

Em Batatais (SP), a SôZé é produzida pela Spinagro, de Laura Vicentini e Rodrigo Spina, engenheiros agrônomos que começaram cultivando mudas de cana e passaram a aproveitar os resíduos para fazer cachaça. Foi eleita ‘Produtor Sustentável’ (1º lugar) no Guia Mapa da Cachaça 2024.

A cachaça Sôzé é produzida pela empresa Spinagro, onde todos os resíduos são reaproveitados.
Laura Vicentini é nascida no interior de São Paulo e passou a infância em meio à plantações na zona rural. Assim, a escolha de seu curso de graduação não poderia ser outra: Engenharia Agronômica na Unesp, no câmpus de Jaboticabal. Na faculdade, ela teve contato com o cultivo de cana-de-açúcar, o que mudou sua vida profissional para sempre. Hoje, ela é sócia e criadora da Spinagro, uma empresa de mudas de cana-de-açúcar, que acaba de criar a Sôzé: uma cachaça produzida de forma 100% sustentável.
A Spinagro se localiza em Batatais (SP), a empresa produz anualmente 4,5 milhões de mudas pré-brotadas de cana-de-açúcar, essas são vendidas para produtores e usinas, dando origem a novos canaviais.
A empresa foi criada em 2017 por Laura e por seu marido, Rodrigo Spina, que também é egresso do curso de Engenharia Agronômica no câmpus de Jaboticabal, onde se conheceram. Com a evolução da Spinagro, passou-se a ter muito resíduo de partes das canas que não eram aproveitadas.
Assim, surgiu a ideia de processar esse resíduo, gerando o caldo que chamamos de “garapa”, depois esse líquido é fermentado e destilado gerando a cachaça “Sôzé”. Laura conta que contrataram uma mestra alambiqueira para auxiliar o processo e depois de análises qualitativas e de paladar, a Sôzé ficou muito bem avaliada, se tornando um produto próprio para exportação.
A engenheira comenta: “Nunca me vi trabalhando com produção de cachaça, tudo surgiu devido a ideia do reaproveitamento. Fico feliz porque conseguimos uma produção de qualidade e sustentável ambientalmente e socialmente. Aqui na Spinagro, 60% das contratações são femininas e procuramos contratar mulheres locais de bairros mais vulneráveis economicamente na região”.
A cachaça também ganhou a certificação da Bonsucro, um grupo internacional sem fins lucrativos que avalia o compromisso das produtoras de cana-de-açúcar com a sustentabilidade ambiental e social.
Economia Circular, plantação orgânica e reaproveitamento de todos os resíduos
No sítio de Laura, todos os resíduos da plantação são reaproveitados, pois a produção é voltada para a Economia Circular: um conjunto de técnicas e pesquisas que repensa as práticas produtivas a longo prazo. Essa metodologia vai na contramão do sistema produtivo “tradicional” que funciona de forma linear e explora excessivamente os recursos naturais.
Assim, a água da chuva é usada para limpeza de instalações, a energia é produzida em painéis fotovoltaicos e os resíduos que sobram da plantação de cana-de-açúcar se tornam cachaça, enquanto as folhas se tornam adubo.
A plantação também não utiliza inseticidas químicos, pois preferem bioinsumos, que são uma alternativa aos agrotóxicos. Os bioinsumos consistem em utilizar materiais biológicos, como fungos, bactérias e plantas, para obter processos ou produtos que tenham serventia para sociedade, como adubos e produtos para controle de pragas.
Laura explica: “Manejamos bioinsumos, não por não acreditar nos pesticidas químicos, mas porque conseguimos níveis de controle satisfatórios de pragas com bioinsumos, controlamos tudo com produtos biológicos”.
Assim, utilizando conhecimentos científicos, os processos da Spinagro conseguem ser orgânicos e sustentáveis. Foi na graduação que Laura teve seu primeiro contato com pesquisas a respeito das plantações de cana-de-açúcar. Além disso, a formação na Unesp a auxiliou a conseguir um estágio na Universidade de Nebraska (EUA), onde também estudou plantios de canavial e produtos orgânicos.

Cada nota vem da nossa avaliação às cegas, conduzida por um painel de especialistas e calculada pela metodologia Mapa da Cachaça.
É a régua de qualidade da casa — o nosso selo na garrafa.
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A Spinagro, de Batatais (SP), fundada pelos engenheiros agrônomos Laura Vicentini e Rodrigo Spina, formados pela Unesp de Jaboticabal.
Reaproveita resíduos da cana, capta água da chuva, usa energia solar e bioinsumos — modelo que lhe rendeu o 1º lugar de “Produtor Sustentável” no Guia Mapa da Cachaça 2024; saiba mais em nosso artigo.
São 15 hectares orgânicos com 42 variedades; a maior parte vira mudas (gemas) e só o colmo é usado para a cachaça.
Fermentação com levedura CA-11 (temperatura controlada) e destilação em dois alambiques Santa Efigênia, com cerca de 60 mil litros por ano.