
Considerando sua fama nacional na produção de linguiça artesanal, Bragança Paulista, no interior de São Paulo é uma estrela relativamente nova no mundo da cachaça. Pelo menos, no universo da cachaça legal, aquela com certificação e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária. E muito dessa nova fase do destilado brasileiro na estância climática paulista se deve a Cachaça Brasilchik.
Situada na Serra da Mantiqueira, que lhe rendeu o nome de “Cidade Poesia”, há 88 quilômetros da capital do estado, Bragança Paulista é parada de muitos viajantes, mas permaneceu como uma dica privilegiada para os apreciadores de cachaça na última década. Foi nessa época que surgiu a destilaria Brasilchik, que vem impulsionando internacionalmente o nome da estância, quando se fala em cachaça de qualidade.

A cachaça Brasilchik foi fundada por dois amigos paulistanos: o médico oftalmologista Gilberto Krasilchik (Giba) e o empresário Marcelo Pimentel (Tim). A história começa na Fazenda Santa Luzia, propriedade da família de Tim, em Bragança Paulista. O pai dele, Jorge Pimentel, era produtor de cachaças e seus causos de mascate inspiraram os amigos. Numa época em que a cachaça ainda não era produto reconhecido como tipicamente brasileiro e as leis sanitárias eram diferentes, Jorge saia numa antiga Volkswagen Kombi para vender a produção na beira da estrada que liga Bragança Paulista à cidade de Socorro.
“Ele nos contava essas histórias da década de 1980 e sobre como voltava com um bolo de dinheiro na mão depois de vender sua cachaça”, relembra Giba. Fascinados por esse universo e motivados a diversificar seus negócios, os dois decidiram revitalizar a tradição da produção de cachaça. A venda deixou os acostamentos das estradas para ocupar lojas, empórios, bares e restaurantes parceiros.
Para isso, Giba e Tim transformaram um antigo galpão da Fazenda Santa Luzia em uma destilaria moderna. Compraram alambique de cobre, barris de diversas madeiras nacionais e importadas, e começaram a experimentar maneiras de refinar a cachaça obtida de um produtor parceiro. Após cursos de produção, a primeira destilação ocorreu em 2016. “Foi emocionante. A gente até gravou um vídeo quando caiu a primeira gota de cachaça”, conta Giba.
Se o lucro financeiro que seu Pimentel tanto se orgulhava pode ainda não ter chegado aos amigos, a nova cachaça bidestilada de Bragança Paulista já ganhou ouro: duas medalhas douradas no Concurso Mundial de Bruxelas. “Isso é uma forma de homenagear meu pai, que faleceu em 2013, e de contribuir para que nossa cidade seja reconhecida”, diz Tim.


A Brasilchik começou seu negócio combinando uma técnica não tão usual para cachaça: a bidestilação. A bidestilação, ou destilação dupla, consiste em submeter a cachaça ´já pronta a um novo processo de ebulição provocando uma segunda separação das substâncias.
Com a bidestilação de cachaça, produzimos uma bebida de acidez reduzida, com sabores e aromas mais suaves de cana e níveis significativamente menores de compostos indesejáveis”,
explica Tim, o mestre destilador da cachaça Brasilchik
Amplamente utilizada na produção de uísques e conhaques, essa técnica de bidestilação resulta no chamado “coração do coração”, uma fração refinada da cachaça que conquistou o gosto dos amigos. Além dos benefícios apontados pelos produtores, o método eliminou custos de safra e cultivo de cana em um período crítico para muitas empresas nascentes, quando precisam equilibrar as contas. No entanto, trouxe algumas dúvidas iniciais sobre a aceitação do mercado.
Para testar a qualidade e validar o produto, a dupla procurou especialistas. “Nós levamos a cachaça Brasilchik para a Expocachaça, em Minas Gerais, e o retorno foi muito positivo”. Com esse incentivo, e três anos depois da primeira alambicada, os produtores decidiram inscrever a Cachaça Brasilchik Prata no Spirits Selection do Concurso Mundial de Bruxelas. O resultado voltou chancelado com a medalha de ouro internacional. “A única do tipo para uma cachaça branca naquele ano”, lembra Tim.
“A gente percebeu que, mesmo sendo uma cachaça diferente por sua bidestilação, ela tinha um apelo sensorial único. A primeira medalha em um concurso mundial nos deu a confiança para lançar oficialmente a marca no mercado em 2019”, diz Giba.
Outro destaque está na cachaça Extra Premium envelhecida por seis anos em barris de Carvalho Americano de primeiro uso. Premiada com a Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Destilados de Bruxelas em 2022, a Cachaça Brasilchik Carvalho Americano é uma mistura exclusiva.
Usamos um blend de barris com diferentes níveis de tosta, de um a quatro, o que resultou em uma bebida bem complexa com notas de coco, baunilha, toffee, tabaco e marzipã”,
explica Giba, que faz as blendagens em conjunto com Tim.


Para os amantes do carvalho, há ainda a Cachaça Brasilchik Carvalho Europeu uma versão também Extra Premium envelhecida por seis anos em barris de Carvalho Europeu. A Cachaça Brasilchik Amburana e a Cachaça Brasilchik Jequitibá Rosa, esta última lançada em 2024, completam o catálogo de cachaças. Mas o portfólio da cachaçaria bragantina não se finda por aí. “Estamos elaborando novos produtos ainda mais sofisticados”, conta Giba.
A linha se completa com uma bebida mista feita com mel puro. “Usamos mel de qualidade, nada de essência ou melado”, diz Giba. “São dois ingredientes: mel e cachaça, o que traz uma doçura equilibrada, sem adição de açúcar”, complementa. A receita é um clássico das noites bragantinas, desenvolvida por Tim, há mais de 20 anos, quando foi dono de um bar na cidade. “Era meu carro-chefe”, lembra o empresário. “Quando lançamos a Brasilchik, decidimos recuperar a receita e registrar o produto”.
A Fazenda Santa Luzia não é apenas o coração da produção da cachaça Brasilchik, com seu alambique de cobre, a sala de armazenamento e uma engarrafadora; também é um ponto de encontro e descanso para turistas que passam por Bragança Paulista. A fazenda que está há mais de 60 anos na família Pimentel também funciona como pousada. Com infraestrutura para visitas guiadas (mediante agendamento), degustações e eventos, a Brasilchik aposta no turismo como parte de sua estratégia de expansão.
“Recebemos muitas pessoas e apresentamos nosso processo de produção. É uma forma de mostrar ao público sobre a qualidade e a versatilidade da cachaça”, comenta Tim. Esse orgulho e paixão é exibido até no nome dessa cachaça paulista: uma brincadeira com a troca da primeira letra do sobrenome do produtor Gilberto Krasilchik, nacionalismo para não deixar dúvidas de sua origem. A cachaça, nós já sabemos, só pode ser brasileira. Todavia não há redundâncias na Brasilchik. Ela é singular, sui generis!
Para provar a cachaça bidestilada que consagrou a marca, comece pela Brasilchik Branca, de acidez reduzida e sabores suaves de cana. Nos envelhecidos, a Brasilchik Carvalho Americano Extra Premium passa seis anos em barris de primeiro uso, com notas de coco, baunilha e toffee, e a Brasilchik Carvalho Europeu também amadurece seis anos em carvalho. A Brasilchik Amburana completa a linha com madeira brasileira.
As duas são Extra Premium envelhecidas por seis anos, mas em carvalhos diferentes. A Brasilchik Carvalho Americano usa um blend de barris com tostas de níveis um a quatro, o que rende notas de coco, baunilha, toffee, tabaco e marzipã. Já a Brasilchik Carvalho Europeu descansa em barris de carvalho europeu, para quem prefere esse perfil de madeira.
A Brasilchik Branca aparece em releituras tropicais como a batida de coco e o Negroni. Entre os envelhecidos, a Carvalho Europeu entra no Cosmopolita e a Carvalho Americano rende um café com cachaça.
Sim. Ao lado dos carvalhos importados, a Brasilchik Amburana envelhece em amburana, madeira nativa, e o catálogo ganhou em 2024 uma versão em jequitibá-rosa. Para experimentar o amburana num preparo de inverno, vale o chocolate quente com Brasilchik Amburana.


Visitas a produtores e avaliações do painel — toda semana, sem spam.