiraMonte Alegre de Minas · MG · 39%
92,5PONTOS

Carvalho & blends

05
Pinocos Ouro Carvalho FrancêsGaspar · SC · 38%
94,5PONTOS
06
Moendão 4,6 Anos no Carvalho FrancêsGaspar · SC · 38%
94PONTOS
07
Estância Moretti 4 MadeirasJandaia do Sul · PR · 40%
89PONTOS
08
Unna Extra Premium WSSalinas · MG · 40%
95PONTOS
09
Sacca Envelhecida CarvalhoLuiz Alves · SC · 38%
94,5PONTOS
10
Thimotina Extra-Premium CarvalhoAfonso Cláudio · ES · 40%
96PONTOS
11
Rein Reserva Especial 12 AnosLuiz Alves · SC · 38%
93PONTOS

Licor

12
Lamonk Licor Fino Doce de LeiteAparecida de Goiânia · GO · 15%
97,5PONTOS
01
Branca sem madeira

Santa Fé Bússola de Prata

Safra 2725
Produtor: Santa Fé
Garrafa de Santa Fé Bússola de Prata
94/ 100 pts
★★★★
RegiãoSão Francisco do Sul · SC
Teor46%
PreçoR$ 85,00

Produzida por Andrei Ruaro em São Francisco do Sul — cidade que destila cachaça desde o século XVIII —, a Bússola de Prata foi a mais potente do Festival de Jandaia do Sul, com 46% de teor alcoólico. E é justamente na decisão de diluir menos que mora o seu mérito. Ao preservar a graduação, a cachaça entrega sem cerimônia aquilo que se espera de uma grande branca: o frutado da cana-de-açúcar em primeiro plano, sem a aguada de sabores que a diluição costuma impor.

A cachaça de Ruaro é um blend de duas brancas de fermentações distintas: uma de fermentação selvagem com fubá de milho, outra conduzida com a levedura selecionada Lallemand CN. A destilação acontece em alambique de cobre de 750 litros, a fogo direto. Os canaviais ficam a 8 km do mar aberto e essa proximidade salina é parte da assinatura da casa. Antes da garrafa, repousa seis meses em inox, que preserva o frescor e a pureza aromática da cana.

Visual
Incolor e cristalina.
Aroma
Abre com a cana-de-açúcar fresca em primeiro plano, com caldo recém-prensado. Em segundo nível, frutado tropical: abacaxi maduro e limão. Há ainda uma nuance fermentativa de pão fresco, lembrança do mosto, que dá complexidade.
Corpo
Viva, potente, boca cheia.
Paladar
Uma branca com personalidade marcante. O começo de boca é doce e potente, traduzindo a presença alcoólica como estrutura e não como barreira. A acidez viva e cítrica equilibra o dulçor da cana.
Retrogosto
Persistência média-longa, com presença cítrica e uma sensação ligeiramente mineral, que lembra a proximidade do mar e a influência da maresia no canavial.
Harmonização
Caipirinha clássica ou batidas tropicais, como abacaxi com hortelã. Como aperitivo puro, servir bem gelada (4–6 °C), acompanhada de queijo coalho grelhado e melado de cana.
02
Branca com madeira

Pioneira Prata

05/2024
Produtor: Pioneira
Garrafa de Pioneira Prata
90,5/ 100 pts
★★★★
RegiãoSocorro · SP
Teor40%
PreçoR$ 50,00

Da família Mazzolini, em Socorro (SP), a Pioneira Prata é uma branquinha que entrega muito. A cana é da variedade IAC 7515, fermentada por 48 horas com leveduras selecionadas e destilada em alambiques de 500 litros. O detalhe que a define vem depois: um repouso curto, de até três meses, em dornas novas de amendoim — madeira brasileira da tonelaria DR, sem tosta. É contato suficiente para dar estrutura e um fundo amanteigado, mas discreto o bastante para deixar a cana-de-açúcar no comando. Não por acaso, foi a melhor da sua categoria no festival.

Visual
Incolor apesar de passar na madeira, límpida e brilhante.
Aroma
Complexa! Aroma extremamente doce, com notas de mel, frutas maduras, fermento e cana-de-açúcar.
Corpo
Médio, amanteigada.
Paladar
Na boca é mais seca e mais dura, contrastando com o aroma, quando se apresenta mais aberta e doce. É uma cachaça gostosa, bem resolvida, uma branquinha com alta bebabilidade.
Retrogosto
Médio para longo. Prevalecem as características da branquinha, com o doce da cana (rapadura, caramelo, calda de açúcar) e leve presença de castanhas (coco).
Harmonização
Ceviche de peixe branco com leite de coco: os aromas amplificam a acidez do preparo, enquanto o adocicado equilibra o conjunto e o leve amadeirado casa com o leite de coco.
03
Armazenada em madeira brasileira ou exótica

Zelluvi Ouro Bálsamo

Lote AB0410226
Produtor: Zelluvi
Garrafa de Zelluvi Ouro Bálsamo
94,5/ 100 pts
★★★★
RegiãoItumbiara · GO
Teor40%
PreçoR$ 107,90

Os produtores do Centro-Oeste têm aparecido cada vez mais no radar dos apreciadores, mostrando que qualidade e tradição não são exclusividade dos estados mais conhecidos. A Zelluvi tem raízes em Itumbiara (GO), onde a família produz cachaça há quase quatro décadas na destilaria Zanuto.

Entre as amostras degustadas, a versão envelhecida em bálsamo foi uma das que mais me chamou a atenção. O que entrega na taça torna difícil acreditar que passou apenas 12 meses nessa madeira brasileira: a intensidade das especiarias, o caráter balsâmico e a integração dos aromas lembram antigas cachaças de Salinas que ficaram anos em grandes dornas de bálsamo.

Na minha percepção, é o trabalho mais interessante com madeira do portfólio. Uma cachaça que merece a atenção de quem busca os aromas condimentados e o perfil marcante que consagraram essa madeira na história da cachaça.

Visual
Dourado-claro com reflexos esverdeados, coloração característica do bálsamo. Lágrimas espessas e lentas, promessa de viscosidade que se cumpre na boca.
Aroma
Anuncia-se em três planos: a cana-de-açúcar madura e doce; em seguida a especiaria do bálsamo (anis-estrelado e cardamomo em diálogo); por fim o vegetal fresco e frutado — capim-santo, hortelã, pimentas — e, após descanso na taça, frutas amarelas.
Paladar
Entrada doce, com o álcool lindamente integrado. O bálsamo entrega o que prometeu no nariz: as pimentas aparecem como picância gostosa, não ardência. O frescor herbal persiste como contraponto ao dulçor.
Retrogosto
O dulçor vem primeiro, deixando a especiaria; depois, o herbal volta como assinatura. Definitivamente uma cachaça para quem gosta de bálsamo.
Harmonização
Carne suína assada com farofa de banana — o dulçor e a picância do bálsamo dialogam com a doçura da carne. Antes do almoço, queijo Canastra meia-cura com geleia de pimenta. Pura, em taça, à temperatura ambiente.
04
Envelhecida em madeira brasileira ou exótica

Vibra Brasil Castanheira

Novembro 2025
Produtor: Vibra Brasil
Garrafa de Vibra Brasil Castanheira
92,5/ 100 pts
★★★★
RegiãoMonte Alegre de Minas · MG
Teor39%
PreçoR$ 119,00

A Vibra Brasil é o projeto do empreendedor Givago Alvarenga. A cachaça nasce no Engenho Néctar do Cerrado, sob as mãos de Walter Vieira da Cunha — agrônomo e doutor em genética que conduz o engenho com rigor de pesquisador, do canavial à escolha das madeiras. É produção pequena e intencional, de 10 a 20 mil litros por safra.

Durante as avaliações às cegas, a presença marcante de frutas vermelhas me fez crer que estava diante de uma cachaça em putumuju tostado. Não estava: era uma castanheira — e uma expressão bastante incomum dessa madeira. Bela surpresa. Envelhece no mínimo dois anos em dorna de castanheira de 700 litros, sem tosta, construída em 2003.

Visual
Dourado-claro, límpida. O rótulo foi reconhecido como o mais bonito pelo World Drinks Awards.
Aroma
Os aromas de cereja e frutas vermelhas enganam — lembram putumuju tostado. As castanhas que surgem no nariz são mais familiares. Percebe-se também xarope de guaraná e as notas primárias da cana-de-açúcar.
Corpo
Aveludada, licorosa.
Paladar
Floral marcante, com complexidade de cardamomo e mel no paladar.
Retrogosto
Média duração, final aveludado. Uma cachaça que dá vontade de provar mais vezes, em outros contextos.
Harmonização
Como aperitivo, em contraste com uma IPA artesanal lupulada e frutada, que contrabalança o dulçor licoroso.
05
Armazenada em carvalho

Pinocos Ouro Carvalho Francês

Lote 240328
Produtor: Pinocos
Garrafa de Pinocos Ouro Carvalho Francês
94,5/ 100 pts
★★★★
RegiãoGaspar · SC
Teor38%
PreçoR$ 80,00

Com tradição familiar centenária, a Pinocos chega à quarta geração da família Schmitt, preservando o legado iniciado em 1890 por Pedro Schmitt Jr. A produção parte de cana 100% própria, com fermentação por levedura CA-11 — complementada com fubá de milho quando necessário — e destilação em bateladas de 300 litros, em alambique de 2.100 litros aquecido a caldeira. A versão Ouro é armazenada por dois anos em barris de 200 litros de carvalho francês.

Visual
Dourado, brilhante.
Aroma
A baunilha cremosa do carvalho europeu abre, mas sem dominar. As frutas (pêssego, damasco) aparecem em sequência, e a flor de laranjeira dá um floral inesperado.
Corpo
Corpo médio, viva, amanteigada, fácil.
Paladar
Entrada elegante, com o dulçor distribuído de forma uniforme. A doçura é de baunilha e fruta, não de açúcar. O frutado tropical do nariz volta na boca: baunilha, mel, cereja, groselha.
Retrogosto
Médio-longo, complexo, frutado, persistente. Uma cachaça sem pretensões, de fácil entendimento.
Harmonização
Como digestivo, em taça, à temperatura ambiente. Ótima para um almoço de domingo em família.
06
Envelhecida em carvalho

Moendão 4,6 Anos no Carvalho Francês

Lote 1226
Produtor: Moendão
Garrafa de Moendão 4,6 Anos no Carvalho Francês
94/ 100 pts
★★★★
RegiãoGaspar · SC
Teor38%
PreçoR$ 100,00

Mais um destaque para Gaspar, em Santa Catarina. Com mais de um século de tradição na produção artesanal, a Cachaçaria Moendão, fundada em 1890, apresenta neste rótulo um dos seus principais destaques — envelhecido exclusivamente por 4,6 anos em barris de carvalho francês.

Visual
Âmbar a dourado-escuro, brilhante.
Aroma
Amêndoa, baunilha, mel, castanhas (avelã), especiarias.
Corpo
Médio-encorpado, amadeirado, aveludado.
Paladar
Mel, amêndoa, toffee, frutas amarelas, flores secas.
Retrogosto
Médio-longo, complexo, amadeirado, amendoado. Lembra a vizinha de Gaspar, a Pinocos Ouro: sem muitas pretensões, mas entrega bastante pelo custo.
Harmonização
Uma boa cuca de banana. As notas de mel, baunilha, frutas amarelas e especiarias encontram correspondência na banana caramelizada.
07
Blend armazenado

Estância Moretti 4 Madeiras

31/07/25
Garrafa de Estância Moretti 4 Madeiras
89/ 100 pts
★★★★
RegiãoJandaia do Sul · PR
Teor40%
PreçoR$ 99,90

A Estância Moretti nasceu em 2001 do desejo de Luiz Carlos Moretti de traduzir em garrafa a paixão pela cachaça que herdou do pai e do avô. A marca paranaense é destilada na cachaçaria Companheira, em Jandaia do Sul — hoje Capital Paranaense da Cachaça —, e tem na 4 Madeiras seu blend de assinatura.

Tecnicamente, é um blend armazenado por dois anos em dornas de imburana e castanheira de 5 mil litros e mais quatro anos em barris de carvalho francês e americano com tosta média, sob supervisão da master blender Raquel Bonicontro.

Visual
Palha-escuro, límpida.
Aroma
Caramelo, vegetal, coco, tutti-frutti.
Corpo
Curto para médio, picante, fresca.
Paladar
Boa cachaça, madeira intensa, complexa. Melhor no nariz do que na boca, com notas de coco e banana, leve e fresca.
Retrogosto
O frescor e a leveza remetem à Gatinha, de Natanael e Raquel Bonicontro. Em breve a Moretti destilará e envelhecerá em unidade própria, em Jandaia do Sul.
Harmonização
Uma caipifruta de maracujá com pimenta: a acidez equilibra a madeira intensa e o álcool, o dulçor faz ponte com coco e banana, e a pimenta reforça o final picante.
08
Blend envelhecido

Unna Extra Premium WS

Lote 221225
Produtor: Meia Lua
Garrafa de Unna Extra Premium WS
95/ 100 pts
★★★★★
RegiãoSalinas · MG
Teor40%
PreçoR$ 540,00

A Unna WS, da Meia Lua, nasce com base branca produzida em Salinas (MG) e envelhecimento conduzido em São Paulo. A espinha dorsal passa por, no mínimo, três anos em carvalho americano de primeiro uso (ISC, 200 litros), combinando tostas 2 e 4, seguidos por mais um ano em carvalho americano de segundo uso. Somam-se cachaças envelhecidas por ao menos dois anos em carvalho francês, amburana, eucalipto e canela-sassafrás.

O conjunto reúne um repertório de madeiras pouco comum. O mérito do mestre de adega Jovino Junior está na condução: em vez de deixar cada madeira disputar protagonismo, constrói um blend em que aromas e sabores se complementam — complexidade e equilíbrio.

Visual
Dourado-escuro.
Aroma
Nariz generosamente adocicado — mel e baunilha em primeiro plano, sobre fundo torrado de carvalho e especiarias que denunciam amburana e canela-sassafrás. Mel, baunilha, toffee, noz-moscada, coco.
Corpo
Encorpada, amanteigada, aveludada.
Paladar
Equilibrada, com diferentes camadas: especiarias (cravo, canela), leve frescor de eucalipto, destaque para o carvalho (coco, baunilha, castanhas) e um frutado de cereja da amburana.
Retrogosto
Longo, com baunilha e toffee persistentes sobre a castanha — assinatura do carvalho americano. Destaca-se pelo equilíbrio: manter tantas madeiras em harmonia, com final longo e sem arestas, separa um blend firula de um bem-resolvido.
Harmonização
Chocolate amargo 70% — a vanilina e as notas tostadas fazem ponte com o cacau. Para contemplar, um charuto de força média.
09
Envelhecida em carvalho

Sacca Envelhecida Carvalho

Lote 2
Produtor: Rech
Garrafa de Sacca Envelhecida Carvalho
94,5/ 100 pts
★★★★
RegiãoLuiz Alves · SC
Teor38%
PreçoR$ 250,00

A Sacca foi envelhecidos em barril de Carvalho francês 225 litros, adquiridos através da tanoaria Mezacasa com tosta 2, por mais de 10 anos.

Visual
Dourado, brilhante, viscoso.
Aroma
Baunilha, mel, castanhas, cacamomila, frutas vermelhas.
Corpo
Encorpada, aveludada, boa estrutura.
Paladar
Doce mais presente na boca do que no nariz, com grande protagonismo de baunilha e caramelo.
Retrogosto
Longo, prazeroso.
Harmonização
Pede uma cerveja Porter: as notas de caramelo, chocolate leve e tostado fazem ponte com o perfil adocicado e amadeirado, enquanto o amargor moderado equilibra o dulçor.
10
Carvalho extra-premium

Thimotina Extra-Premium Carvalho

Safra 2015
Produtor: Thimotina
Garrafa de Thimotina Extra-Premium Carvalho
96/ 100 pts
★★★★★
RegiãoAfonso Cláudio · ES
Teor40%
PreçoR$ 330,00

Em Afonso Cláudio (ES), a marca Thimotina funciona desde 1915 — uma das fábricas de cachaça mais antigas do estado ainda em atividade. Foi fundada por Francisco Thimóteo Dias, de quem herdou o nome, e hoje é tocada por Paulo Roberto Dias Soares, bisneto do fundador, com sua esposa Cecília à frente de vendas e marketing.

Esta cachaça é a expressão máxima do envelhecimento da casa: a Safra 2015 repousou dez anos em barris de 200 litros, num blend de 70% carvalho europeu e 30% americano, todos sem tosta.

Visual
Âmbar, límpida.
Aroma
Carvalho encorpado e doce, com baunilha, toffee, castanhas, coco e frutas passas. O carvalho europeu traz especiarias quentes, como cravo.
Corpo
Encorpado e aveludado, boa estrutura.
Paladar
Boa presença dos dois carvalhos em equilíbrio. O americano com baunilha nítida; o blend fica complexo com cacau, frutas passas (banana, ameixa) e especiarias (anis, noz-moscada).
Retrogosto
Longo, com taninos marcantes do carvalho. Fecha com sensação terrosa de cacau, leve picância e personalidade clara do carvalho europeu.
Harmonização
Costela de boi assada lentamente. Para fechar a noite, um charuto cubano de corpo médio. Café espresso curto de torra média também acompanha bem.
11
Extra-premium em carvalho

Rein Reserva Especial 12 Anos

02/2026
Produtor: Rein
Garrafa de Rein Reserva Especial 12 Anos
93/ 100 pts
★★★★
RegiãoLuiz Alves · SC
Teor38%
PreçoR$ 430,00

Originária de Luiz Alves, município catarinense com Indicação Geográfica, a Rein utiliza variedades de cana com mais de sessenta anos na região, como a Havaiana amarela e branca e a Crespinha. A fermentação é com levedura selvagem e fubá de milho, 36 a 40 horas, em dornas com controle automático de temperatura. A destilação ocorre em alambique de cobre de design próprio (2.500 litros), aquecido por biomassa. O envelhecimento passa de doze anos em carvalho americano ex-bourbon, com finalização em barril virgem de carvalho francês com tosta média.

Visual
Dourado-escuro, brilhante. A apresentação (caixa, garrafa e rótulo) está entre as mais bonitas do mercado e venceu o voto popular do ranking de rótulos do Festival da Cachaça de Jandaia do Sul 2026.
Aroma
A primeira impressão é de sutileza — abre devagar. A cana madura aparece suavizada pelo mel e caramelo dos 12 anos no carvalho. Pimenta-do-reino, baunilha, mel, frutas secas (figo) e especiarias (noz-moscada, canela).
Corpo
Médio, amadeirado, com leve presença adstringente dos taninos.
Paladar
Entrada equilibrada, com o mel em primeiro plano. A noz-moscada marca a especiaria do longo envelhecimento. Vegetal, leve defumado, caramelo, mel, melado.
Retrogosto
Longo e marcado pela familiaridade do carvalho. Leve secura no final, com tabaco e notas terrosas. Não busca impressionar pela intensidade, mas pela harmonia — aconchegante e familiar.
Harmonização
Para saborear pura e com calma, depois do jantar, com um charuto Dona Flor Seleção. Harmonização por similaridade: o tabaco do retrogosto e o amadeirado suavizam a brasa.
12
Licor fino

Lamonk Licor Fino Doce de Leite

Lote L002L
Produtor: Bananazinha
Garrafa de Lamonk Licor Fino Doce de Leite
97,5/ 100 pts
★★★★★
RegiãoAparecida de Goiânia · GO
Teor15%
PreçoSob consulta

Desenvolvido pela Bananazinha — destilaria goiana com quase uma década de trajetória, nascida no quintal de um sócio e hoje presente em diversos locais do Brasil —, o Lamonk é um licor fino que utiliza base alcoólica extra-neutra em vez de cachaça. O doce de leite, originário do Rio Grande do Sul, chega sem glúten e com zero de gordura. O resultado é um licor de textura aveludada e untuosa, eleito o melhor licor de doce de leite do Festival de Jandaia do Sul 2026.

Visual
Caramelo-claro, cor coerente com o ingrediente, visualmente atraente.
Corpo
Cremoso, intenso, com muita textura.
Aroma & Paladar
Com muita identidade: um bom sabor de doce de leite, leite condensado, caramelo, baunilha, creme e um toque de caramelo tostado.
Retrogosto
Cremoso, adocicado, persistente. Como uma sobremesa líquida.
Harmonização
Servir bem gelado (4–6 °C) em copo de licor, com pão de queijo quente ou churros polvilhados com canela — o frescor enxuga a textura, o pão de queijo equilibra a doçura e o churros amplia o caramelo.
Novidades

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A linguagem da madeira

Cachaça envelhecida em madeiras não nativas: jaqueira, teca e cerejeira europeia. Três produtores, três madeiras, três regiões — e uma constatação: a cachaça é o único destilado do mundo capaz de conversar com tamanha diversidade de madeiras.

No extremo sul da Bahia, um tanoeiro chamado Gildásio produz uma dorna de jaqueira — madeira asiática conhecida dos brasileiros, mas que pouquíssimos usam para envelhecer cachaça. Na Matriarca, a tanoaria própria dá aos produtores uma autonomia rara para inovar; além da jaqueira, são pioneiros também no uso da goiabeira.

A dois mil quilômetros dali, em Sales Oliveira (SP), os irmãos Margarido caminham entre árvores de teca cultivadas nos arredores da própria destilaria. E mais ao sul, em Bento Gonçalves (RS), a Casa Bucco — fundada por imigrantes de Údine em 1875 — envelhece, pela primeira vez na cachaça, em cerejeira europeia.

Cada safra revela mais produtores fluentes nessa língua. Mas o valor não está na excentricidade: está no domínio de como cada madeira reage ao destilado, ao tempo, ao volume do barril e à tosta — ou à ausência dela.

A confusão deliciosa das cerejeiras

Amburana cearensis
A linguagem da madeira
A amburana mais comum (imburana, umburana). Chamada de "cerejeira" pelos aromas de cereja que desenvolve. Assinatura do Norte de Minas e do RS: baunilha, cravo e canela.
Amburana acreana
A linguagem da madeira
Prima da cearense, adotada pela Casa Bucco em sua versão amburana, que cravou 93,5 pontos no Guia Mapa da Cachaça.
Prunus avium
A linguagem da madeira
A cerejeira europeia de verdade — madeira de frutífera, tradicional em vinhos e destilados na Europa, agora chegando à cachaça.
Prunus serrulata
A linguagem da madeira
A sakura japonesa, ornamental. Consagrada no whisky japonês; até hoje, nenhum produtor envelheceu cachaça nela. Ainda.
Três casas, três madeiras

Quem fala a língua das madeiras importadas

Matriarca

Jaqueira · Caravelas · BA Quem fala a língua das madeiras importadas

Primeira cachaça armazenada em jaqueira do Brasil, lançada no início dos anos 2000. Cor amarelo-ouro intenso; aromas de grama, mel e frutas amarelas, com floral discreto. Na boca, vegetal e banana verde com doce de fruta amarela e um amargor medicinal típico. Envelhecimento sequencial: de dornas de 5 mil litros para 200 litros — uma conversa em capítulos.

WhatsApp (73) 9987-6161

Margô

Teca · Sales Oliveira · SP Quem fala a língua das madeiras importadas

Teca (Tectona grandis) cultivada nos arredores da própria destilaria — caso único de cachaça envelhecida nessa madeira. Resulta frutada e adocicada, com amargor elegante e uma adstringência que é a digital inconfundível da teca. A linha Premium chega às quatro estrelas no Guia Mapa da Cachaça 2025.

WhatsApp (16) 3446-1722

Casa Bucco

Cerejeira europeia · Bento Gonçalves · RS Quem fala a língua das madeiras importadas

Herança italiana de Údine (1875), com bidestilação em alambique charantês. Pela primeira vez, uma cachaça envelhece em cerejeira europeia (Prunus avium): floral, frutada e especiada, de baixa adstringência, com baunilha, amêndoas e marzipã. Sua amburana acreana marca a Escola Gaúcha com 93,5 pontos.

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A madeira como ofício, não excentricidade

A cachaça não é o whisky do hemisfério sul nem um rum aprimorado: é referência. Parte do que a torna única está nesse diálogo profundo com madeiras, nativas ou não — algo que nenhum outro destilado no mundo consegue reproduzir.

Mas usar jaqueira só por usar não cria uma grande cachaça. A escolha da madeira deixou de ser vitrine para virar linguagem: as melhores cachaças buscam coerência entre a história da destilaria, sua identidade e aquilo que cada madeira pode dizer ao destilado.

Leia a matéria na íntegra no Mapa da Cachaça →
Coquetel do mês · Especial festa junina

Quentãozin

Quentãozin

A versão prática do quentão das festas juninas: a cachaça base — blend de jequitibá-rosa e amburana, com notas de caramelo, erva-doce e canela — encontra sucos cítricos, ginger ale e xarope de demerara, tudo aquecido no micro-ondas. Um abraço quente em poucos minutos.

Por Conrado Salazar · bartender
Falar com a Flor das Gerais

Ingredientes

  • 30 ml Cachaça Flor das Gerais Blend
  • 15 ml sumo de limão-cravo (capeta)
  • 20 ml sumo de laranja Bahia
  • 70 ml água
  • 70 ml ginger ale
  • 15 ml xarope de açúcar demerara (1:1)
  • pau de canela e casca de laranja (guarnição)
5 min1 porçãoDrinque quente

Modo de preparo

  1. Adicione todos os ingredientes na caneca, com o pau de canela e a casca de laranja.
  2. Leve ao micro-ondas por 1 minuto, até aquecer.
  3. Sirva imediatamente, aproveitando o aroma das especiarias liberado pelo calor.
Agenda

Próximos eventos

09–11Jun
Expo Center Norte · São Paulo · SP
Feira
24–26Jun
Araxá · Minas Gerais · MG
Festival
10–12Jul
Festival
06–08Ago
Center Minas-Expo · Belo Horizonte · MG
Feira
06–08Out
Expo Center Norte · São Paulo · SP
Feira
15–18Out
João Pessoa · Paraíba · PB
Seminário & Feira

Datas e locais sujeitos a alteração pelos organizadores. Consulte os canais oficiais de cada evento antes de programar sua ida.

Alambique para visitar · Turismo da cachaça

Jeceaba, na Estrada Real

Cachaça Jeceaba · a 120 km de Belo Horizonte
Jeceaba, na Estrada Real
Onde ficaJeceaba · Minas Gerais
120 km de Belo Horizonte · Estrada Real
Mestre de adegaRoger Sejas
Reservar pelo Mapa da Cachaça →

Produzida em família desde 2003, a Cachaça Jeceaba transforma a visita ao alambique numa experiência que vai além do copo: natureza, técnica e hospitalidade no interior de Minas.

Cercado por árvores frutíferas e com vista aberta para a região, o alambique recebe o visitante para conhecer todo o processo — da fermentação com pé-de-cuba de fubá de milho e leveduras selvagens à destilação em alambique de cobre com fogo indireto, até o envelhecimento em carvalho de primeiro uso, com micro-oxigenação. A produção pequena, de cerca de 9 mil litros por ano, dá à visita um caráter intimista.

As degustações guiadas ajudam a entender as diferenças entre os rótulos, enquanto o contato direto com os produtores reforça o acolhimento. Como resume Roger Sejas, "o alambique virou um centro de lazer e de difusão dessa cultura maravilhosa que é a cachaça".

Nos arredores

Complete o roteiro com o mirante da Serra do Gambá; a Basílica do Bom Jesus de Matosinhos e os Profetas de Aleijadinho, em Congonhas (20 km); e paradas gastronômicas como O Legítimo Rocambole, em Lagoa Dourada, e a Charcutaria WH.

Reservas e agendamento da visita pelo site do Mapa da Cachaça.

Personalidade do mês · Perfil

Adwalter Menegatti

O maestro da blendagem · Cachaça Santa Terezinha
Adwalter Menegatti
OndeMarechal Floriano · Espírito Santo
Trajetória3ª geração · alambique desde 1943
Ler o perfil completo →

Se as cachaças fossem música, Adwalter Menegatti seria o maestro. Capixaba, 67 anos, terceira geração de uma família que destila desde 1943, ele é um dos mais inventivos master blenders do Brasil — com mais de cem blends e criações no currículo.

No Entreposto Santa Terezinha, em Vitória, convivem mais de 180 itens ligados à bebida. Foi dali que saíram obras como a Gourmet Sassafrás (2007), que levou a cachaça para a gastronomia, e a Pretiosa 10 anos — um barril de sassafrás perdido após um acidente e reencontrado anos depois, engarrafado, nas palavras dele, "em roupa de gala".

Sempre atento ao novo, prepara uma cachaça maturada em carvalho italiano em parceria com o estilista Jum Nakao, um licor inspirado na ratafia italiana e até cervejas artesanais feitas com café e amoras capixabas.

"É um universo de possibilidades infinitas a ser explorado."
Painel de degustação · 2026

Nosso time de avaliadores

Os profissionais que realizaram as avaliações às cegas nos painéis de 2026. Conheça os especialistas — siga cada um deles no Instagram.

Até a próxima rodada

Um brinde às descobertas

Os Destaques Sensoriais do Mês voltam na próxima edição com novas avaliações inéditas, análises técnicas e conteúdos exclusivos do universo da cachaça. Obrigado por percorrer esta jornada conosco — e por seguir descobrindo.

Mapa da Cachaça

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