O sorbet de cajuzinho-do-cerrado com cachaça é uma sobremesa que celebra dois ingredientes genuinamente brasileiros em uma combinação de sabor e identidade. Criada por Rita Medeiros, proprietária da sorveteria Sorbê em Brasília e pesquisadora do projeto Plantas do Futuro do Ministério do Meio Ambiente, esta receita transforma uma fruta silvestre do Cerrado em uma experiência gastronômica sofisticada e refrescante.
O cajuzinho-do-cerrado (Anacardium humile) é uma fruta completamente diferente do caju convencional. De porte humilde — seus frutos medem no máximo três centímetros —, ele é obtido exclusivamente por extrativismo junto a comunidades tradicionais da região. Seu sabor, no entanto, é inigualável: intenso tanto em doçura quanto em acidez, características que fazem dele uma matéria-prima perfeita para sorbets artesanais.

A receita de Rita Medeiros utiliza uma técnica acessível para quem não possui sorveteira: o suco do cajuzinho é batido com açúcar e glucose em pó, congelado em refratário de vidro e depois rebatido na batedeira a cada meia hora durante cerca de duas horas. Esse processo de congelamento e batimento repetido incorpora ar à mistura e quebra os cristais de gelo, resultando em uma textura cremosa e aveludada mesmo sem equipamento profissional. A glucose em pó é o segredo técnico que garante maciez ao sorbet, reduzindo o ponto de congelamento da mistura.
Na hora de servir, o sorbet ganha uma dose generosa de cachaça Vibra Brasil Amburana, que adiciona toques aromáticos de especiarias à sobremesa. Por cima, uma compota agridoce feita com o bagaço do próprio cajuzinho — cozido com açúcar e sal até atingir o ponto — traz textura e um contraste de sabores que eleva o prato. Folhinhas de hortelã fresca completam a apresentação, adicionando frescor e cor.

A Vibra Brasil nasce de uma parceria entre o empresário Givago Alvarenga — mineiro de origem, goiano por adoção — e o Engenho Néctar do Cerrado, conduzido pelo agrônomo Walter Cunha em Monte Alegre de Minas. O portfólio é construído em torno das madeiras brasileiras, cada uma explorada como uma expressão distinta do Cerrado. Na Amburana, o perfil surpreende: em vez da doçura pronunciada associada à madeira, o destilado entrega um caráter mais vegetal e terroso — floral, argila, musgo, mel no nariz, e um paladar de fruta verde e especiarias com sensação condimentada e amadeirada. Retrogosto médio com alguma complexidade.
Este sorbet é um manifesto pela valorização da biodiversidade brasileira. Rita Medeiros trabalha diretamente com comunidades tradicionais do Cerrado que coletam as frutas, criando uma cadeia sustentável que preserva o bioma e gera renda. Como ela mesma diz: “Estamos criando uma nova oportunidade para que as pessoas conheçam sabores completamente diferentes, que fazem parte da nossa cultura”. Servir este sorbet com cachaça é celebrar o melhor do Brasil em uma taça.
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