O risoto de canjiquinha é uma releitura afetiva assinada pela chef Zenir Dalla Costa, que transforma a canjiquinha — a quirera de milho dos fogões mineiros — em prato principal cremoso, coroado por linguiça artesanal flambada na cachaça Flor das Gerais Jequitibá, queijo Canastra e raspas de limão-cravo.
A técnica é a mesma do risoto clássico, mas o grão é brasileiro. Cozida aos poucos no fundo de legumes, a canjiquinha libera amido e constrói uma cremosidade natural, finalizada com manteiga e queijo na mantecatura. A linguiça artesanal, flambada na cachaça, ganha caramelização e um perfume que amarra o prato inteiro.

A escolha da cachaça não é por acaso. Orgânica e produzida pela Flor das Gerais na Fazenda Mourões da Porteira, em Felixlândia, no coração de Minas Gerais, ela envelhece em jequitibá-rosa, madeira brasileira que preserva a transparência do destilado e entrega notas delicadas, florais e levemente cítricas. Na flambagem, esse perfil aromático perfuma a linguiça sem disputar espaço com o queijo e o embutido — e ainda ecoa o frescor do limão-cravo na finalização.

Zenir Dalla Costa é mestre em Hospitalidade, coordenadora do curso de Gastronomia do Centro Universitário Senac e autora do livro Cozinhando com economia, dedicado à sazonalidade e ao aproveitamento integral dos alimentos — filosofia que este prato traduz com fidelidade. A dica da chef: sirva imediatamente, enquanto a textura está no ponto, e decore com brotos e flores comestíveis para um acabamento contemporâneo. Para acompanhar, uma dose da própria Flor das Gerais Jequitibá, pura, fecha a experiência.

Fotos: Stela Handa e Jeisy Mendes
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Zenir Dalla Costa é chef de cozinha, pesquisadora e educadora dedicada à gastronomia brasileira e às práticas sustentáveis.
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