A Sapucaia Real que analisei pertence a um lote antigo, marcado como 18 anos no rótulo, ainda da época em que a produção acontecia em Pindamonhangaba.
No visual, apresenta um âmbar escuro e brilhante que já impressiona na garrafa. Na taça, forma lágrimas moderadas, típicas de uma maturação longa em madeira. Por ter passado muitos anos na minha adega, é possível notar pequenos sedimentos no fundo da garrafa — algo natural em cachaças envelhecidas por longos períodos.
No aroma, surgem de imediato notas de baunilha e caramelo, seguidas de frutas cristalizadas e ameixas secas. Com tempo, revelam-se nuances de canela, castanhas, couro e tabaco, trazendo profundidade.
Em boca, a Sapucaia Real tem textura aveludada e corpo médio. O dulçor amadeirado conduz o conjunto, com caramelo, baunilha e um toque de noz-moscada. Há também um leve caráter terroso, que remete ao ambiente das adegas onde essas barricas de carvalho europeu repousaram por quase duas décadas.
O final é longo e complexo, com frutas secas, baunilha e um sutil toque apimentado que permanece e convida a mais um gole.
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