
Depois de uma noite bem dormida em Ivoti, num hotel que mais parecia um castelo europeu, continuamos nossa viagem explorando os alambiques do Rio Grande do Sul. No dia anterior, ao visitar a cachaça Weber Haus, mergulhamos na cultura de uma colônia alemã. Agora, nosso destino era Santa Tereza, uma pequena colônia italiana, onde fica o alambique do Ivandro Remus, produtor das cachaças Velho Alambique e A Locomotiva.
Santa Tereza é uma cidadezinha de 1.700 habitantes às margens do Rio Taquari, também conhecido como Rio das Antas, a apenas 70 metros acima do nível do mar. A cidade tem uma relação íntima com o rio: suas cheias periódicas fertilizam o solo, favorecendo a produção de uva e cana-de-açúcar. As serras que cercam a região ajudam a reter o calor, algo que me surpreendeu, pois não imaginava que o sul do Brasil pudesse ser tão quente.
Chegando a Santa Tereza, fui recebido por seu belo cartão postal: a Torre da Igreja Matriz, construída há 100 anos em homenagem aos primeiros colonos italianos. Essa construção imponente é uma réplica de uma torre da Igreja de San Biaggio de Calalta, na Itália, cidade irmã de Santa Tereza. A entrada da cidade oferece uma vista encantadora da torre, um convite para mergulhar em sua história.



Nosso anfitrião, Ivandro Remus, nos recebeu com entusiasmo. Ele é uma figura apaixonada pela cultura e pelas tradições locais. Antes mesmo de visitarmos seu alambique, ele nos levou para conhecer a rua principal da cidade, repleta de casarões centenários tombados como patrimônio histórico pelo Iphan. Um desses casarões foi a primeira fábrica de gaitas do Brasil, a famosa Todeschini, fundada em 1915.
A apenas 1 km do centro da cidade e a 17 km do Vale dos Vinhedos, o alambique das cachaças Velho Alambique e A Locomotiva oferece uma experiência encantadora para os amantes de destilados e vinhos. A paisagem deslumbrante, o artesanato local e a gastronomia regional tornam o passeio ainda mais especial. É fácil encontrar uma boa pousada para desfrutar de um fim de semana regado a cachaça, vinho e pratos típicos gaúchos, alemães e italianos.
Ivandro fundou a Agroindústria Remus e Bettinelli em julho de 2010, em sociedade com Paulo Bettinelli. Hoje, o alambique é gerido pelas duas famílias: Ivandro e sua esposa Viviane, Paulo, sua esposa Maria e seu filho Michel Batista Bettinelli. Essa gestão familiar imprime um toque especial à produção das cachaças, uma tradição comum no Brasil que remete às origens da bebida. Até mesmo grandes marcas como a Ypióca são fruto de produções familiares passadas de geração em geração.








Ao chegarmos ao alambique, fomos recebidos de forma calorosa. Como descendente de italianos, me senti em um típico almoço de domingo na casa da nona, com direito a macarrão caseiro e galeto, que descobri mais tarde ser pomba doméstica – uma iguaria típica da região.
Apesar de relativamente jovem, com menos de 20 anos, o alambique de Ivandro carrega uma rica tradição. A cachaça Velho Alambique foi a primeira a ser produzida e possui duas versões: um blend de madeiras como carvalho, grápia e angico, e uma versão branca, sem madeira. Já a cachaça A Locomotiva, mais recente, também apresenta essas duas versões. O nome é uma homenagem à locomotiva que atravessa a cidade e passa ao lado do alambique, criando um cenário pitoresco para os visitantes.
O alambique combina técnicas tradicionais e paixão pela cultura local, resultando em destilados que traduzem a essência da Serra Gaúcha. A visita foi uma verdadeira imersão na história e nos sabores de Santa Tereza, deixando a certeza de que voltarei para explorar ainda mais essa encantadora região.
A casa nasceu com a cachaça Velho Alambique, que sai numa versão branca e num blend de madeiras — carvalho, grápia e angico —, hoje no catálogo como Velho Alambique Blend 3 Madeiras. Mais tarde veio a linha A Locomotiva, com destaque para a A Locomotiva Prata. O catálogo do Mapa da Cachaça ainda traz a Velho Alambique Cenário e a Velho Alambique Amburana, todas com botão de compra na página do produtor Velho Alambique.
A A Locomotiva Prata é uma cachaça branca, sem passagem por madeira, boa para sentir o destilado puro da Serra Gaúcha. Já o Velho Alambique Blend 3 Madeiras descansa em carvalho, grápia e angico, ganhando cor e notas amadeiradas. Uma é o ponto de partida para quem quer sentir a cana; o outro, para quem prefere o toque da madeira.
A reportagem faz parte de uma série pela Serra Gaúcha. No dia anterior à parada em Santa Tereza, a equipe passou pela Weber Haus, de colônia alemã, e o roteiro também inclui a Casa Bucco, em Bento Gonçalves. São paradas vizinhas para montar um fim de semana de cachaça e vinho na região.
Depois do maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul, o Mapa da Cachaça publicou um apelo de apoio aos alambiques gaúchos atingidos. Vale acompanhar para saber como ajudar os produtores da Serra Gaúcha, região onde fica o Velho Alambique.

Visitas a produtores e avaliações do painel — toda semana, sem spam.