

João Chaves representa uma geração que enxerga a cachaça como expressão cultural, projeto de vida e plataforma de identidade. Mineiro de origem e brasiliense por escolha, ele se aproximou do universo do destilado não por tradição familiar antiga, mas por um movimento recente e decidido: quando seus pais, Cid Faria e Claudia Gomes Chaves, inauguraram em 2020 o alambique no Sítio Recanto da Paz, João entrou de cabeça no projeto e transformou aquilo que era um sonho familiar em missão profissional.
Desde o início, assumiu o papel de dar personalidade à marca Remedin. Designer de formação e cachaceiro no melhor sentido da palavra, foi ele quem trouxe um olhar contemporâneo para os rótulos — peças que misturam cores vibrantes, grafismos inspirados no cerrado e uma leitura visual que comunica história, origem e propósito. É também João quem conduz a pesquisa sensorial que diferencia a Remedin: experimentos com madeiras brasileiras pouco exploradas, como o jatobá-do-cerrado submetido a tosta intensa, e projetos ousados como a Remedin Defumada, que aproxima o destilado brasileiro da linguagem dos whiskies turfados e da coquetelaria moderna.
Seu trabalho vai além do alambique. João assumiu protagonismo na construção de um ecossistema de cachaça mais forte no Distrito Federal, tornando-se presidente da Associação dos Produtores de Cachaça de Brasília. À frente de iniciativas coletivas, ele atua na organização do Festival da Cachaça de Brasília, evento que rapidamente se consolidou como um dos principais encontros do país e colocou a capital federal no mapa como polo emergente de alta qualidade.
Com apenas alguns anos de alambique, João já acumulou uma trajetória que impressiona. Representou a Remedin e o Distrito Federal em eventos nacionais e internacionais, como o Festival Mundial da Cachaça de Salinas, ExpoCachaça (MG), Festival Brasil Mostra Cachaças (PB), Brasília Moto Festival, Capital Moto Week, Brasília Design Week, Taste Brasil e rodadas de degustação em embaixadas brasileiras. Participou ainda de iniciativas como o RAPAL — Encontro dos Programas Antárticos da América do Sul — e de ações formativas, como palestras na UnB e encontros da agroindústria regional
Dentro e fora do Recanto da Paz, João mostra que ser produtor de cachaça no século XXI exige mais do que conhecimento técnico: é saber comunicar identidade, construir comunidade, valorizar o terroir do cerrado e posicionar a cachaça como produto de classe mundial. Ele é parte de uma geração que entende que o destilado brasileiro cresce quando soma propósito, excelência e visão — e que Brasília, apesar de jovem no mapa da cachaça, tem muito a dizer.
Entre experimentação, design e espírito coletivo, João Chaves se firma como um dos nomes mais promissores da nova cena da cachaça brasileira.
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