Quando criamos o Mapa da Cachaça, nossa principal motivação era poder viajar por todo o Brasil, explorando e compartilhando a riqueza dessa bebida tão representativa da nossa cultura. Inicialmente, as viagens aconteciam apenas nos finais de semana, e o projeto cachaceiro era, para nós, mais um hobby, uma paixão que nos acompanhava nos momentos livres.
No entanto, à medida que o Mapa foi amadurecendo, as viagens passaram a ocupar mais o nosso tempo e, pouco a pouco, o hobby se transformou em trabalho. Contudo, o que não mudou foi a diversão e a satisfação de estar imerso nesse universo fascinante da cachaça artesanal. Graças a essa bebida, conhecemos lugares incríveis, desde cidades pequenas e charmosas do interior do Brasil, como Rio das Flores, no Rio de Janeiro, até capitais, como João Pessoa, na Paraíba. E, claro, as viagens pelo Brasil continuam, sempre nos levando a novas descobertas.
Nosso destino mais recente foi Berlim, onde tivemos a honra de apresentar mais uma palestra sobre a cachaça de alambique. Ao longo dos últimos anos, temos recebido convites para levar o Mapa da Cachaça para o exterior. Já estivemos em Milão, para o Rumday; em Nova Orleans, no Tales of the Cocktail; e no mês passado, fomos a Berlim e Londres para participar do Bar Convent Berlin, da London Cocktail Week e do London Rumfest.
Em cada uma dessas apresentações, abordamos temas relacionados à cultura, à história, à produção e aos sabores da cachaça de alambique. Talvez alguns se perguntem por que não falamos sobre as cachaças produzidas em grande escala, destiladas em colunas de inox, nesses eventos. A resposta é simples: desde o início do Mapa da Cachaça, em 2010, nosso foco tem sido nas cachaças que são feitas com canas selecionadas, fermentação natural e destilação em panelas de cobre. Para nós, se o objetivo é promover a cultura e o sabor, não poderia ser diferente.
Os eventos que participamos lá fora têm públicos e formatos variados, mas todos eles representam grandes oportunidades para divulgar a cachaça de alambique e, mais importante, educar tanto os consumidores quanto os profissionais da indústria de bebidas. Entre os principais participantes desses eventos, estão os bartenders, figuras essenciais em qualquer bar ou coquetelaria. Eles estão na linha de frente, em contato direto com o público, desempenhando o papel de formadores de opinião. Para eles, estar atualizados é crucial para se destacar no mercado. Se o mezcal, o rum e o gim estão em alta, a cachaça certamente será a grande novidade do futuro.
Para mostrar todo o potencial da cachaça, sempre convidamos bartenders amigos para palestrar conosco. Tive a oportunidade de contar com a parceria de grandes nomes da coquetelaria brasileira, como Tony Harion e Jean Ponce no Tales of the Cocktail, e Laércio Zulu no Bar Convent Berlin e na London Cocktail Week. Além de serem mestres na coquetelaria clássica, esses profissionais têm se dedicado ao estudo de ingredientes e receitas brasileiras, como as infusões com raízes, ervas e frutas típicas do Brasil, um tema que também pesquisamos aqui no Mapa da Cachaça. A nossa ideia é mostrar que a coquetelaria brasileira vai muito além da tradicional Caipirinha.
O Bar Convent Berlin (BCB), realizado desde 2007, é um dos maiores e mais importantes eventos de destilados do mundo. Ele acontece em uma antiga estação de trem de 1875 e reúne centenas de expositores de diversas marcas de destilados, grandes e pequenas. No BCB, todas as degustações são gratuitas, mas o ingresso não é barato, com preços em torno de 40 euros. Durante o evento, fomos surpreendidos pela diversidade de marcas, principalmente de gim. Observamos mais de 20 tipos diferentes de gim, representando países e regiões ao redor do mundo, e isso nos fez pensar até em criar um “Mapa do Gim”, já que, em Londres, visitamos duas destilarias!
Neste ano, o Bar Convent Berlin foi especialmente significativo para a cachaça, que foi o destilado escolhido como destaque do evento. Marcas de cachaça de alambique de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estiveram presentes, e o Mapa da Cachaça teve o privilégio de ser convidado para apresentar duas palestras.
O IBRAC (Instituto Brasileiro da Cachaça) também montou um stand exclusivo para a bebida, mas, infelizmente, não houve muita interação entre as iniciativas, o que poderia ter sido uma oportunidade mais rica de colaboração. Acreditamos que em eventos como esse, que visam educação e inovação, é fundamental dar mais espaço para as marcas artesanais, que nem sempre têm os recursos para criar seus próprios stands no exterior.
Durante a nossa palestra “Around Brazil in 40.000 Alembics”, apresentada ao lado de Zulu, tivemos a oportunidade de falar sobre a história do Brasil e a produção de destilados de cana, que remonta ao século XVI. Falamos sobre os diferentes polos de produção e as várias madeiras usadas para envelhecer a cachaça, e, claro, oferecemos uma degustação de cachaças de diversas regiões do Brasil, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. Mostramos também algumas infusões regionais, como a cachaça com pimenta de macaco, e preparamos dois coquetéis especiais com o Zulu.
Além disso, tivemos a chance de apresentar, de forma mais intimista, uma seleção de oito cachaças de alambique, discutindo o diferencial sensorial de cada uma. Para os participantes, distribuímos o “Cachaça Journal”, um livreto com informações sobre a cachaça e o Mapa de Aromas da Cachaça, além de fichas de avaliação sensorial.
Por fim, recebemos muitos elogios sobre nossa participação. Evandro Weber, da cachaça Weber Haus, destacou a importância do BCB para a cachaça no mercado europeu. Sandro Moraes e Pablo Melgaço, das cachaças Spiral e 1000 Montes, também elogiaram o Mapa da Cachaça, ressaltando a relevância do nosso trabalho na divulgação da cachaça artesanal. Laércio Zulu, com sua experiência como bartender, expressou que estar no Bar Convent Berlin foi uma experiência marcante para sua carreira.
Queremos agradecer ao Basti Heuser e à equipe do BCB por acreditar no Mapa da Cachaça e nas nossas pesquisas. Também agradecemos às cachaças que nos apoiaram na realização desses eventos na Europa: Yaguara, Leblon, 1000 Montes, Encantos da Marquesa, Sapucaia, Rio do Engenho, Sanhaçu, Weber Haus, Coqueiro e Santa Terezinha. Estamos ansiosos para as próximas oportunidades de continuar promovendo a cachaça de alambique no mundo!
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Em 2010, Felipe Jannuzzi fundou o Mapa da Cachaça, premiado projeto cultural com reconhecimento internacional e a principal referência sobre cachaça no mundo. Felipe é um dos sócios fundadores da Espíritos Brasileiros, empresa pioneira no mercado de produção de gin no Brasil, responsável pelo premiado Virga, primeiro gin artesanal brasileiro e o único no mundo que leva doses de cachaça na receita. Desde 2021, é um dos sócios da BR-ME, empresa especializada em produtos brasileiros, como vinhos, cafés, azeites, queijos e chocolates.