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Dom Marques

Alambique, Guaíra - PR

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Localização

Sobre

A história da cachaça Dom Marques começa em Guaíra, no oeste do Paraná, cidade localizada na divisa com o Mato Grosso do Sul e próxima à fronteira com o Paraguai. O projeto não nasce de uma tradição familiar na produção de cachaça, mas de um gesto de memória. Dom Marques é uma homenagem de seu fundador, José Flávio, ao pai, Otávio Marques da Silva, cujo sobrenome inspira o nome da marca e simboliza o reconhecimento às origens da família.

José Flávio construiu sua trajetória profissional na educação. Foi professor universitário e também docente no ensino médio, atuando nas áreas de administração, economia e geografia. Sua esposa, Myrian, é formada em matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e trabalha como professora no estado. A ligação da família com o campo vem de gerações anteriores. O pai de Flávio, Otávio, era meeiro. Após sua morte, a mãe — viúva e responsável pelos filhos — mudou-se para a cidade, onde trabalhou durante muitos anos como zeladora de escola até a aposentadoria.

O interesse pela produção de bebidas surgiu já na fase de aposentadoria de Flávio, incentivado pelos filhos Lucas e Jessé, ambos com formação em química. Lucas chegou a produzir cerveja artesanal, mas a complexidade do processo, o controle sanitário rigoroso e a curta validade da bebida levaram a família a buscar outro caminho. A aquisição de um pequeno alambique abriu as portas para as primeiras experiências com a produção de cachaça.

A destilaria começou a operar em 2019 e obteve registro formal em 2023. A produção acontece em pequena escala, no próprio quintal da casa de Flávio, e gira em torno de cinco mil litros por ano. Mesmo diante de oportunidades de expansão, a família optou por manter o volume reduzido para preservar o controle sobre cada etapa da produção.

O alambique utiliza dois equipamentos de cobre com capacidade de 150 litros, aquecidos por fogo direto. A matéria-prima vem de parcerias locais: parte da cana é cultivada em uma área arrendada de cerca de cinco mil metros quadrados, enquanto outra parte é produzida por familiares em municípios vizinhos. A família também vem testando novas variedades de cana, como a Pérola Negra, conhecida pelo bom teor de açúcar e pela resistência ao tombamento.

A fermentação utiliza a levedura selecionada CA-11, escolha que facilita o controle do processo em ambiente urbano, já que dispensa o uso de substratos como milho. O pé de cuba é alimentado com melaço, prática sugerida pelos filhos químicos para manter a atividade das leveduras. Como não há controle automatizado de temperatura nas dornas, a destilação ocorre principalmente nos meses de inverno e primavera, quando o clima da região é mais favorável.

A linha principal da destilaria reúne duas cachaças envelhecidas por cerca de dois anos em barris de 200 litros: a Dom Marques Premium Amburana, maturada em barris da D&R Alambiques, e a Dom Marques Premium Carvalho, elaborada a partir de um blend de oito barris de carvalho francês provenientes de diferentes tanoarias. O clima quente de Guaíra influencia o envelhecimento: a evaporação pode chegar a cerca de 10% no primeiro ano, reduzindo significativamente o volume nos barris.

Em uma região onde praticamente não existem produtores formalizados num raio de cerca de cem quilômetros, a Dom Marques surge como um projeto singular. Pequena, familiar e conduzida com forte apoio técnico dos filhos, a destilaria representa o encontro entre conhecimento, dedicação e o desejo de transformar uma homenagem familiar em cachaça.

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