
Cachaça de alambique não é só para o copo. É o que mostra a parceria entre a cachaça Divina Cana, de Três Pontas (MG), e o Bento Doce, doceria e cafeteria da chef confeiteira Ariana Bento, em Lavras, no sul de Minas.
O encontro entre as duas marcas ganhou forma no Festival Arte, Cultura e Sabores 2026, promovido pela Prefeitura de Lavras. O tema do ano era a Copa do Mundo: cada um dos 16 estabelecimentos do circuito gastronômico representou um país, com uma receita inédita inspirada no futebol e temperada com elementos da cozinha mineira. O Bento Doce ficou com o Brasil — e não teve dúvida sobre qual ingrediente colocaria a bandeira na mesa: a cachaça Divina Cana.
A criação de Ariana Bento tem forma de limão e sabor de caipirinha. Por fora, uma casca de manteiga de cacau amarela; por dentro, mousse de limão envolvendo uma geleia de caipirinha feita com cachaça Divina Cana Febo. A base é um crumble de amendoim, que dá o contraponto crocante e salgado à acidez do limão. Uma homenagem à torcida que sonha com o sexto título mundial — daí o nome.

A sobremesa foi servida em duas versões, com e sem álcool, para que ninguém ficasse de fora. Segundo a doceria, a receita continua sendo procurada mesmo depois do encerramento do circuito, que aconteceu entre 8 e 26 de junho e teve seu encontro final em praça pública nos dias 27 e 28.
A escolha da cachaça Divina Cana Febo não foi acidental. É uma cachaça armazenada por dois anos em dornas de jequitibá-rosa e mais dois em barris de amburana, ambos sem tosta — um caminho longo que entrega uma bebida doce, macia e marcada por especiarias, com notas de castanha e anis. No Guia Mapa da Cachaça 2025, recebeu 84,5 pontos e o Selo 3 Estrelas.
É justamente esse perfil que funciona na confeitaria: a amburana empresta um doce aromático que conversa com o limão sem brigar com ele, e o jequitibá-rosa arredonda a bebida o suficiente para que o álcool não domine a sobremesa. Não à toa, a Febo já havia rendido outra receita cítrica no Mapa da Cachaça — a Carambinha, caipirinha de carambola criada pelo bartender Bruno Pasquini.
Cachaças de alambique envelhecidas em madeiras brasileiras vêm ganhando espaço justamente aí, no lugar que sempre foi do rum e do conhaque: geleias, ganaches, caldas e massas. A diferença é que elas trazem junto uma origem — uma cidade, um canavial, uma família — e isso muda a conversa na hora de contar o doce para o cliente.

A parceria não termina no festival. Em breve, as cachaças da Divina Cana passarão a ser vendidas no próprio Bento Doce, em Lavras — quem for tomar um café e comer um doce vai poder levar a garrafa para casa.
É mais um passo de uma marca que vem ocupando espaços fora da cachaçaria tradicional. No começo deste ano, a Divina Cana chegou às cafeterias da Cocatrel, em Três Pontas e Santana da Vargem, num encontro entre cachaça mineira e cafés especiais. Agora, é a confeitaria.
Para conhecer a história por trás do alambique — a memória de um químico e a mitologia que batiza os rótulos —, vale ler o perfil A memória de um químico e a influência da mitologia na cachaça Divina Cana.
Bento Doce — Lavras (MG) · @bentodoce
Divina Cana — Três Pontas (MG) · divinacana.com.br
Fotos: divulgação / Festival Arte, Cultura e Sabores.


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