The Rum Day - Os italianos querem cachaça de alambique!

  • Publicado 11 anos atrás

Participação do Mapa da Cachaça no The Rum Day na Itália destaca a cultura, história e qualidade da cachaça de alambique em um evento mundial dedicado a destilados.

Quando recebemos o convite para falar sobre o Mapa da Cachaça na Itália, a ficha começou a cair: estávamos no caminho certo para a promoção da cachaça de alambique. O evento foi organizado pela Velier, uma renomada empresa italiana de exportação e importação de destilados. O foco principal era o rum, com o evento chamado “The Rum Day” originalmente reservado para discutir exclusivamente o destilado caribenho. No entanto, a crescente oferta de cachaças de qualidade na Europa e a visão inovadora de Luca Gargano, idealizador do evento, garantiram um espaço especial para a bebida brasileira.

A cachaça em meio ao rum

Em meio aos estandes repletos dos mais variados tipos de rum, cinco marcas de cachaça de alambique chamaram a atenção dos participantes. Apenas uma dessas marcas era de produção industrial, destacando o foco na qualidade artesanal. O evento estava lotado de profissionais e entusiastas dispostos a aprender mais sobre destilados.

Palestras de alto nível no Rum Day

No primeiro dia, Felipe Jannuzzi, do Mapa da Cachaça, apresentou uma palestra detalhando o trabalho desenvolvido nos últimos cinco anos em prol da cachaça de qualidade. Ele abordou aspectos culturais, históricos e sensoriais, como o uso de madeiras nativas brasileiras para o envelhecimento do destilado. Enquanto o rum é envelhecido exclusivamente em carvalho, a cachaça pode passar por uma ampla variedade de madeiras como amburana, jequitibá, ipê, bálsamo, castanheira e amendoim, proporcionando uma complexidade única.

Uma questão frequente durante a apresentação foi sobre as diferenças entre o rum agricole e a cachaça brasileira. Ambos são feitos a partir do mosto fermentado do suco de cana-de-açúcar, mas há diferenças significativas. Daniele Biondi, especialista em rum e responsável pelo projeto Rum Club, explicou que o rum agricole geralmente tem um teor alcoólico mais elevado, fermentação mais demorada, destilação em colunas específicas e envelhecimento exclusivo em carvalho. Essas características resultam em um perfil sensorial distinto.

the rum day na itália

Reflexões e possibilidades

Biondi também destacou o potencial de valorização do rum branco — que não passa por madeira — como uma tendência emergente no mercado europeu. Esse caminho pode ser explorado também pela cachaça de alambique. Enquanto a cachaça ainda é muito associada à Caipirinha, Biondi sugeriu que podemos aprender com o mercado de rum, que conseguiu expandir seu uso para além do Mojito.

Outras palestras apresentadas por mixologistas reforçaram essa ideia, explorando formas criativas de incorporar rum em coquetéis. Isso trouxe uma reflexão importante para o mercado da cachaça: a necessidade de inovar nas apresentações e criar novas experiências para o consumidor final.

Troca de experiências e cooperação

Além de compartilhar sobre a cultura, a história e os sabores da cachaça, o evento serviu como um benchmark valioso para entendermos como unir o setor de cachaça de qualidade no Brasil. A mensagem do The Rum Day era clara: gerar informação, compartilhar conhecimento e criar oportunidades de negócios, sempre com foco em consumo consciente e produtos de alta qualidade.

Presenças notáveis

Durante os dois dias de evento, uma série de palestras de alto nível foi apresentada por profissionais reconhecidos mundialmente. Estavam presentes nomes como Tony Conigliaro, mixologista britânico considerado um dos melhores do mundo; Bastian Heuser, cofundador do maior evento de coquetelaria do mundo, o Bar Convent Berlin; Simone Caporale, barman italiano premiado; Dario Comini, mixologista favorito de Ferran Adrià; e Marian Blake, especialista em releituras de coquetéis com rum.

Visão para o futuro

A frase “a união faz a força” nunca fez tanto sentido no universo dos destilados como no The Rum Day. A iniciativa contou com produtores, distribuidores, mixologistas, pesquisadores e apaixonados por destilados, mostrando a força do mercado de rum na Europa e sua capacidade de se reinventar. Essa experiência deixa uma lição valiosa para o setor de cachaça: a importância de criar um ambiente colaborativo, voltado para a evolução e a valorização do destilado brasileiro. Quem sabe um dia teremos um evento dedicado exclusivamente à cachaça, unindo esforços para consolidá-la no cenário internacional.