Yi-ecê-aba: a nova cachaça da Jeceaba que celebra a cultura, a flora e a história brasileira

  • Publicado 11 meses atrás

Descubra a Yi-ecê-aba, a mais recente cachaça de Roger Sejas da Jeceaba, um blend envelhecido em madeiras brasileiras e jaqueira. Uma experiência sensorial única com aromas frutados, toques condimentados e um dourado vibrante.

Yi-ecê-aba, a “junção das águas”

É comum, na vida de degustador de cachaça, nos depararmos com exemplares que reforçam a certeza de que a cachaça é um dos destilados mais complexos do mundo.

Com as inúmeras possibilidades de envelhecimento em madeiras brasileiras, o produtor tem a liberdade de explorar diferentes variáveis, criando perfis sensoriais que desafiam e estimulam nossa capacidade de interpretação de aromas e sabores.

Nesta semana, degustei o mais recente lançamento de Roger Sejas, produtor da Cachaça Jeceaba: a Yi-ecê-aba.

A cachaça homenageia os povos originários do Brasil e leva um nome extraído do tupi-guarani, que deu origem à cidade mineira de Jeceaba, onde é produzida. “Yi-ecê-aba” significa “encontro dos rios” ou “junção das águas”, uma expressão perfeita para um blend que busca combinar diferentes madeiras para revelar toda a versatilidade da cachaça.

O blend da Yi-ecê-aba é composto por quatro madeiras, organizadas em ordem de relevância na composição: jaqueira (barril de 200 litros), bálsamo (tonel de 200 litros), amburana (tonel de 200 litros) e jequitibá (dornas de 600 litros). O resultado é uma cachaça de alambique envelhecida entre 2,5 e 3 anos, com camadas sensoriais que transitam entre o frutado, o condimentado e o amadeirado.

A produção segue os princípios da Escola Caipira, marcada pela fermentação espontânea e pelo uso do pé-de-cuba com fubá e farelo de arroz, preservando a identidade regional da bebida. Quem visita o alambique encontra na parede um pedaço especial da história: a primeira receita do fermento escrita à mão por Roger para seu cunhado Dedé, que acompanha de perto a produção da cachaça.

“Nosso alambique está cercado por jabuticabeiras, bananeiras e limoeiros. Esse ambiente influencia o desenvolvimento dos aromas e sabores da nossa cachaça, especialmente na etapa da fermentação”,

conta Roger Sejas

O canavial próprio, de seis hectares, utiliza desde 2021 a variedade SP80-3280, conhecida pelo alto teor de sacarose e boa produtividade. A busca constante é por canas mais adaptáveis à região.

alambique cachaça Jeceaba
Tradicional equipamento de destilação com capelo e fogo indireto

No que diz respeito a destilação, o pequeno e tradicional alambique de cobre, com coluna capelo — uma espécie de chapéu que esfria e condensa os vapores — reforça a conexão da cachaça Jeceaba com a história e cultura do destilado brasileiro.

Avaliação da Yi-ecê-aba

A cachaça apresenta um dourado vibrante, característico da jaqueira, uma madeira exótica vinda da Ásia, mas plenamente adaptada ao Brasil. É uma das poucas madeiras que consigo reconhecer com um bom nível de certeza apenas observando a tonalidade da bebida.

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Uma bela identidade de marca desde a escolha do nome até a composição do design do rótulo

No nariz, exala notas meladas e frutadas, com uma marcante lembrança de cajuína que se intensifica no fundo da taça, após o último gole. As cachaças que passam por jaqueira costumam me remeter a aromas de frutas amarelas, em especial ao brasileiríssimo caju, e com a Yi-ecê-aba não foi diferente. Eu percebo também uma doçura de notas abaunilhadas e mentoladas, possivelmente influenciadas pela amburana e pelo bálsamo.

No paladar, a cachaça muda bastante, revelando mais as outras madeiras. O dulçor frutado cede espaço para nuances condimentadas e vegetais, deixando a boca salivando com um frescor de hortelã. Ela começa doce, trazendo a fruta amarela, e termina com um leve amargor, colaborando com sua complexidade. A leveza inicial dá lugar a um crescimento de sabores no retrogosto, com notas de canela e pimentas secas.

Para harmonização, a Yi-ecê-aba me lembrou imediatamente a um aperitivo que sempre apreciei no saudoso empório Sagarana, na Vila Madalena em São Paulo: queijo da Serra da Canastra com uma pimenta biquinho espetada no topo. A combinação do dulçor, salgado e da leve picância ressalta os sabores complexos do blend.

Por fim, é impossível não exaltar a beleza da garrafa — sem dúvida, o design mais bonito já lançado pelo alambique mineiro de Jeceaba. Mais do que uma identidade visual marcante, o rótulo carrega a história e a cultura que são essenciais para a marca. No contrarrótulo, encontramos a motivação do produtor para a criação do blend, conectando narrativa, terroir e os aromas das nossas florestas.

Em 2010, Felipe Jannuzzi fundou o Mapa da Cachaça, premiado projeto cultural com reconhecimento internacional e a principal referência sobre cachaça no mundo. Felipe é um dos sócios fundadores da Espíritos Brasileiros, empresa pioneira no mercado de produção de gin no Brasil, responsável pelo premiado Virga, primeiro gin artesanal brasileiro e o único no mundo que leva doses de cachaça na receita. Desde 2021, é um dos sócios da BR-ME, empresa especializada em produtos brasileiros, como vinhos, cafés, azeites, queijos e chocolates.

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