A importância das mulheres na produção de cachaça

  • Publicado 1 ano atrás

Historicamente, as mulheres desempenharam um papel central na produção de cachaça. Durante o período colonial, elas assumiam a responsabilidade pelos alambiques nas pequenas propriedades enquanto os homens se ocupavam da mineração. Essa ligação ancestral é resgatada hoje por mulheres que lideram empreendimentos na produção de cachaça de alta qualidade, inovando e ganhando destaque no mercado nacional e internacional.

A pesquisadora Alessandra Trindade, autora de “Cachaça, um amor brasileiro”, reforça essa conexão ao destacar que, desde os tempos coloniais, as mulheres produziam cachaça nas fazendas, muitas vezes conciliando essa atividade com os cuidados com a casa e a família. Nos dias atuais, elas continuam a expandir sua presença nesse mercado, agora com foco na sustentabilidade e na exportação.

Dirlene Maria Pinto: cachaça Germana

Dirlene Maria Pinto é um exemplo inspirador de como transformar uma tradição familiar em um empreendimento de alcance global. Criada em uma família mineira onde a produção de cachaça era uma prática, ela acompanhou desde cedo o processo de destilação conduzido por seu pai. Com visão empreendedora, Dirlene, junto com seus irmãos, profissionalizou a produção e lançou a cachaça Germana, uma marca que carrega o charme das garrafas envoltas em palha de bananeira e a identidade da tradição mineira na taça.

Hoje, a Germana produz cerca de 100 mil litros de cachaça por ano, sendo exportada para 12 países em mercados exigentes como por exemplo, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Austrália , dentre outros. Com uma gestão e foco na exportação, Dirlene não apenas promove a cachaça em todo o Brasil e exterior, mas também fortalece a economia local de Nova União, em Minas Gerais, e valoriza a produção da cachaça de alambique desde a década de 70.

Sua atuação vai além do mercado. Dirlene é uma defensora da cachaça de alambique como símbolo cultural, turístico e gastronômico do Brasil. Ela acredita que, com investimentos em qualidade, marketing e também no turismo, a cachaça pode ocupar o mesmo patamar de reconhecimento dos vinhos e dos outros destilados do mundo.

Elk Barreto: cachaça Sanhaçu

Elk Barreto é uma das principais figuras do movimento de produção sustentável no Brasil, à frente da cachaça Sanhaçu, localizada em Chã Grande, Pernambuco. Filha de Moacir Eustáquio da Silva, Elk transformou o sonho de seu pai em uma referência de sustentabilidade no setor de cachaças. Desde o início, a Sanhaçu adotou práticas sustentáveis, como o uso de energia solar em todo o processo produtivo, a reutilização de água da chuva e o reaproveitamento de resíduos para fertilização do solo.

A cachaçaria também se destaca pelo pioneirismo em projetos de agrofloresta, promovendo o cultivo de alimentos em harmonia com a vegetação nativa da Mata Atlântica. Elk não apenas assegurou certificações importantes, como o selo Carbono Zero, mas também elevou o padrão de sustentabilidade no setor, inspirando outros produtores. Sob sua liderança, a Sanhaçu conquistou prêmios nacionais e internacionais, com destaque para a Sanhaçu Soleira, um marco para a produção nordestina.

Além dos processos produtivos, Elk valoriza a educação e a inovação como pilares de crescimento. Com parcerias com o Sebrae e outras entidades, ela e sua família investiram em conhecimento e aprimoraram cada detalhe do negócio, desde a produção até a comercialização. Hoje, a Sanhaçu é um exemplo de como sustentabilidade, turismo e qualidade podem andar de mãos dadas, fortalecendo não apenas a marca, mas todo o setor da cachaça de alambique.

Katia Alves Espírito Santo: cachaça Da Quinta

Katia Alves Espírito Santo é um dos grandes nomes no cenário da cachaça, representando a junção de tradição familiar e inovação empresarial. Criada na Fazenda da Quinta, no município de Carmo, no Rio de Janeiro, ela teve sua vida transformada ao atender ao pedido de seu pai, José Ramos Alves, para dar continuidade à produção da cachaça da Quinta que remonta à década de 1920. Formada em fonoaudiologia e com uma carreira consolidada como consultora da ONU, Katia decidiu abraçar o ofício do pai, aprofundando-se no universo da cachaça e modernizando a marca da família.

Sob sua liderança, a Cachaça da Quinta se destacou pela qualidade e inovação. A modernização do alambique e a certificação orgânica do produto foram passos importantes para posicionar a cachaça no mercado premium. Em 2013, a marca se tornou o primeiro destilado brasileiro a conquistar a medalha Grand Gold no Spirits Selection do Concurso Mundial de Bruxelas. Além disso, Katia investiu na criação de novos rótulos e na reformulação da identidade visual, que agora inclui garrafas menores e mais sofisticadas, alcançando consumidores exigentes no Brasil e no exterior.

Como presidente da Apacerj de 2011 a 2016 e atual vice-presidente, Katia desempenhou um papel crucial no fortalecimento do setor, promovendo estratégias de exportação e qualificação para produtores do estado do Rio de Janeiro. Sua atuação destaca não apenas a importância da mulher produtora na indústria da cachaça, mas também a necessidade de organização e profissionalização para elevar o status da bebida no Brasil e no mundo. Inspirada por seu legado familiar, Katia segue sendo um exemplo de visão empreendedora e dedicação à cachaça como patrimônio cultural e gastronômico.

Maria Izabel: cachaça Maria Izabel

A trajetória de Maria Izabel começou na década de 1980, quando comprou um sítio isolado à beira-mar em Paraty (RJ). Recém-divorciada e com cinco filhas para criar, ela precisou se reinventar, desempenhando diversas atividades, como vender bananas, costurar e até conduzir turistas de barco. O que começou como uma busca por independência e sustento evoluiu para a produção de uma das cachaças mais respeitadas do Brasil.

O alambique Maria Izabel nasceu quase por acaso, em 1996, quando decidiu aproveitar a cana plantada em sua propriedade. A construção foi adaptada ao terreno acidentado, utilizando a gravidade para o processo produtivo. A cachaça que leva seu nome é fruto de trabalho cuidadoso e aprendizado autodidata, com orientação pontual de produtores experientes da região.

Hoje, a cachaça Maria Izabel é reconhecida por sua qualidade, destacando-se pelo baixo índice de acidez. Produzida de maneira artesanal, a bebida utiliza exclusivamente cana cultivada no sítio, sem agrotóxicos, e com leveduras selvagens, refletindo os princípios de Maria Izabel. A produção limitada, que nunca ultrapassou 11 mil litros por ano, é envelhecida em barris de carvalho e jequitibá, garantindo características do terroir de Paraty.

Apesar das dificuldades, como a ausência de estrada e energia elétrica no início, Maria Izabel construiu uma marca forte. Seu alambique, cercado por mata preservada e com vistas para a baía de Paraty, tornou-se um ponto de visita obrigatório para os apreciadores de cachaça. Mais do que uma produtora, Maria Izabel é símbolo de resiliência e conexão com a terra, trazendo a tradição da cachaça de Paraty para o mundo.

Giovanna Mendes: cachaça Segredo Real

À frente da Cachaçaria Segredo Real, Giovanna Mendes representa a nova geração de mulheres produtoras de cachaça. Mestre alambiqueira, Giovanna lidera a produção de cachaças artesanais em Uberaba, no Triângulo Mineiro, combinando inovação e respeito às tradições.

A história da Segredo Real começou na década de 1970, quando a família iniciou a produção de cachaça, mas foi a partir de 2008, com a formalização da marca, que a produção ganhou identidade própria. Sob a liderança de Giovanna, a Segredo Real tem se destacado por práticas de cultivo sustentável e pela adoção de técnicas de agricultura regenerativa. Em seus três hectares de canavial, insumos biológicos substituem os químicos, promovendo um manejo que valoriza o equilíbrio ambiental e a saúde do solo.

A produção, limitada a 15 mil litros anuais e com meta de expansão para 25 mil litros em 2024, reflete um trabalho minucioso. A fermentação utiliza leveduras selvagens e fubá de milho para criar o pé de cuba, garantindo características únicas ds receita da Escola do Fermento Caipira à cachaça. A destilação, realizada em alambique de cobre com capacidade de 1.000 litros, é marcada pelo rigor técnico e pelo cuidado em preservar a essência da bebida.

Após a destilação, a cachaça repousa inicialmente em tanques de aço inoxidável por seis meses, antes de seguir para o envelhecimento em uma seleção variada de madeiras, incluindo jequitibá-rosa, carvalho americano, bálsamo, amburana, ipê, castanheira e peroba. 

Giovanna Mendes não apenas mantém viva a tradição familiar, mas a reinventa com um olhar atento à sustentabilidade e à qualidade. Sua atuação fortalece o papel das mulheres na produção de cachaça e reforça a relevância da Segredo Real como uma representante moderna da tradição mineira em produzir cachaça de alambique.

Laura Vicentini: cachaça SôZé

Laura Vicentini representa uma nova geração de lideranças na cachaça, combinando inovação agrícola com sustentabilidade. Além de ser a produtora da SôZé Sustainable Cachaça, Laura assumiu em 2024 a presidência da Câmara Setorial da Cachaça Paulista, trazendo novos projetos para a cachaça do estado.

Sua trajetória começou em 2016, quando fundou a Spinagro em Batatais, interior de São Paulo, uma fazenda dedicada à produção de mudas pré-brotadas de cana-de-açúcar. Em 15 hectares, a Spinagro produz 4,5 milhões de mudas anualmente. A empresa atende a pequenos produtores e grandes usinas, suprindo uma demanda crescente por variedades específicas de cana adaptadas às necessidades de produção de açúcar ou etanol.

A virada sustentável veio em 2020, quando Laura e seu marido começaram a explorar o potencial de resíduos da cana, como os toletes descartados, para produzir cachaça. Após testes bem-sucedidos, a SôZé Sustainable Cachaça foi lançada oficialmente em 2022. Reconhecida como a primeira cachaça do Brasil a utilizar partes da cana geralmente descartadas pela indústria convencional, a SôZé reflete o compromisso de Laura com práticas conscientes e sustentáveis.

A proximidade entre o campo e a destilaria permite que a cana seja processada e a cachaça envasada em apenas dois dias após o corte, garantindo frescor e qualidade. Essa abordagem inovadora já conquistou o mercado europeu, onde a bebida é valorizada por seu caráter sustentável.

Como presidente da Câmara Setorial da Cachaça Paulista, Laura lidera iniciativas como o Primeiro Concurso da Cachaça Paulista e ações estratégicas para aumentar a presença da cachaça em bares e restaurantes. Além disso, trabalha para fortalecer o turismo rural nos alambiques paulistas, promovendo a conexão entre os produtores e os consumidores.

Raquel Bonicontro: cachaça Companheira

raquel bonicontro

Raquel Bonicontro é uma das principais forças por trás da cachaça Companheira, trabalhando lado a lado com seu pai, Natanael Bonicontro, na criação dos premiados blends que tornaram a marca referência no Brasil. Desde que ingressou na empresa em 2011, Raquel tem sido fundamental para a continuidade e expansão do negócio familiar, garantindo a excelência na produção e o fortalecimento da identidade da Companheira no mercado.

Com um olhar atento à qualidade e à inovação, ela participa ativamente de todo o processo produtivo, desde a seleção da cana-de-açúcar até o cuidadoso envelhecimento da cachaça em diferentes tipos de madeira. Seu trabalho na criação dos blends contribui para a sofisticação e complexidade dos rótulos da Companheira, que conquistam cada vez mais reconhecimento.

Além de sua atuação na destilaria, Raquel foi peça-chave na criação do Festival da Cachaça de Jandaia do Sul, lançado em 2022, ajudando a consolidar a cidade como um dos grandes polos da cachaça no Paraná. Graças a esse esforço, Jandaia do Sul foi oficialmente reconhecida, em 2023, como a Capital Paranaense da Cachaça.

Célia de Mattos: cachaça Alzira e C

Celia Della Colleta

Célia Regina Miranda Della Colletta de Mattos, conhecida como Celinha Miranda, é um nome de peso na gastronomia e, agora, também no universo da cachaça artesanal. Sua trajetória, marcada pela quebra de barreiras e pela valorização das tradições brasileiras, a coloca como uma das grandes representantes femininas no mercado da cachaça de alambique.

Natural de Barra Bonita, no interior de São Paulo, Celinha cresceu em um ambiente onde a culinária e a cachaça faziam parte das celebrações familiares. Essa conexão com as raízes brasileiras foi a base para sua carreira de sucesso. Ganhando reconhecimento internacional na gastronomia, Celinha se tornou a primeira mulher admitida na Academia de Culinária da França em 140 anos, destacando-se pela autenticidade de seus pratos e pelo resgate de ingredientes nacionais.

De volta ao Brasil, Celinha expandiu sua atuação para o universo da cachaça ao assumir a destilaria Octaviano Della Colleta ao lado de seu marido, Gustavo. Nessa nova empreitada, ela une sua expertise gastronômica à produção da bebida, trazendo um olhar inovador para a cachaça artesanal. Seu trabalho é pautado pela qualidade, pelo respeito às tradições e pela busca por elevar a percepção da cachaça como um destilado nobre, tanto no Brasil quanto no exterior.

Ana Marta Sátyro: cachaça Mineiriana

Ana Matha Satyro

Ana Marta Guimarães Sátyro, formada em Química, tem se destacado como uma das principais pesquisadoras e empreendedoras no universo da cachaça de alambique. Seu envolvimento com a bebida começou como consumidora entusiasta, mas logo evoluiu para um papel fundamental na produção e regulamentação do setor.

A convite de um amigo, Ana Marta assumiu a responsabilidade técnica da Cachaça Mineiriana, localizada na zona rural de Ipoema, distrito de Itabira. Seu comprometimento com a qualidade e conformidade da produção permitiu que a marca conquistasse importantes avanços. Sob sua liderança técnica, a Mineiriana está legalizada desde 2003, com renovações periódicas de registro que garantem sua expansão no mercado nacional e internacional.

Além de seu papel como sócia da Mineiriana, Ana Marta tornou-se uma consultora respeitada, auxiliando outros produtores na adequação de processos, certificação e melhoria da qualidade da cachaça. Sua atuação tem sido essencial para que diversos alambiques alcancem padrões de excelência, participem de concursos e obtenham certificações de órgãos como o IMA e o Inmetro, agregando valor à produção artesanal.

Combinando conhecimento técnico, visão empreendedora e paixão pela cachaça, Ana Marta Guimarães Sátyro segue impulsionando o setor, consolidando sua relevância tanto na pesquisa quanto no desenvolvimento do mercado da cachaça de alambique.

Maíra Campanari

Maíra Campanari é uma jovem empreendedora e guardiã da tradição familiar na produção de cachaça artesanal. Filha de Antonio Sérgio “Neno” Campanari, ela representa a nova geração da família, que abraçou a missão de preservar e modernizar o legado centenário dos Campanari. Formada em matemática pela UNICAMP e em economia pela PUCC, em Campinas, Maíra optou por retornar a Monte Alegre do Sul para trabalhar ao lado do pai no alambique da família.

Além de atuar diretamente na produção, Maíra tem sido fundamental na divulgação da cachaça Campanari, conectando a tradição artesanal ao mundo digital. Com posts e reels nas redes sociais, ela amplia o alcance da marca, atraindo um público interessado em histórias autênticas e sabores únicos. Seu trabalho demonstra como a nova geração está preparada para equilibrar a preservação da cultura da cachaça com a inovação, garantindo que o legado dos Campanari continue vivo e relevante.

Isabel da cachaça Princesa Isabel

Maria Izabel e neta

Maria Isabel de Moraes, conhecida como Isabel, é uma mulher de múltiplos talentos e papéis. Mãe de três filhos — Gabriela, Pedro e Clara — e avó de três, Isabel divide seu tempo entre a família e o alambique da Cachaça Princesa Isabel, localizado na Fazenda Tupã, em Linhares, Espírito Santo. Casada há 36 anos com Adão Cellia, ela brinca que ainda é chamada de “princesa”, uma homenagem que deu nome à premiada cachaça produzida pela família.

Isabel é uma figura central na engrenagem familiar que mantém o negócio em funcionamento. Enquanto o marido, Adão, é o visionário e empreendedor por trás da expansão da produção de destilados, ela assume um papel mais prático e operacional. Descreve-se como “mão na massa”, preferindo estar envolvida diretamente nas atividades do dia a dia a ficar em um escritório. Sua habilidade em lidar com detalhes e cuidar de tudo com carinho foi desenvolvida ao longo da maternidade, onde sempre foi uma mãe presente e parceira.

A trajetória de Isabel na produção de cachaça começou como um sonho do marido, que queria reviver as memórias da infância em um alambique. Apesar de inicialmente achar a ideia uma “loucura”, ela apoiou Adão e se envolveu profundamente no projeto. Juntos, viajaram pelo Brasil para aprender sobre a produção artesanal de cachaça e fizeram cursos para se tornarem mestres alambiqueiros. Isabel, que também é técnica em edificações, acompanhou toda a construção do alambique, que começou em 2005 e foi concluída em 2011.

Amanda Campos Vercesi: cachaça Urucuiana

Amanda Campos Vercesi é uma produtora de cachaça artesanal e empreendedora que combina tradição, inovação e um forte compromisso com a qualidade e segurança alimentar. Nascida em 1999, ela cresceu envolvida no mundo da cachaça, aprendendo com o Sr. Luiz, pioneiro da cachaça Urucuiana, em Buritis-MG. Em 2020, assumiu formalmente a gestão da produção, após anos de dedicação e estudos na USP de São Carlos, onde focou em química e segurança alimentar. Desde 2012, a cachaça Urucuiana é produzida sem carbamato de etila (substância cancerígena) e com níveis controlados de acetato de etila, garantindo um produto mais saudável e seguro.

Como master blender, Amanda é responsável por manter a consistência e a qualidade da cachaça, um dos maiores desafios do setor. Ela investiu em técnicas avançadas, estudando na UFLA durante sua pós-graduação, para garantir que as variações entre lotes sejam imperceptíveis. Sob sua liderança, a produção foi modernizada com alambiques de cobre e novos barris de envelhecimento, enquanto manteve os métodos tradicionais, como o uso de leveduras selvagens e o controle rigoroso da fermentação. A cachaça é envelhecida por no mínimo três anos em barris de madeiras nobres, como amburana e jequitibá-rosa, resultando em um produto de alta qualidade e sabor único.

Amanda também se destaca por sua visão sustentável e inovadora. A fazenda, que produz cachaça entre julho e agosto, também cultiva cacau e seringueira, aproveitando as estações do ano para otimizar a produção. Seu trabalho vai além da produção: ela representa a nova geração de produtores que valorizam o terroir brasileiro, unindo tradição e ciência para criar uma cachaça artesanal que é referência em qualidade e autenticidade. Amanda não apenas preserva o legado do Sr. Luiz, mas também o expande, consolidando a cachaça Urucuiana como um produto premium no mercado nacional.

Iliada Terra: cachaça Cana e Lua

Ilíada Terra

Ilíada Terra é a filha de Homero e Selma Terra, representante da nova geração da família Terra, que carrega consigo o legado de uma tradição centenária na produção de cachaça artesanal. Nascida e criada no ambiente da Fazenda Sol Nascente, em Alterosa, Minas Gerais, Ilíada cresceu imersa na cultura da cana-de-açúcar e nos valores familiares que permeiam a produção da cachaça Cana, marca que simboliza a dedicação e o amor de sua família pela arte da destilação.

Desde cedo, Ilíada demonstrou interesse e aptidão para os segredos da produção da cachaça, aprendendo com os pais os detalhes do processo, desde o cultivo da cana até o envelhecimento em barris de madeira. Em 2003, quando sua mãe, Selma Terra, inspirou-se ao contemplar o canavial sob a luz da lua e batizou a cachaça como “Cana”, Ilíada testemunhou o nascimento de um símbolo que unia a história da família à identidade de Minas Gerais. O rótulo da cachaça, que incorpora o mapa do Estado e elementos históricos do século XIX e XX, reflete a conexão profunda da família com suas raízes e a fazenda centenária.

Assumindo o compromisso de ser a mestre de adega da cachaça familiar, Ilíada Terra representa a continuidade de um legado que valoriza a qualidade, a tradição e a inovação. Com um olhar atento às demandas contemporâneas, ela busca equilibrar a preservação dos métodos artesanais com técnicas modernas, garantindo que a cachaça Cana mantenha sua excelência e autenticidade.

As mulheres da cachaça, muito além da produção

A evolução do mercado da cachaça não seria a mesma sem a contribuição de outras mulheres que, cada uma à sua maneira, têm desempenhado papéis decisivos.

No mercado de produção, outras produtoras como Viviane Bassi, com sua Cachaça Bassi, Cris Amin, uma das criadoras da Cachaça Tiê e Ana Marta Satyros, da Mineiriana, também contribuem para a valorização da cachaça de alambique, reforçando a presença feminina na produção de bebidas de alta qualidade.

O meio acadêmico também conta com mulheres de destaque, como a Dra. Maria da Graças Cardoso, da Universidade Federal de Lavras, Dra. Aline Bortoletto, a Ana Carolina Corrêa e a Amanda de Andrade, da USP de Piracicaba, que se dedicam a pesquisas sobre a cadeia produtiva da cachaça, assim como a Dra. Amazile Biagioni Maia e Lorena Marinho, do LAMB em Belo Horizonte, que investigam as várias etapas da produção da bebida, desde o cultivo da cana até a destilação.

A designer Mariana Jorge também se destaca ao explorar a criatividade brasileira nos rótulos de cachaça. Seus artigos, disponíveis no Mapa da Cachaça, analisam como os rótulos retratam a geografia, história e cultura popular do Brasil, contribuindo para a valorização estética da bebida.

No cenário da gastronomia e da coquetelaria, mulheres têm mostrado todo o potencial da cachaça. Carolina Correia Bastos, dona do Restaurante Jiquitaia, Luisa Saliba, à frente do Rota do Acarajé, são uma das grandes defensoras da cachaça e da culinária e da gastronomia brasileira. As bartenders Jessica Sanches, Talita Simões e Adriana Pino também têm se destacado pela maneira como exploram os sabores e a versatilidade da cachaça em coquetéis. As sommeliéres Leticia Nöbauer, Isadora Bello Fornari e Ana Laura Guimarães têm sido fundamentais no ensino sobre o consumo consciente da cachaça, ajudando a promover a bebida como um destilado de alta qualidade, rico em complexidade sensorial.

Essas e tantas outras mulheres são verdadeiras pioneiras que têm contribuído de maneira significativa para a valorização da cachaça como patrimônio cultural e para o avanço do mercado da bebida no Brasil e no mundo. Seja na produção, no campo acadêmico, no design ou na gastronomia, elas estão transformando o setor, trazendo inovação, tradição e respeito pela história da cachaça, ao mesmo tempo em que reafirmam a importância do empoderamento feminino no segmento.

Em 2010, Felipe Jannuzzi fundou o Mapa da Cachaça, premiado projeto cultural com reconhecimento internacional e a principal referência sobre cachaça no mundo. Felipe é um dos sócios fundadores da Espíritos Brasileiros, empresa pioneira no mercado de produção de gin no Brasil, responsável pelo premiado Virga, primeiro gin artesanal brasileiro e o único no mundo que leva doses de cachaça na receita. Desde 2021, é um dos sócios da BR-ME, empresa especializada em produtos brasileiros, como vinhos, cafés, azeites, queijos e chocolates.