

Manoel Rômulo Cembranelli foi o fundador da Cachaça Mato Dentro e um dos personagens mais marcantes da história recente da cachaça paulista. Advogado de formação e paulistano de origem, encontrou no campo o seu verdadeiro território afetivo ao se mudar para São Luiz do Paraitinga em busca de simplicidade: livros, pássaros, família e tempo.
Foi ali, no Sítio São Paulo, que aos 60 anos descobriu a alegria de destilar. Sem experiência prévia, adquiriu um pequeno alambique usado — pago com duas novilhas — e decidiu aprender tudo o que não sabia. Estudioso incansável, mergulhou nos raros livros disponíveis sobre cachaça e aproximou-se do pesquisador Fernando Valadares Novaes (USP), com quem desenvolveu uma amizade que moldou seu conhecimento técnico.
O que começou como um hobby para reunir amigos se transformou na Cachaça Mato Dentro, um projeto guiado pela curiosidade, pela qualidade e por um profundo respeito à terra. Rômulo nunca buscou grandes volumes ou estratégias de marketing: sua ambição era fazer uma cachaça honesta, afetiva e bem-feita — e isso acabou chamando a atenção dos maiores especialistas do país.
Carismático e generoso, “Seo Rômulo” tinha no alambique sua rotina diária e seu prazer mais simples. Caminhar até o barracão, observar o lago e conversar com visitantes era, para ele, a própria definição de felicidade. Seu neto Daniel costuma dizer que “a cachaça deu ao meu avô pelo menos vinte anos a mais de vida”.
Rômulo faleceu em 2019, aos 94 anos, deixando um legado que segue vivo nas mãos de seus filhos e netos. A destilaria, hoje modernizada e reconhecida nacionalmente, continua guiada pelos valores que ele plantou: curiosidade, humildade, cuidado artesanal e amor pela cachaça.

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