Situada na região do Campo das Vertentes, São João del-Rei é uma das cidades históricas mais emblemáticas de Minas Gerais. Fundada no início do século XVIII, durante o ciclo do ouro, preserva um conjunto arquitetônico colonial expressivo, igrejas monumentais e tradições culturais que a consolidaram como referência no turismo histórico e religioso do estado.
Esse mesmo território, marcado por caminhos antigos, fazendas centenárias e uma cultura rural profundamente enraizada, também abriga um dos berços da cachaça mineira. Os alambiques da região se destacam pela valorização do terroir, combinando saberes artesanais transmitidos por gerações com práticas contemporâneas que aprimoram a qualidade do destilado. A convivência entre história, paisagem e produção faz de São João del-Rei um ponto estratégico no roteiro do turismo da cachaça em Minas Gerais.

Caminhar pelo centro histórico de São João del-Rei é compreender como a cidade se formou a partir da circulação de pessoas, mercadorias e tradições. Igrejas barrocas, pontes de pedra e casarões coloniais convivem com manifestações religiosas que seguem mobilizando moradores e visitantes, especialmente durante a Semana Santa. A antiga Rua da Cachaça — hoje oficialmente Rua Marechal Bittencourt — ainda guarda na memória coletiva a relação da cidade com o comércio, a boemia e a aguardente de cana.
Além dos atrativos urbanos, o entorno rural amplia a experiência turística. Fazendas históricas, paisagens abertas e estradas tranquilas convidam o visitante a desacelerar e a compreender o papel da produção agrícola e da cachaça na formação econômica e cultural da região. Não por acaso, a cidade também se conecta a outros destinos históricos por meio da tradicional Maria-Fumaça, que liga São João del-Rei a Tiradentes e integra o imaginário ferroviário de Minas Gerais.
De acordo com o livro Maurício ou os Paulistas em São João del-Rei, publicado em 1877, o termo “pinga” era utilizado para designar uma medida, correspondente ao que hoje entendemos como uma dose
O roteiro turístico em São João del-Rei se desenha de forma quase intuitiva, costurando o patrimônio histórico ao universo rural que circunda a cidade. Pela manhã, o visitante percorre igrejas barrocas, museus e o casario colonial, absorvendo a densidade histórica que marca o cotidiano local. Pouco depois, o cenário muda: bastam alguns minutos de estrada para que o campo assuma o protagonismo, revelando um ritmo mais lento, paisagens abertas e fazendas que preservam saberes antigos. Essa proximidade entre o centro urbano e a zona rural permite reunir, em um único dia, história, gastronomia e experiências ligadas à cachaça.
O entorno de um raio de 100 quilómetros amplia ainda mais as possibilidades de roteiro. Cidades como Tiradentes, Coronel Xavier Chaves, Jeceaba e Prados reforçam a vocação regional para o turismo cultural, rural e gastronômico. Nesse território, alambiques tradicionais — como os das cachaças Século XVIII, Jacuba, Velho Ferreira, e Jeceaba — ajudam a contar a história da produção da cachaça de alambique e evidenciam a importância do turismo da cachaça como eixo estruturante da experiência regional.
Eventos como o Destila Tiradentes, realizado anualmente em agosto, consolidam essa conexão ao reunir chefs, produtores e marcas de destilados em uma celebração que valoriza a diversidade, a criatividade e o diálogo entre gastronomia, cultura e território.
É a apenas 15 minutos do centro histórico que o visitante encontra a Cachaça Morro Grande, instalada no Sítio Nossa Senhora das Graças, em meio às montanhas e paisagens abertas das Vertentes. Reconhecida como a única cachaça oficialmente registrada no município e já premiada no Destila Tiradentes, a Morro Grande nasceu do trabalho de José do Carmo Resende e de seu filho, Breno Resende.

O alambique recebe o público para uma experiência que vai além da visitação tradicional. O roteiro foi pensado para mostrar que a cachaça é um produto nobre quando feita com cuidado, tempo e carinho. Durante a visita guiada, o visitante acompanha todas as etapas da produção, compreendendo como o destilado se constrói a partir do campo, do trabalho cuidadoso e das escolhas feitas ao longo do processo.
A Morro Grande também oferece a experiência “Descobrindo o Segredo da Cachaça Morro Grande”, que culmina em uma harmonização guiada. Cada roteiro inclui uma seleção específica de queijos e preparos simples, pensados para dialogar com os aromas e sabores de cada cachaça. A proposta transforma a degustação em um momento de atenção e troca, reforçando a relação entre produto, território e cultura alimentar local.




Inserida em um território de forte vocação turística, a visita à Cachaça Morro Grande se articula naturalmente com outros atrativos da região: o passeio de Maria-Fumaça até Tiradentes, o circuito de cidades históricas, as manifestações religiosas e o turismo rural, marcado por fazendas antigas e casarões preservados. Para quem busca sair da cidade grande, relaxar em meio à natureza e vivenciar o interior de Minas com autenticidade, São João del-Rei oferece um roteiro completo — e a Morro Grande se firma como uma parada essencial para compreender a cachaça como expressão desse território.
“A cachaça precisa do turismo e o turismo precisa da cachaça — é uma união que valoriza a cultura, a natureza e o trabalho dos produtores.”
— Breno Resende, Cachaça Morro Grande
Fotos: Felipe Jannuzzi e Marcos Zaniboni
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O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.
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