O pau-brasil, árvore símbolo do país, é uma madeira vermelha lendária — usada por séculos como corante — que aparece pontualmente em blends de cachaça, mas cujo uso esbarra em sérias restrições legais.
A árvore
O pau-brasil (Paubrasilia echinata, antes Caesalpinia echinata, família Fabaceae) é endêmico da Mata Atlântica, do Nordeste ao Sudeste. Deu nome ao Brasil e é a Árvore Nacional. Sua madeira, densa e avermelhada, é célebre nos arcos de instrumentos de corda. Séculos de exploração a tornaram espécie Em Perigo (EN), com uso hoje fortemente restrito por lei.
Na cachaça
O pau-brasil aparece na literatura como componente de blends: um estudo de 2024 o incluiu, junto de amburana, bálsamo, ipê, jequitibá e jatobá, em barris de 200 litros. Como entrou apenas como parte minoritária de um blend, seu efeito não foi isolado — a cor e os fenólicos medidos são do conjunto de madeiras, não do pau-brasil sozinho. Não há estudo de cachaça envelhecida exclusivamente em pau-brasil.
Perfil sensorial
Seu marcador é a brasilina, que se oxida em brasileína, o pigmento vermelho histórico. Fontes de tanoaria descrevem uma cor avermelhada/alaranjada cedida à bebida e um destilado encorpado, de retrogosto longo. São relatos qualitativos, e a intensidade do vermelho pode ainda variar com o pH e a graduação da bebida.
Bom saber
Atenção legal: por ser espécie ameaçada e protegida, o corte e o uso de pau-brasil nativo são muito restritos, com comércio regulado inclusive por CITES. Qualquer uso em tanoaria só seria viável com madeira de origem certificada e documentação — é um ponto jurídico-ambiental sério, não apenas sensorial.
Conheça abaixo todas as cachaças envelhecidas em pau-brasil mapeadas pelo Mapa da Cachaça.
Ficha rápida: Família: Fabaceae · Cor: avermelhada/alaranjada · Sensorial: encorpado, retrogosto longo (relato) · Origem: Mata Atlântica (nativa, ameaçada)
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