Tradicional cachaça da Abaíra ganha Registro de Indicação Geográfica

  • Publicado 11 anos atrás

Entenda como o Registro de Indicação Geográfica (IG) valoriza a cachaça da Abaíra e impulsiona o desenvolvimento socioeconômico na Chapada Diamantina, fortalecendo a cultura da cana-de-açúcar

O que é o Registro de Indicação Geográfica (IG)?

Segundo o Mapa da Cachaça, o Registro de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços que possuem características específicas relacionadas ao seu local de origem. Esse registro garante reputação, valor intrínseco e identidade própria ao produto, diferenciando-o de similares no mercado.

Os produtos com IG apresentam qualidades únicas, influenciadas por fatores como o solo, a vegetação, o clima e o saber-fazer (know-how ou savoir-faire). No Brasil, o registro e a emissão do certificado são realizados pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Benefícios Socioeconômicos da IG

O técnico agrícola Nelson Pereira, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), destaca os impactos positivos da IG:

“A indicação geográfica garante melhores condições de trabalho, segurança do produto e da microrregião, além de aumentar as perspectivas de geração de empregos e novos negócios, ampliando a confiança dos consumidores.”

Nelson Pereira, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA)

Evaristo Carneiro, presidente da Associação dos Produtores de Aguardente de Qualidade da Micro Região de Abaíra (Apama), reforça:

“O selo de IG garante exclusividade ao produto da região de Abaíra, envolvendo direta e indiretamente mais de duas mil famílias na cadeia produtiva da cana-de-açúcar.”

IG e o Território da Cachaça

Para o Mapa da Cachaça, o reconhecimento de uma IG valoriza o produto como patrimônio nacional. Em artigo recente, Felipe Januzzi explora o conceito de terroir, as características únicas do território de produção, comparando-o à exclusividade de produtos como o Champagne.

Jannuzzi alerta para a importância de iniciativas que fortaleçam a cultura da cachaça:

“Precisamos estimular o debate com livros, sites, blogs, artigos acadêmicos, eventos de degustação e outras formas de conteúdo. Se o mercado permanecer inerte, corremos o risco de ver mais cachaças de baixa qualidade, sem tipicidade ou identidade.”

A Cana-de-açúcar na Chapada Diamantina

Na Chapada Diamantina, a cultura da cana-de-açúcar é incentivada pela Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), em parceria com a EBDA. A região abrange os municípios de Abaíra, Jussiape, Mucugê e Piatã, onde a cana é a principal fonte de renda para pequenos agricultores.

A EBDA oferece assistência técnica gratuita, capacitação dos produtores e modernização das agroindústrias. Atualmente, onze agroindústrias operam na região, com apoio do governo estadual para criar um modelo de produção sustentável baseado no associativismo.

O presidente da EBDA, Elionaldo Faro Teles, enfatiza:

“A cana-de-açúcar é uma das cadeias produtivas mais importantes pelo seu impacto social, envolvendo milhares de agricultores familiares.”

Ações para Modernização e Sustentabilidade

O engenheiro agrônomo Rafael Rocha, técnico da EBDA, orienta os agricultores sobre práticas que aumentam a produtividade, como:

  • Adubação orgânica;
  • Análises de solo;
  • Escolha de variedades produtivas e resistentes a doenças;
  • Espaçamento adequado entre plantas.

Com o fortalecimento das pequenas agroindústrias, novos investimentos foram viabilizados por programas como o Pronaf e pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), com suporte de instituições como o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil.

O reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) da Abaíra vai muito além de um selo de qualidade; ele representa a valorização de um território rico em cultura, tradição e dedicação. Ao assegurar a autenticidade e a exclusividade da cachaça produzida na região, a IG fortalece a economia local, gera oportunidades para milhares de famílias e consolida Abaíra como uma referência nacional e internacional no mercado de cachaças de excelência. Esse reconhecimento é um passo fundamental para preservar o patrimônio cultural da cachaça e garantir um futuro sustentável para os pequenos produtores, promovendo a identidade única da Chapada Diamantina.