A cachaça é tradicionalmente produzida por uma único destilação (monodestilada), mas alguns produtores adotam a técnica da destilação dupla, ou bidestilação, que consiste em realizar o processo de destilação duas vezes consecutivas. Este método é amplamente utilizado em bebidas como uísques, conhaques e brandies, que valorizam os aromas terciários adquiridos durante o envelhecimento em barris de carvalho. Diferentemente, a vodka, com seu perfil neutro, passa por múltiplas destilações, frequentemente excedendo quatro etapas.
No caso da cachaça, a destilação pode ser feita em colunas de inox ou em alambiques de cobre. As colunas permitem uma produção em larga escala, utilizando uma estrutura composta por pratos sobrepostos. Cada prato separa as frações do líquido com base no teor alcoólico, dispensando cortes manuais e produzindo o que se denomina multidestilado. Já os alambiques são usados em produções artesanais, em bateladas, exigindo a separação manual das frações cabeça, coração e cauda, essenciais para garantir a qualidade sensorial da bebida.




A bidestilação em alambique é uma técnica que busca reduzir compostos indesejáveis, como congêneres e contaminantes, enquanto concentra o teor alcoólico e torna a cachaça mais suave. No processo, a primeira destilação resulta no “flegma” (ou low wines), um líquido de baixo teor alcoólico, enquanto a segunda destilação, realizada com cortes precisos das frações, gera um destilado mais puro e concentrado. A execução adequada requer conhecimento técnico por parte do mestre alambiqueiro, que deve calcular volumes, diluições e cortes com precisão.
O resultado da bidestilação é uma bebida geralmente com teor alcoólico acima de 48%, classificada como aguardente. Pesquisas indicam que cachaças monodestiladas apresentam maiores concentrações de compostos como ácido acético, aldeído acético e álcoois superiores, enquanto aguardentes bidestiladas são mais neutras, tornando-se ideais para envelhecimento prolongado em barris.
A escolha entre a monodestilação e a bidestilação na produção da cachaça reflete as intenções do produtor e o estilo desejado para a bebida. Enquanto a monodestilação preserva aromas mais complexos e autênticos da cana e do processo de fermentação, a bidestilação oferece um perfil mais suave e neutro, ideal para envelhecimentos prolongados e composições sensoriais amadeiradas. Ambas as técnicas, quando bem executadas, demonstram a versatilidade da cachaça e sua capacidade de se adaptar a diferentes paladares e processos criativos.
A Cachaça Brasilchik Carvalho Americano Extra Premium é uma cachaça bidestilada, artesanalmente produzida na Estância Climática da Serra Bragantina, em São Paulo, e envelhecida por 6 anos em barris de carvalho americano de primeiro uso, importados dos EUA. Com 40% de graduação alcoólica, apresenta um perfil sensorial sofisticado, combinando notas de coco, baunilha e toffee, além de toques sutis de tabaco e marzipan, resultando em uma experiência aveludada e um retrogosto persistente. Seu processo rigoroso de produção e envelhecimento garante suavidade, profundidade e personalidade únicas.
A Cachaça Santo Mario Prata é bidestilada em pequenos lotes e descansa por 6 meses em dornas de inox, resultando em uma bebida suave, com notas herbais e o dulçor característico da cana crua, destacando-se pela pureza e leveza em cada gole.
A Cachaça Casa Bi Bucco Ouro é uma cachaça bidestilada, envelhecida por 12 meses em barris de carvalho, resultando em uma bebida leve, com 39% de teor alcoólico. Seu aroma sutil de baunilha complementa seu sabor equilibrado com o teor alcoólico ameno, oferecendo uma experiência harmoniosa.
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O Mapa da Cachaça é um projeto cultural e educativo criado com o objetivo de divulgar e valorizar a cachaça, que é um patrimônio cultural e um dos símbolos da identidade brasileira.
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