O coquetel De Volta pra Minha Terra é uma homenagem carregada de gratidão e saudade. Dedicado a todos os restaurantes nordestinos onde Leandro Batista trabalhou ao longo de sua carreira — Mocotó, Restaurante Barnabé, Nação Nordestina e A Casa do Norte LM —, este drink celebra as pessoas que foram fundamentais em sua história pessoal e profissional. A maioria desses estabelecimentos tem donos e funcionários nordestinos, pessoas que ensinaram muito e deixaram marcas profundas. Os ingredientes desta receita são uma tradução líquida dessa conexão com o Nordeste: caju, rapadura e cachaça pernambucana.
A receita utiliza a cachaça Sanhaçu, produzida pelo Alambique Sanhaçu na cidade de Chã Grande, em Pernambuco, na Zona da Mata pernambucana, a 85 km de Recife. A história da Sanhaçu remonta aos anos 1990, quando Moacir Barreto Silva, após se aposentar da Marinha, mudou-se para o interior de Pernambuco com sua esposa Glória. Lá, adquiriram um sítio e foram pioneiros no movimento de agricultura orgânica no estado, dedicando-se ao reflorestamento com mata nativa e árvores frutíferas. O nome da cachaça homenageia o sanhaçu, ave que habita a propriedade e simboliza a biodiversidade preservada pela família. A fermentação é realizada com leveduras selvagens ao som de música clássica, chorinho e bossa-nova, um processo que dura entre 20 e 22 horas.
O caju, fruta-símbolo do Nordeste brasileiro, é o protagonista deste coquetel. Cortado em cubos e macerado com a rapadura derretida, o pseudofruto libera seu suco adstringente e aromático, que se mistura com a doçura rústica da rapadura. Essa combinação é profundamente nordestina: o caju, abundante nos cajueiros que pontilham a paisagem do sertão e do litoral, e a rapadura, derivada da cana-de-açúcar que é a base da própria cachaça, formam um duo de sabores que conta a história de uma região inteira.
O limão tahiti, adicionado em uma segunda etapa de maceração mais suave, traz a acidez necessária para equilibrar a doçura da rapadura e realçar os sabores do caju. A técnica de macerar o caju primeiro com a rapadura, e só depois adicionar o limão, garante que cada ingrediente contribua com o máximo de seu potencial, sem que um se sobreponha ao outro.

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Leandro Batista é sommelier de cachaça, com uma carreira iniciada no restaurante Mocotó. Especialista em cachaça, é proprietário das marcas Leandro Basta e Umas e Outras, e lidera o projeto “Cachaça na Quebrada”, que promove a cultura da cachaça nas periferias de São Paulo.
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