Páscoa, chocolate e cachaça: uma combinação surpreendente

  • Publicado 11 anos atrás

Descubra como harmonizar cachaças de alambique com chocolates de diferentes intensidades de cacau. Uma degustação especial reuniu especialistas para explorar combinações surpreendentes de chocolate e cachaça para a Páscoa!

A Páscoa chegou mais cedo no escritório do Mapa da Cachaça. Túlio, jornalista da Prazeres da Mesa, apareceu ontem por aqui com uma novidade (pelo menos pra mim), o Ovo Degustação da Chocolat Du Jour. Cada camada do ovo é composta por um disco de chocolate com graduações diferentes de cacau. O mix de quatro nuances de cacau 100% brasileiro vai do chocolate Ao Leite com 35% de cacau até o Amargo com 70%. O desafio então foi escolher cachaças de alambique e harmonizá-las com o Ovo Degustação.

Escolhi quatro cachaças bem diferentes uma da outra, pensando em como as madeiras usadas no envelhecimento da bebida poderiam se comportar em harmonia com o amargo, o doce e a gordura dos chocolates.

Participaram da degustação: Túlio, da Prazeres da Mesa; eu, do Mapa; Rodolfo Bob, do site O Bar Virtual; e Maurício Ayer, especialista em cachaça pelo SENAC.

As cachaças na mesa eram: Da Quinta Amburana (Carmo – Rio de Janeiro), Perfeição Carvalho (Santo Antônio do Rio Grande – Minas Gerais), Weber Haus Extra-Premium Blend de Carvalho e Bálsamo (Ivoti – Rio Grande do Sul) e Havaninha envelhecida no bálsamo (Salinas – Minas Gerais).

As combinações favoritas de chocolate e cachaça

Depois de algumas horas de conversa, cachaça e chocolate, cada participante chegou a uma combinação vencedora:

  • Túlio escolheu o chocolate 53% com a cachaça Da Quinta. Para ele, o teor alcoólico mais baixo (40%) e o doce da amburana casam perfeitamente com a proposta do chocolate – a primeira camada do Du Jour que não apresenta leite. Curiosamente, o chocolate de 53% de cacau foi o que mais agradou os participantes, mostrando-se um coringa para harmonizações com cachaça e outros destilados.
  • Bob também escolheu a combinação 53% e cachaça Da Quinta. Ele destacou como a amburana, com sua picância e especiarias, ajuda a temperar o chocolate. Comparou a experiência à de comer doces com cumaru, semente que, assim como a amburana, carrega aromas de baunilha.
  • Maurício inovou ao combinar chocolate 70% com a Weber Haus. Para ele, a melhor forma de harmonizar é primeiro comer o chocolate, deixá-lo percorrer a boca e, quando o pico de sabor passar, tomar um gole do blend de carvalho e bálsamo. A cachaça refresca e tempera o chocolate amargo sem se sobrepor a ele.
  • Eu fui para os extremos, escolhendo chocolate 70% e a Havaninha envelhecida 5 anos no bálsamo, a mais encorpada da mesa, com 48% de teor alcoólico. O chocolate seca a boca, que é em seguida regada pela acidez da cachaça, favorecendo a salivação. Para mim, a harmonização trouxe notas de anis e erva-doce, embora, depois de muito chocolate, a Havaninha tenha perdido suas notas adocicadas e especiadas, ressaltando um lado mais herbal e metálico.

Uma descoberta inusitada e perfeita

Um destaque da noite foi a cachaça Perfeição. Apesar de não ter sido a escolhida para nenhuma harmonização com chocolate, encontramos um par perfeito e inesperado para essa cachaça mineira. Depois de um breve envelhecimento em carvalho, a Perfeição preserva os aromas de uma excelente cachaça branquinha, com notas de milho e pamonha. Por sorte, tínhamos um bolo de fubá com erva-doce por perto, e Maurício foi o primeiro a notar a harmonia deliciosa entre os dois.

A Páscoa, assim como muitas outras celebrações, é muito mais divertida na infância. Mas não é porque ficamos marmanjos e barbudos que não podemos nos divertir nessas datas comemorativas. E posso afirmar sem dúvida que harmonizar cachaças e chocolates de qualidade é uma experiência deliciosa e difícil de dar errado.

A conclusão final? A Páscoa em casa este ano será muito mais divertida se repetirmos esse experimento no próximo domingo.

Feliz Páscoa!

Em 2010, Felipe Jannuzzi fundou o Mapa da Cachaça, premiado projeto cultural com reconhecimento internacional e a principal referência sobre cachaça no mundo. Felipe é um dos sócios fundadores da Espíritos Brasileiros, empresa pioneira no mercado de produção de gin no Brasil, responsável pelo premiado Virga, primeiro gin artesanal brasileiro e o único no mundo que leva doses de cachaça na receita. Desde 2021, é um dos sócios da BR-ME, empresa especializada em produtos brasileiros, como vinhos, cafés, azeites, queijos e chocolates.