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Santo Grau: a marca que preserva a essência dos engenhos históricos e inova com cachaças raras

Conheça as linhas clássica, reserva e cachaças raras da Santo Grau, que preservam a tradição dos engenhos históricos e inovam com o envelhecimento em barris de Jerez
Linha das cachaças Santo Grau - clássica, reserva e cachaças raras

Conheça as linhas clássica, reserva e cachaças raras da Santo Grau, que preservam a tradição dos engenhos históricos e inovam com o envelhecimento em barris de Jerez

Quando se fala em cachaça, Santo Grau é como uma família de tradições, com cada garrafa representando um membro distinto. “Não se pede Santo Grau apenas pelo nome: ela tem nome e sobrenome”, explica Lívia Teixeira, gerente de marketing do grupo Natique Osborne, dona dos rótulos da marca Santo Grau. “Você tem que pedir uma cachaça Santo Grau Coronel Xavier Chaves, uma Santo Grau Reserva Paraty ou uma Santo Grau Pedro Ximenes, por exemplo”. 

Desde sua criação, a Santo Grau tem como objetivo reunir e levar ao mercado cachaças que respeitam a rica herança histórica e cultural do país, mas também apresentam a diversidade regional e sensorial de pequenos engenhos da região sudeste do Brasil, valorizando produtores familiares com cachaças de alambique em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Além das regiões geográficas diferentes, traz a história e a cultura de cada família.

A marca se destaca por engarrafar cachaças de produtores reconhecidos por sua qualidade e dedicação ao ofício, como o Engenho Santo Grau Coronel Xavier Chaves (MG), datado de 1755, sendo um dos mais antigos em funcionamento no país; o Engenho Santo Grau Paraty (RJ), que começou a funcionar em 1803, sendo a família mais antiga a produzir cachaça na cidade fluminense; e o Engenho Santo Grau Itirapuã (SP) que destila história em cachaça desde 1860, sendo considerado o mais antigo em funcionamento do estado de São Paulo.

Essa curadoria meticulosa garante que cada garrafa não seja apenas uma cachaça de alambique, mas uma representação da cultura e do terroir dessas regiões ou como a família Santo Grau costuma dizer: cachaça de origem. “Somos como uma espécie de selo de garantia de cachaça boa. A origem é onde tudo começa e é o que faz toda a diferença”, afirma a gerente de marketing da Santo Grau.

Ao engarrafar produtos de engenhos históricos, a Santo Grau preserva técnicas ancestrais, como a fermentação espontânea com a utilização do fermento caipira e leveduras autóctones selvagens, mas também contribui para a sustentabilidade econômica das regiões envolvidas.

“Nosso propósito vai além da comercialização. Queremos aproximar esses produtores das pessoas e contar a história de cada um deles, transmitir a paixão e o trabalho que estão por trás de cada garrafa”. 

Lívia Teixeira, gerente de marketing da Santo Grau

Entenda a diversidade da Santo Grau

Instantaneamente reconhecível hoje, a marca Santo Grau em sua forma atual existe desde a década de 1990. E ganhou maior expressão em 2013, quando se associou ao grupo espanhol Osborne. A parceria reconheceu que a chave para o sucesso era continuar o que tornou a Santo Grau valorizada em primeiro lugar: seu engarrafamento de pequenos e históricos engenhos. Mas também inovou ao introduzir os barris de Jerez no envelhecimento das cachaças – a Osborne é uma empresa especializada em vinhos e destilados, especialmente o Brandy de Jerez.

A Santo Grau se orgulha de engarrafar a essência de produtores tradicionais, oferecendo a riqueza dessas regiões. São três linhas principais: as cachaças clássicas, a linha reserva e as cachaças raras, cada uma com suas particularidades.

A linha Santo Grau Clássica

Linha Santo Grau Clássica

A linha clássica, composta pelas cachaças de Coronel, Paraty e Itirapuã, é a base da marca, representando o que de melhor esses lugares têm a oferecer. Esses rótulos trazem a essência da cachaça, e a marca disponibiliza um kit que inclui todas as três para que os apreciadores possam vivenciar o início dessa jornada, identificando as singularidades de cada produtor.

Cachaça Santo Grau Coronel Xavier Chaves

“Ao degustar a Santo Grau Coronel Xavier Chaves, uma cachaça fermentada com leveduras selvagens e fubá de milho, ficou claro para mim que ela representa bem a Escola do Fermento Caipira, mantendo as características tradicionais de uma branquinha mineira. O uso de leveduras selvagens e fubá no processo de fermentação traz uma autenticidade que faz toda a diferença.

Essa Santo Grau é incolor e apresenta lágrimas moderadas. No aroma, destaco a presença de frutas cristalizadas, milho verde e figo seco, que trazem um perfil adocicado e vegetal. Há também um toque de bagaço e flor de laranjeira, adicionando frescor ao conjunto.

Na boca, a sensação é de corpo médio, com uma pegada fresca. A picância é notável, mas está bem integrada com o álcool, que, apesar de aparente, não domina ou incomoda. No paladar, surgem notas vegetais e de castanhas, acompanhadas por um toque cítrico de lima e um leve caráter medicinal.

O final é médio, salivante e com uma agradável nota amendoada, que convida a mais um gole. Essa cachaça é uma boa opção para quem deseja explorar o estilo da Escola Caipira, pois oferece uma versão mais amena, menos alcoólica do que muitas dessa escola, mas sem deixar de lado a complexidade e o caráter rústico que definem essa tradição mineira”, por Felipe Jannuzzi.

A linha Santo Grau Reserva

linha santo grau reserva Santo Grau: a marca que preserva a essência dos engenhos históricos e inova com cachaças raras

A linha reserva Santo Grau, lançada em 2019, apresenta cachaças envelhecidas em barris de carvalho, que proporcionam um equilíbrio entre a suavidade da bebida e as nuances da madeira, oferecendo uma experiência de degustação sofisticada. Os engenhos de Paraty e Itirapuã têm suas versões exclusivas: a Santo Grau Velha Guarda Reserva Itirapuã, envelhecida em carvalho francês e em barris de carvalho americano que anteriormente armazenaram vinhos fortificados da Osborne, e a Santo Grau Velha Guarda Reserva Paraty, maturada em carvalho francês.

“Avaliei a Santo Grau Velha Guarda Reserva Paraty, e posso dizer que essa cachaça realmente faz jus à tradição da cachaça paratiense. Com 18 meses de armazenamento em tonéis de carvalho francês, ela mantém a essência da cana, sem perder a identidade da cachaça branca, mesmo com o toque da madeira.

Visualmente, apresenta uma cor palha, meio brilhante, com lágrimas moderadas, sugerindo boa viscosidade. No nariz, o aroma é predominantemente vegetal, com aquela característica fermentada e adocicada da cachaça jovem. As notas de frutas cristalizadas e vinho de cana são evidentes, acompanhadas por um toque de melado e uma presença cítrica de tangerina. A madeira contribui com nuances mais terrosas, como maresia e cogumelo, e traz um interessante aroma de banana-passa.

Na boca, o corpo é médio, com uma sensação agradável de boca cheia. Senti um leve amargor que complementa o adocicado e amendoado presentes. O sabor é equilibrado, com a madeira aparecendo um pouco mais do que no aroma, mas ainda de forma sutil. Surgem também toques de baunilha, caramelo e castanha, que adicionam mais camadas.

O final é médio e traz uma doçura vegetal característica de Paraty, com um leve amadeirado que não sobrepõe a personalidade marcante da cana. Essa cachaça é fiel à tradição de Paraty, onde a vocação é valorizar os aromas e sabores naturais da cana, mantendo o frescor da cachaça branca e um toque sutil da sofisticação do envelhecimento em carvalho”, por Felipe Jannuzzi.

Cachaça Santo Grau Reserva Paraty

A linha Santo Grau Cachaças Raras

 Santo Grau Cachaças Raras

No entanto, é na linha das cachaças raras que a Santo Grau inovou mais fortemente. Pioneira no uso de barris de vinho de Jerez para o envelhecimento da cachaça no Brasil, a marca se destacou ao introduzir um sistema de soleira, uma técnica tradicional na Espanha para produção de vinhos e destilados. Essa abordagem permite que barris com cachaça de menor tempo de envelhecimento se misturem a barris de cachaça com mais tempo de envelhecimento para ganhar complexidade. 

O projeto começou a tomar forma há dez anos, quando a Natique se associou à Osborne, trazendo para o Brasil a experiência e a tradição dos vinhos de Jerez. Os barris utilizados para o envelhecimento são essenciais para a criação das cachaças raras. O processo envolve barricas que anteriormente abrigavam vinhos Pedro Ximenes, com Santo Grau PX, e Oloroso, com Santo Grau Solera Cinco Botas, proporcionando um perfil de sabor único e sofisticado. A linha rara é produzida, por enquanto, apenas no engenho de Itirapuã.

GARRAFA SANTO GRAU SOLERA P Santo Grau: a marca que preserva a essência dos engenhos históricos e inova com cachaças raras

“Quando abro uma garrafa da safra 2015 da Santo Grau PX, a primeira coisa que noto é a cor caramelo-escuro, que brilha na taça. Ao girá-la, as lágrimas escorrem lentamente, formando um rosário moderado. No nariz, os aromas começam a se revelar: notas torradas de chocolate e cereais ganham destaque, seguidas por um toque adocicado que me faz lembrar de xarope de fruta e mel.

Ao provar, os sabores de frutas secas, como figo e uva-passa, típicos do Jerez, se sobressaem e envolvem o paladar, com uma acidez leve e uma sensação alcoólica suave. A textura aveludada se espalha pela boca, proporcionando uma sensação cheia e envolvente. No fundo, o amadeirado intenso aparece, seguido por um retrogosto prolongado com mais presença de frutas secas.

É uma experiência única, de uma cachaça naturalmente adoçada pelo Jerez impregnado na madeira, que captura a essência dessa primeira safra, com maior presença do vinho espanhol”, por Felipe Jannuzzi. Veja mais

Novas perspectivas das cachaças Santo Grau

Compreendendo que a cultura da cachaça é dinâmica, composta por variáveis que podem mudar ao longo do tempo, uma das novidades recém-anunciadas pela marca é a entrada do alambique de Coronel Xavier Chaves no universo das cachaças envelhecidas.

A primeira delas é a Santo Grau Reserva Amontillado: que combina a tradição das cachaças brancas mineiras com o envelhecimento em barris que antes receberam vinhos de Jerez Amontillado, na Espanha, sendo a primeira cachaça envelhecida do alambique mineiro. O processo do vinho Jerez Amontillado inclui o envelhecimento inicial sob leveduras (flor), passando depois por um estágio oxidativo nos barris de carvalho, que trazem posteriormente para a cachaça notas salinas e minerais.

Santo Grau Reserva Amontillado Santo Grau: a marca que preserva a essência dos engenhos históricos e inova com cachaças raras

A Santo Grau não é apenas uma cachaça; é uma coletânea de histórias e tradições que se entrelaçam sob um mesmo nome. Com essa diversidade de linhas, a Santo Grau enfrenta o desafio de familiarizar o consumidor sobre a riqueza de sua oferta. Cada cachaça traz um legado de história, terroir e técnicas de produção que são exclusivas de sua origem. Portanto, ao escolher uma Santo Grau, o apreciador não está apenas optando por uma bebida; ele está adquirindo uma parte da tradição e da cultura de engenhos singulares. 

À medida que a Santo Grau continua a se expandir, outras regiões começam a aparecer como promissoras para futuras explorações. Embora não haja negociações concretas no momento, as possibilidades são animadoras. “A flexibilidade da marca é uma de suas grandes qualidades”, diz Lívia, ao comentar que essa característica vem permitindo a criação de cachaças em novas madeiras e métodos de envelhecimento que podem levar a novas experiências. Será que vem por aí mais cachaças raras?

Perguntas frequentes

Descubra mais

Por onde começar a conhecer as cachaças Santo Grau?

A linha clássica é a porta de entrada: a marca reúne num kit as cachaças de alambique que dão a base da Santo Grau, entre elas a Santo Grau Clássica Paraty e a Santo Grau Clássica Itirapuã, cada uma expressando o terroir de um engenho histórico. São brancas que mostram o destilado antes das madeiras e dos barris de Jerez que definem as linhas seguintes.

Qual a diferença entre a Santo Grau Pedro Ximenes e a Solera Cinco Botas?

As duas são cachaças raras envelhecidas em barris que vieram do vinho de Jerez, mas em barricas diferentes. A Santo Grau Pedro Ximenes amadurece em barris que antes guardaram o doce vinho Pedro Ximenes, enquanto a Santo Grau Solera Cinco Botas vem de barricas de Oloroso e passa pelo sistema de soleira, técnica espanhola em que cachaças de idades diferentes se misturam para ganhar complexidade.

A Santo Grau tem alguma cachaça envelhecida do engenho de Coronel Xavier Chaves?

Sim. A Santo Grau Reserva Amontillado é a primeira cachaça envelhecida do alambique mineiro de Coronel Xavier Chaves: a branca descansa em barris que na Espanha guardaram o vinho de Jerez Amontillado, que devolvem notas salinas e minerais. O lançamento marca a entrada desse engenho histórico no universo das cachaças de madeira da marca.

Que drinques levam cachaça Santo Grau?

Os rótulos raros rendem releituras de clássicos: há uma versão de Negroni feita com a Santo Grau PX, um Manhattan com a Santo Grau Solera Cinco Botas e um Mojito com releitura em cachaça Santo Grau. São drinques que aproveitam o perfil amadeirado e a herança de Jerez dessas cachaças.

Produtor deste artigo

natique santo grau itirapuã
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Santo Grau

Coronel Xavier Chaves, MG
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O autor

Ana Paula Palazi
Autor · Comunidade Mapa da Cachaça
Ana Paula Palazi é jornalista pela PUC-Campinas, mestra em Divulgação Científica e Cultural e especialista em Jornalismo Científico pela Unicamp. Atuou por dez anos como produtora e repórter de telejornal. Foi repórter de rede em emissora afiliada da Record TV, de 2016 a 2020. É produtora de conteúdo, atuando em trabalhos sobre cachaça, inovação e empreendedorismo.
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