Rafael Welbert leva o menu autoral Atlas em tour de masterclasses pelo Brasil

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Menu Atlas, de Rafael Welbert, ganha o Brasil com coquetéis autorais que exploram ingredientes brasileiros, técnica e referências globais.

Um menu que ganha escala sem perder o sentido

Há cartas que funcionam no serviço. Outras são pensadas como repertório. O Atlas, criado por Rafael Welbert, nasce como um conjunto de ideias organizadas em forma de coquetel e agora ganha as estradas com uma proposta clara: colocar esse pensamento em circulação. Depois de consolidado em São Paulo, o menu passa a percorrer o Brasil em uma série de encontros que misturam masterclass e guest bartender, aproximando profissionais e público de um processo criativo que vai além da execução no balcão. Em 2026, o Atlas passa por Vitória, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Belém, conectando diferentes cenas locais a uma mesma leitura de coquetelaria.

Um menu estruturado como mapa sensorial

O Atlas I reúne 13 coquetéis divididos em três blocos: autorais, releituras e não alcoólicos. A divisão ajuda a entender como o menu se organiza. Nos autorais, a base está na combinação de ingredientes brasileiros com referências externas, criando perfis que partem do território, mas não se limitam a ele. O uso de pequi, cambuci, capim-santo ou castanha-do-brasil aparece integrado à construção do drinque, sempre acompanhado de técnica e equilíbrio. Nas releituras, clássicos conhecidos servem como ponto de partida para deslocamentos mais ousados, seja pela inclusão de novos ingredientes, seja pela forma como textura, acidez e dulçor são trabalhados. Já os coquetéis sem álcool ampliam a proposta do menu ao trazer uma leitura sensorial que independe do álcool, organizados a partir de referências geográficas que ajudam a compor a narrativa do conjunto. No fim, o Atlas funciona como um sistema: cada drinque ocupa um lugar e ajuda a sustentar o todo.

Rafael Welbert

A cachaça como ferramenta de construção

Entre os elementos que atravessam o menu, a cachaça aparece com um papel que merece atenção. Ela não entra como substituição ou identidade superficial, mas como parte da lógica de construção dos coquetéis. Em diferentes receitas, surge associada a ingredientes que expandem seu campo sensorial — seja ao lado de destilados europeus, seja combinada com frutas, especiarias e madeiras brasileiras. O resultado são perfis que transitam entre o herbal, o frutado, o condimentado e o encorpado, mostrando como a cachaça pode operar dentro de uma linguagem contemporânea de bar. Esse tipo de abordagem reforça um movimento importante: a bebida deixa de ser apenas um símbolo de origem para assumir um papel ativo na criação.

Vitória abre o percurso

A primeira parada do tour acontece em Vitória, no restaurante Kairū, comandado pelo chef Igor Trarbach. Instalado em uma casa histórica de 1928, o espaço trabalha uma cozinha brasileira sazonal com forte atenção ao ingrediente e ao processo, o que cria um ambiente natural para o encontro com o Atlas. Durante a masterclass, o menu é apresentado em sua totalidade, com explicações sobre conceito, escolha de insumos e construção de sabor. Já no guest bartender, Rafael divide o balcão com Emanuel Dantas, trazendo os coquetéis para o serviço e criando um espaço de troca entre profissionais e público. É nesse momento que o projeto se completa: quando o discurso encontra o copo.

Um retrato do momento da coquetelaria brasileira

A circulação do Atlas ajuda a entender o momento atual da coquetelaria no Brasil. Há uma geração que trabalha com técnica, repertório internacional e, ao mesmo tempo, constrói a partir de ingredientes brasileiros com intenção e profundidade. O trabalho de Rafael Welbert se insere nesse contexto ao propor um menu que não depende apenas da execução, mas de uma lógica bem definida por trás de cada receita. Levar esse repertório para diferentes cidades é uma forma de ampliar esse diálogo e contribuir para a formação de público e de mercado. No fim, o Atlas não se resume aos drinques que apresenta, mas à maneira como organiza e comunica a coquetelaria.

O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.