Cachaça FEST 2026 leva a cachaça ao centro do cenário europeu

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A cachaça ganha cada vez mais espaço fora do Brasil — e poucos movimentos são tão simbólicos quanto o Cachaça FEST, que chega à sua edição de 2026 consolidando-se como o maior espaço dedicado exclusivamente à cachaça na Europa. Realizado em Lisboa, dentro do Lisbon Bar Show, o evento se posiciona como um ponto de encontro entre produtores brasileiros, profissionais do bar, especialiastas, importadores e formadores de opinião do mercado europeu. Criado por Raquel Lopes, fundadora da Casa Cachaça, o Cachaça FEST foi estruturado para colocar a cachaça em evidência no cenário internacional, combinando educação, degustação e oportunidades reais de negócio.

Um evento que conecta cultura, mercado e conhecimento técnico

A edição de 2026 será estruturada em seis dias de programação, combinando diplomacia cultural, experiências sensoriais e encontros de negócios. Mas é na programação técnica que o evento revela um dos seus maiores diferenciais: a construção de conhecimento sobre a cachaça para um público internacional. Confira os destaques.

Cachaça & Vinho: a influência dos barris e a sinergia das madeiras no envelhecimento

No dia 19 de maio, o tema é a madeira e sua contribuição para as cores, aromas e sabores de duas bebidas que conectam Brasil e Portugal, a cachaça e o vinho.

Cachaça Fest 2026

O painel propõe uma leitura comparativa entre dois universos que compartilham um mesmo elemento-chave: a madeira. A discussão conecta práticas do vinho e da cachaça para entender como diferentes barris influenciam aroma, estrutura e complexidade sensorial. A mediação será de Felipe Jannuzzi, criador do Mapa da Cachaça, que leva ao palco uma das abordagens mais estruturadas do Brasil sobre análise sensorial e envelhecimento. Ao longo de mais de 15 anos, Felipe desenvolveu metodologias próprias — como roda de aromas, vocabulário técnico e sistema de avaliação — hoje aplicadas em degustações às cegas, cursos e publicações, como o Guia Mapa da Cachaça, lançado em 2025 pela editora Senac. Ao seu lado, participam nomes com forte atuação técnica e internacional: Manoel Agostinho, referência em blends e consultoria de cachaça, com atuação direta na construção de diversos rótulos; e Pedro Ramos, head sommelier em Lisboa e educador WSET, que traz a perspectiva do vinho europeu para dialogar com a cachaça e seu potencial gastronômico. A presença de Felipe como mediador reforça o papel do Brasil não apenas como produtor, mas como referência técnica no entendimento da bebida.

Cachaça no mercado europeu: do terroir brasileiro ao posicionamento global

No dia 20 de maio, a discussão evolui para um tema estratégico, ampliando o olhar para além da produção.

Cachaça Fest 2026

Aqui, o foco sai da produção e entra no mercado. O painel discute como traduzir a diversidade da cachaça — suas origens, madeiras e estilos — para um consumidor europeu acostumado a categorias mais consolidadas. Participam nomes que atuam diretamente nessa ponte entre Brasil e Europa: Raquel Lopes, responsável por posicionar a cachaça premium no mercado português e idealizadora do evento; e Paulo Matheus, com atuação estratégica na Apex Portugal e experiência em políticas públicas e promoção internacional. A mediação fica por conta de Pedro Fajardo, pesquisador e estudioso da cachaça, reforçando o caráter técnico e educacional da discussão.

Visibilidade e construção de narrativa na Europa

Os números do evento já indicam crescimento — milhares de visitantes, dezenas de marcas e forte presença midiática —, mas o impacto mais relevante talvez seja menos imediato: a construção de narrativa da marca da cachaça na Europa. Eventos como o Cachaça FEST ajudam a responder uma pergunta central para o futuro da categoria: como a cachaça quer ser percebida no mundo? Ao colocar temas como madeira, envelhecimento, terroir e posicionamento no centro do debate — e ao levar especialistas brasileiros para liderar essas conversas — o evento deixa de ser apenas uma vitrine e passa a ser um espaço de definição e construção de identidade da categoria no mundo.

Raquel Lopes - cachaça fest

A cachaça no lugar que ela merece

O protagonismo de marcas de cachaça e especialistas brasileiros no palco europeu é um sinal claro de maturidade do setor. O objetivo é aumentarmos a exportação de cachaça de qualidade, mas também exportar conhecimento e repertório — que por fim ajudará a criar demanda e a construir uma categoria sólida. Lisboa, mais uma vez, se transforma em um ponto estratégico dessa conversa. E a cachaça segue avançando — não mais como descoberta, mas como categoria em construção consciente no cenário global.

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O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.